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Louis Armstrong: Celebrando a Vida e Carreira singular do Ícone do Jazz

Louis Armstrong: Celebrando a Vida e Carreira singular do Ícone do Jazz

by Gonçalo Sousa

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Louis Armstrong é reconhecidamente um dos maiores símbolos mundiais do jazz. A voz, o modo de cantar e o trompete são as suas marcas registradas, que sobrevivem ao tempo e influenciam artistas até hoje.

Louis Armstrong nasceu em Nova Orleães, Louisiana, a 4 de Agosto de 1901. Foi criado pela sua mãe Mayann num bairro tão perigoso que foi chamado “The Battlefield”. Teve apenas uma educação do quinto ano, abandonando cedo a escola para ir trabalhar. Um trabalho precoce para a família Karnofsky judaica permitiu a Armstrong ganhar dinheiro suficiente para comprar o seu primeiro trompete.

Na passagem de ano de 1912, foi preso e enviado para o Lar dos Rapazes dos Waif’s Coloridos. Lá, sob a tutela de Peter Davis, ele aprendeu a tocar correctamente o trompete, acabando por se tornar o líder da Banda de Latão do Lar dos Waif’s.

Lançado da Casa dos Waif’s em 1914, Armstrong pôs o seu objectivo em tornar-se um músico profissional. Ensinado pelo trompetista de topo da cidade, Joe “King” Oliver, Armstrong rapidamente se tornou um dos trompetistas mais procurados da cidade, acabando por trabalhar de forma constante nos barcos do rio Mississippi.

Em 1922, o King Oliver mandou Armstrong para se juntar à sua banda em Chicago. Armstrong e Oliver tornaram-se a conversa da cidade com as suas intrincadas pausas de dois andares e começaram a bater recordes juntos em 1923. A sua história mistura-se também com a cultura americana, acompanhando mudanças da sociedade, como a proibição e posterior legalização de álcool, assim como a legalizaçao casa de apostas em Las Vegas e outras cidades.

Por essa altura, Armstrong começou a namorar a pianista da banda, Lillian Hardin. Em 1924, Armstrong casou com Hardin, que instou Armstrong a deixar Oliver e a tentar fazê-lo por conta própria. Um ano em Nova Iorque com Fletcher Henderson e a sua Orquestra revelou-se insatisfatório, pelo que Armstrong regressou a Chicago em 1925 e começou a fazer discos com o seu próprio nome pela primeira vez.

Mais quente do que nunca

Os discos de Louis Armstrong e dos seus Hot Five – e mais tarde, Hot Seven – são os mais influentes no jazz. Os solos improvisados de Armstrong transformaram o jazz de uma música baseada num conjunto na arte de um solista, enquanto que os seus vocais expressivos incorporaram explosões inovadoras de canto scat e uma sensação de swing subjacente.

No final da década, a popularidade dos Hot Fives e Sevens foi suficiente para enviar Armstrong de volta para Nova Iorque, onde apareceu na popular revista da Broadway, “Hot Chocolates”. Logo começou a fazer digressão e nunca mais parou até à sua morte em 1971.

A década de 1930 também encontrou Armstrong alcançando grande popularidade na rádio, em filmes, e com as suas gravações. Apresentou-se na Europa pela primeira vez em 1932 e regressou em 1933, permanecendo por mais de um ano devido a um lábio danificado. De volta à América em 1935, Armstrong contratou Joe Glaser como seu manager e começou a liderar uma grande banda, gravando canções pop para a Decca, e aparecendo regularmente em filmes. Começou a fazer uma digressão pelo país nos anos 40, muito antes da sociedade portuguesa evoluir da ditadura para liberdade que permitiu, entre outras coisas, fazer apostas Portugal.

Embaixador Satch

Em 1947, o declínio da popularidade das grandes bandas forçou Armstrong a começar a liderar um pequeno grupo, Louis Armstrong e as suas All Stars. O pessoal mudou ao longo dos anos, mas este continuou a ser o principal veículo de representação de Armstrong durante o resto da sua carreira. Teve uma série de sucessos pop a começar em 1949 e começou a fazer digressões regulares no estrangeiro, onde a sua popularidade foi tão grande que foi apelidado de “Embaixador Satch”.

Na América, Armstrong tinha sido um grande pioneiro dos Direitos Civis para a sua raça, derrubando inúmeras barreiras quando jovem. Nos anos 50, foi por vezes criticado pela sua persona no palco e chamado “Tio Tom”, mas silenciou os críticos ao falar contra a forma como o governo lidou com a crise de integração do liceu “Little Rock Nine” em 1957.

Armstrong continuou a fazer digressões pelo mundo e a fazer discos com canções como “Blueberry Hill” (1949), “Mack the Knife” (1955) e “Hello, Dolly!” (1964), esta última a tirar os Beatles do topo das tabelas pop no auge da Beatlemania.

 

Os muitos anos de constante digressão acabaram por desgastar Armstrong, que teve o seu primeiro ataque cardíaco em 1959 e regressou aos cuidados intensivos no Hospital Beth Israel para problemas cardíacos e renais em 1968.

Os médicos aconselharam-no a não tocar, mas Armstrong continuou a praticar todos os dias na sua casa em Corona, Queens, onde vivia com a sua quarta esposa, Lucille, desde 1943. Voltou a actuar em 1970, mas foi demasiado, demasiado cedo e faleceu durante o sono a 6 de Julho de 1971, alguns meses após o seu noivado final no Waldorf-Astoria, em Nova Iorque.

Os direitos autorais de Louis Armstrong no Brasil

Neste ano em que completam 120 anos de seu nascimento, no dia 04 de agosto, o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) fez um levantamento com as músicas interpretadas por ele mais tocadas no Brasil nos últimos anos. Não existe registo do mesmo trabalho ter sido realizado no nosso país, portanto apenas para

Louis Armstrong tem 46 obras musicais e 6.317 gravações cadastradas no banco de dados do Ecad. Das suas gravações, “Dream a little dream of me” foi a mais tocada no país nos últimos cinco anos.

No top 5 deste ranking, também aparecem “We have all the time in the world”, “Go down moses“, “Cheek to cheek” e “Summertime“. Uma curiosidade é que a canção “What a Wonderful World“, de autoria de Bob Thiele e George David Weiss e famosa na voz de Louis Armstrong, não entrou no ranking das mais tocadas entre 2016 e 2021, no Brasil.

A maior parte dos rendimentos em direitos autorais pela execução pública das músicas de Louis Armstrong no Brasil, nos últimos cinco anos, é proveniente dos segmentos de Rádio e TV, que correspondem a mais de 65% do que é destinado a ele.

Os herdeiros de Armstrong continuam a receber os direitos autorais pela execução pública de músicas no Brasil até 70 anos após a sua morte, como determina a lei do direito autoral brasileira (9.610/98). Os valores em direitos autorais arrecadados são distribuídos pelo Ecad para a associação brasileira, que representa o artista, e repassados à associação estrangeira dele. No Brasil, essa entidade é a União Brasileira de Compositores (UBC).

 “O jazz deve muito a ele, com seu trompete e voz. Verdadeira tradução da música de Nova Orleans”, disse Marcelo Castello Branco, diretor executivo da UBC.

 

Top 10 de músicas de Louis Armstrong no Brasil

Ranking das músicas gravadas por Louis Armstrong mais tocadas nos últimos cinco anos no Brasil nos segmentos de execução pública de Rádio, Sonorização Ambiental, Casas de Festa e Diversão, organizadas por Posição, Música e Autores.

1 – Dream a little dream of me (Swan Don / Keyes Gilbert / Fabian Andre)

2 – We have all the time in the world (John Barry / David H L)

3 – Go down moses (Melvin J Oliver)

4 – Cheek to cheek (Irving Berlin)

5 – Summertime (George Gershwin / Dorothy Heyward / Bose Heyward (Du) / Arthur Francis)

6 – Georgia on my mind (Carmichael Howard Hoagland / Stuart Gorrell)

Hello dolly (Jerry Herman)

La vie en rose (Edith Piaf / Louis Guy)

7 – I’ve got my love to keep me warm (Irving Berlin)

8 – Just squeeze me (Duke Ellington / Lee Otho Gaines)

9 – Jeepers creepers (Lendi Anthony / Moore (Us 2) Joe)

Marck the knife (Marc Blitzstein / Bert Brecht / Kurt Weill)

Love is here to stay (George Gershwin / Arthur Francis)

10 – It’s been a long long time (Sammy Cahn / Jule Styne)

Black and blue (Andy Razaf / Harry Brooks (Usa 1) / Waller Fats)

St Louis blues (Erroll Garner / Handy W C)

High society (Porter Steele / Alden Johnny)

They can’t take that away from me (George Gershwin / Arth)

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