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Bataclan: a sala lendária do rock que foi alvo de um atentado

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Bataclan: a sala lendária do rock que foi alvo de um atentado

 

O dia 13 de novembro de 2015 será para sempre recordado coma uma verdadeira “sexta-feira 13” pela cidade de Paris. Seis ataques sincronizados, no centro da capital francesa, provocaram o terror e incitaram de novo ao medo, menos de um ano depois dos ataques à redação do jornal Charlie Hebdo. Desta vez, mais de 130 pessoas inocentes foram assassinadas.

Os ataques tiveram lugar em espaços que qualquer pessoa poderia frequentar numa sexta-feira à noite. Bares e restaurantes no centro de Paris, onde aconteceram vários tiroteios; bombas  no exterior do Stade de France, onde se encontrava o Presidente François Hollande, a assistir a uma partida entre França e Alemanha; e, por fim, o pior momento da noite: o atentado à sala de espectáculos Bataclan.

Durante um concerto dos Eagles of Death Metal – que tinha juntado na plateia mais de 1000 pessoas – um grupo de homens armados invadiu o edifício e tomou cerca de cem reféns antes que as forças policiais pudessem acorrer para contra-atacar. Pela altura da invasão, a banda já tocava no palco há mais de uma hora.

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O Bataclan, durante o concerto dos Eagles of Death Metal, momentos antes do atentado

Passava pouco da meia-noite (hora local) quando as forças especiais implementaram um assalto ao Bataclan na tentativa de libertar os reféns. Durante quase uma hora, ouviram-se tiroteios e explosões. Por fim, à uma da manhã, a polícia confirmou que a operação tinha terminado, que os três terroristas tinham sido mortos e que o cenário encontrado no interior do Bataclan era de absoluta “carnificina”. Ao todo, morreram 89 pessoas nesta sala onde era suposto apenas fazer-se apenas música.

Neste artigo, contamos uma história que vai além da tragédia que se sucedeu nesta fatídica noite. Pelo palco do Bataclan passaram centenas de artistas de renome, desde Edith Piaf a Snoop Dog. A plateia desta sala centenária recebeu espectadores de todas as formas e feitios, de origens diferentes e crenças distintas, mas que se uniram pelo mesmo motivo: música. Assim, numa homenagem, recordamos a história do edifício e alguma da música que aí se fez.

Bataclan: o palco que acolheu (e fez) lendas do rock

É bem no centro de Paris, a cerca de meia hora a pé da catedral de Notre Dame, que encontramos o Bataclan. Mais perto ainda fica a redação do Charlie Hebdo, a uma mera distância  de oito minutos a pé, uma infeliz coincidência que convém aqui anotar.

Projetado por Charles Duval, o edifício do Bataclan ainda hoje não passa despercebido a quem passar na rua. Mesmo assim, a fachada sofreu recentemente algumas modificações. Os tons coloridos de vermelho e verde foram avivados em 2006, com uma nova pintura. O telhado em pagoda – que foi entretanto removido – era uma característica típica da cultura oriental e terá sido a razão por detrás do nome original do estabelecimento:  Grand Café Chinês.

O nome Bataclan, que facilmente nos remonta para um espírito de animação e vida boémia, foi atribuído mais tarde. Não muito depois, foi aqui que o público pôde assistir a uma das primeiras atuações de Edith Piaf, que se viria a tornar num dos nomes mais importantes da música francesa.

41VV78NQCRLNo entanto, foi desde o início da década de 1970 que a sala de espetáculos começou a ganhar uma reputação “lendária” entre os fãs da música rock. Até então, tinha continuado a servir como sala de concertos e até como cinema. Mas com o advento do rock preparou-se para abrigar música mais pesada. Com capacidade para sentar cerca de 1500 pessoas, reunia todas as condições para acolher artistas de rock nos seus palcos e acomodar multidões na plateia.

 

Foi aqui que Prince, por exemplo, fez duas horas e meia de encore, após o seu concerto, cantando pela sua voz faixas de Led Zeppelin e Santana. “Whole Lotta Love,” Bill Withers’ “Ain’t No Sunshine” e a sua própria “All the Critics Love U in Paris” levaram a audiência ao delírio.

Neste palco esteve também Jeff Buckley, em 1995, durante a promoção do seu álbum Grace. Apesar do artista ter sido considerado para um festival, a sua passagem por França acabou por acontecer no Bataclan. Foi aqui que, muito aplaudido, interpretou “Je N’en Connais Pas La Fin” e “Hymne a L’Amour” de Edith Piaf. O trabalho dessa noite foi gravado e compilado no álbum Jeff Buckley – Live from the Bataclan.

E, claro, foi aqui que, em 1972, Lou Reed e John Cale fizeram as pazes e tocaram lado a lado pela primeira vez desde a saída de Cale dos Velvet Underground. O concerto, que estava previsto ser apenas uma atuação a solo de John Cale, acabou por ser uma surpresa para os fãs.

No momento em que Lou Reed e Nico se juntaram ao palco os três tocaram novamente êxitos como  “Heroin,” “The Black Angel’s Death Song” e “Femme Fatal”. Felizmente, os fãs que não assistiram a esta reunião puderam ouvir a música no álbum Le Bataclan Paris, jan 29, 72.

A banda Genesis, em 1973, fez também aqui um espetáculo que foi gravado e transmitido, durante a sua era inicial que contava ainda com Peter Gabriel.

71eMU3IVVNL._SL1050_De notar que a lista de artistas que passaram pelo Bataclan se alonga. Por aqui estiveram os Velvet Underground, The Black Keys, Foo Fighters, Oasis, The Cure, Metallica, The Smashing Pumpkins, Iron Maiden, Cyndi Lauper, Kendrick lamar, The Killers, Death Cab for Cutie, Blur, 30 Seconds to Mars, Snoop Dog, Robbie Williams, Bastille e muitos mais. Os The Deftones e Gary Clark Jr. teriam marcado presença neste mesmo palco nos dias que se seguiram aos ataques.

Nos últimos anos, o Bataclan tem sido alvo de manifestações ativistas por parte de anti-israelitas e do movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) – que preconiza o boicote académico, cultural e económico de Israel, com o intuito de pôr um fim à ocupação israelita de território palestiniano. Em 2011, o grupo extremista “Exército do Islão” chegou mesmo a ameaçar diretamente o Bataclan, na altura propriedade de judeus.


   

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