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Roberto Carlos: quando Eles interpretam o Rei

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Roberto Carlos: quando Eles interpretam o Rei

 

Há mais de cinquenta anos, o cantor Roberto Carlos é aclamado como o Rei da Música Brasileira. Desde quando o apresentador Chacrinha o coroou em um de seus programas de auditório, ele nunca perdeu sua majestade na forma de cantar e de compor, muito embora nunca tenha referido a si mesmo como rei e de não ter explorado este título em nenhum momento de sua carreira de mais de cinquenta anos.

Neste texto, selecionamos e comentamos algumas gravações de suas composições por grandes artistas da MPB, que dedicaram álbuns inteiros em sua homenagem ou que lembraram suas canções em momentos comemorativos ou ainda as deixaram registradas em discos premiadíssimos.

Confira a seleção “Eles interpretam o Rei” já abaixo:

1 – Fera Ferida

Maria Bethânia

Em 1993, a cantora baiana dedicou um álbum inteiro aos compositores Roberto e Erasmo Carlos. “As canções que você fez pra mim” foi o maior sucesso em vendas de disco da carreira da artista. Apesar de a música homônima ao título ter ganhado destaque no disco, foi “Fera ferida” quem brilhou mais alto, ofuscando grandes gravações de músicas como “Costumes”, “Seu corpo” e “Você”.

2 – O Portão

Zezé di Camargo e Luciano

Apesar da dupla já ter interpretado várias vezes esta canção, desde o início de sua carreira, os irmãos participaram do projeto “Emoções Sertanejas”, onde eles gravaram ao vivo “O Portão”. A música é de um tema semelhante àquele preferido pelos sertanejos: a emoção do retorno à casa dos pais após longo tempo sem dar notícias. Para Zezé di Camargo e Luciano, esta canção pode servir como a continuação do sucesso “No dia em que eu saí de casa”, que conta a história de um filho que parte para o mundo mostrando que “depois que cresce um filho vira passarinho e quer voar”.

3 – Você não sabe

Hebe

Alguns anos antes de morrer, Hebe Camargo reviveu em um projeto especial a sua carreira de cantora, que não decolou nos anos cinquenta e sessenta. Hebe se tornou conhecida como a “Estrela” da Televisão, onde trabalhou durante anos como apresentadora em programas sempre luxuosos e bem produzidos. “Você não sabe” ganhou um dueto com Roberto, que emocionou a cantora com a sua participação de “surpresa” na gravação. Após o falecimento de uma das maiores fãs do compositor, ele nunca mais liberou “Você não sabe” para outro artista gravar. Quando Cauby ligou para pedir autorização ele logo lembrou que a canção era da Hebe, embora o veterano não tivesse cogitado em gravá-la. Roberta Miranda chegou a gravar, mas foi vetada por ele e não veio a público.

4 – À Distância

Ney Matogrosso

Quem é acostumado em ver o ex-integrante do conjunto Secos & Molhados vestidos com roupas espalhafatosas de muito brilho e penas, vê um Ney Matogrosso mais sóbrio, vestindo uma roupa social leve e uma gravada quase aberta, interpretando sucessos gravados pela primeira vez. “À Distância” é um dos destaques do álbum “Beijo Bandido”, que ganhou dois prêmios na cerimônia do Prêmio da Música Brasileira no Teatro Municipal em 2010. O piano solo em “À distância” é sensacional!

5 – Quando

Roberta Miranda

Em 2014, a cantora sertaneja Roberta Miranda gravou o disco “Roberta canta Roberto”. De todas as faixas do trabalho, “Quando”, do período de composição solo na Jovem Guarda, ganhou destaque por trazer a participação especial do filho do homenageado – Dudu Braga. O baterista colocou a sertaneja para cantar rock and roll com instrumentação da sua banda RC na Veia, em que ele leva as músicas do seu pai para show no Rio e em São Paulo.

6 – Não se esqueça de mim

Nana Caymmi

Em 1998, em um dos seus mais prestigiados discos – Resposta ao Tempo -, Nana regravou este clássico do repertório esquecido de Roberto. Além de dar o tom aboleirado à canção, ela convidou Erasmo Carlos, que colabora na segunda metade da música com sua voz suave. A gravação ficou ótima, pois a voz potente da cantora casou perfeitamente com o tom baixo do coautor da canção.

7 – Do Fundo do meu coração

Adriana Calcanhoto

Em 2009, em motivo das comemorações dos cinquenta anos de carreira do rei, Adriana Calcanhoto foi convidada a participar de um DVD chamado “Elas cantam Roberto”, onde várias cantoras consagradas interpretaram o homenageado. Nesta gravação ao vivo, Calcanhoto é simples: toca violão acústico e usa o mais doce que é possível extrair do seu vocal. “Do fundo do meu coração” se incorporou ao repertório da artista, obtendo milhões de visualizações no YouTube e nos canais de streaming.

8 – As curvas da estrada de Santos

Elis Regina

A “pimentinha” da MPB chegou a fazer uma passeata no centro do Rio de Janeiro em protesto contra a inserção da guitarra elétrica no Brasil. Para ela, no início dos anos sessenta, as guitarras vinham com todo o peso da cultura norte-americana e inglesa, o que nós não precisamos. Muito pelo contrário, precisávamos de música genuína do Brasil. Alguns anos depois de comandar um programa onde apenas sambistas se apresentavam, ela participou do Jovem Guarda do Roberto (programa de influência roqueira nos anos sessenta) e o convidou para seu programa para cantar um samba. Elis aderiu ao som das guitarras e gravou “As curvas da estrada de santos” que, como tudo por ela gravado, se tornou clássico e “gravação definitiva”. Ela alonga as notas e mostra toda a extravagância que tinha, colocando mais soul na música gravada como rock em 1969 por Roberto Carlos. É genial!

 

9 – Se você pensa

Maysa

Quem imaginaria que a cantora de samba-canção tachada de “cantora de fossa” ou “música brega” pelas novas gerações surgidas nos anos sessenta, encerraria aquela década com uma gravação ao vivo no Canecão da funkeada “Se você pensa”? Maysa mostrou que cantava qualquer estilo e que estava a par de tudo o que os jovens estavam fazendo. Ela não apenas gravava as bossas de Bôscoli e Tom Jobim, mas também os sucessos da “galera do rock”. Imperdível ouvir a esta performance de uma cantora, que aprendeu a cantar com os seresteiros Silvio Caldas e Orlando Silva, cantando um som alucinante da dupla Roberto e Erasmo.

10 – Sentado à beira do caminho

Lulu Santos

Em 2012, Lulu Santos selecionou um repertório chamado “Lulu canta e toca Roberto e Erasmo”, onde ele reúne canções famosas do repertório dos dois. Apesar de ser gravada originalmente por Erasmo Carlos em um compacto de 1969, a música é de coautoria de Roberto que sempre fez questão de lembrar esta música, seja convidando Erasmo para duetos em seus especiais de fim de ano na TV Globo ou fazendo gravações desta com outros artistas em outros idiomas. Nesta faixa, Lulu não se baseia em nenhuma gravação já feita. Ele coloca a sua guitarra de forma única e canta com sua personalidade ímpar. Vale a pena conferir!

11 – As flores do jardim da nossa casa

Cauby Peixoto

Também em 2009, Cauby Peixoto grava um lindo trabalho em homenagem a Roberto Carlos. Ele é o segundo artista que conseguiu autorização para gravar um álbum todo composto pela dupla Roberto e Erasmo, assim como Bethânia. Em “As flores do jardim da nossa casa”, Cauby se esquece que a canção já foi gravada por vários outros artistas. Com seu jeito único de cantar, ele deu versão nunca antes vista a esta dramática e triste canção da época do fim da Jovem Guarda. O premiado disco tem arranjos ótimos, vale a pena conferir por completo, pois ele canta “Desabafo” em ritmo de tango e “Música Suave” com estilo jazz. Um trabalho à altura do homenageado!

12 – Emoções

Agnaldo Timóteo

Em 1999, Agnaldo Timóteo grava o álbum “Em nome do amor”, em homenagem ao antigo amigo. “Emoções” é a faixa que abre o trabalho. A única diferença da gravação (que tem arranjo quase idêntico ao original do Rei), é que a sua voz é mais potente que a de Roberto. Agnaldo consegue vocalizações que o próprio autor não tem condições de realizar. O restante do álbum é muito bom: traz versões de músicas que vão desde as famosas “Não se esqueça de mim” e “À distância” até as menos conhecidas “Sonho lindo” e “Custe o que custar”. Todas valem à pena!

13 – Olha

Alcione

No ano 2000, a cantora de sambas Alcione gravou um disco no formato voz e violão em que registrou “Olha”, clássico do romantismo de Roberto. A adaptação feita pela intérprete no verso “seja minha amante e meu amor” para “seja meu amado, meu caso, meu tudo, meu amor”, causou reação positiva do público que vai ao delírio na faixa ao vivo.

14 – Costumes

Paula Fernandes

Em seu primeiro trabalho registrado ao vivo, a jovem Paula Fernandes busca no repertório do Roberto a romântica “Costumes”. A cantora agradou ao seu público com esta regravação do rei, que foi o responsável por ajudar a levar a arte da mineira para todo o Brasil, pois foi após uma participação especial no show de fim de ano do cantor, televisionado para o Brasil e exterior, que a cantora ganhou maior visibilidade. Este álbum chegou ao topo dos mais vendidos em todo o país. Ela veio a registrar mais músicas da dupla em projetos especiais futuros, em que lembrou um dueto com Dominguinhos em “Caminhoneiro”.

15 – Além do Horizonte

Jota Quest

Nos anos 2000, a banda de rock Jota Quest gravou “Além do Horizonte” em formato Rock. Ela fez muito sucesso e até hoje integra o repertório da banda que continua a fazer o público pular em seus show por todo o Brasil. Roberto registrou a música em um CD e DVD de compilações ao vivo. O dueto com a Jota Quest deu ao álbum o som que, de início, estava fazendo falta.

16 – É Preciso Saber Viver

Titãs

A banda Titãs foi muito feliz em gravar “É preciso saber viver”. Talvez seja esta música o maior sucesso do seu repertório. Eles deram uma levada mais otimista neste clássico. Segundo o músico Branco, um dos componentes da banda, esta gravação foi um divisor de águas na carreira dos titãs, que viveram momentos mais gloriosos após aquele álbum.

17 – Quero que vá tudo pro inferno

Nara Leão

Em 1978, a bossa-novista Nara Leão grava um disco só de músicas do cantor. Aliás, ela foi a primeira cantora a homenagear Roberto. Certamente, esta homenagem foi muito significativa e importante para ele, que assim como Erasmo, buscava uma insersão em um seleto grupo que se auto intitulava de Músicos Populares do Brasil (Mpbistas). “Quero que vá tudo pro inferno” parece ganhar até caráter contestatório na voz da fiel intérprete de Chico Buarque. O que era um rock do iê-iê-iê acabou virando uma bossa. O álbum traz versões únicas de músicas nunca mais tocadas por outro artista como “O divã” e “A cigana”.

18 – Cavalgada

Bruno & Marrone

Em 2012, a dupla Bruno & Marrone grava “Cavalgada”, originalmente gravada em 1977 por Roberto. Esta música romântico-erótica caiu como uma luva no repertório dos dois que têm hábito de gravar músicas de “dor de cotovelo”, exagerando no romantismo. Eles já gravaram “Detalhes” e “Desabafo”, em álbuns que venderam centenas de milhares de cópias. Aliás, eles estão entre os cantores que mais vendem discos desde os anos 1990, quando conquistaram maior público. Depois de ouvir estas interpretações, conseguimos ver o trabalho de Roberto Carlos como uma obra romântica que marcou e continua marcando a Música Popular Brasileira, pois todos estes artistas aqui citados são responsáveis por defender a qualidade da nossa produção musical. Apesar de não necessitarmos mais de referências monárquicas para, absolutamente, nada, podemos considera-lo merecedor do título majestoso de “Rei” da música brasileira.

   

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