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VODAFONE PAREDES DE COURA (DIA 1): A viagem citadina dos Mão Morta ao som gutural de Samuel

VODAFONE PAREDES DE COURA (DIA 1): A viagem citadina dos Mão Morta ao som gutural de Samuel

 

Não havia melhor forma de começar a 25ª edição do festival Paredes de Coura. A felicidade andou pelo anfiteatro natural do Taboão, especialmente pelas extraordinárias actuações dos Mão Morta, Future Islands e Beak. Ainda assim, para citar todos os que passaram pelo palco Vodafone, o único em actividade no dia inaugural do festival, uma palavra para as palavras de Kate Tempest, uma verdadeira tempestade de letras, vocábulos e frases, debitadas num frenesim reivindicativo e que agarrou muito do público que já pareceu encher o recinto.

Não esquecer ainda os Wedding Present que, depois de uma music sessions junto ao palco Jazz na Relva, em concreto no cimo da edificação que alberga as casas-de-banho da praia fluvial do Taboão, conseguiram cativar melhor o público do que quando o Sol ia alto. Bem, a verdade é que a fasquia ficou bem alta logo na noite de abertura e coloca-se como um enorme desafio para os artistas que se seguem nos diversos palcos do festival mais antigo de Portugal, com edições consecutivas, até à madrugada de domingo.

Foi só com bandas portuguesas que o festival Paredes de Coura nasceu e se deu a conhecer ao Mundo e foi, 25 anos depois, uma banda portuguesa a dar o mote para uma celebração que se quer grandiosa.

A luz intensa dos Mão Morta

Entre Paris e Berlim, que “morreu a nove”, passando por Istambul e Amesterdão, terminando em Lisboa, mais concretamente na Curraleira, Adolfo Luxúria Canibal e seus pares foram, pura e simplesmente, brilhantes.

Um brilhantismo a que, diga-se, já nos habituaram há muito sempre que sobem a um palco, desta feita aprimorado por umas excelentes projecções, retratos exímios desse universo mão-mortiano que tantos fascina e entusiasma. Brilhante!

Musicalmente irrepreensíveis, os Mão Morta celebraram, como nenhuns outros, os 25 anos do festival, onde a banda já esteve por diversas vezes e onde sempre, mas sempre, deixa a massa humana saciada de rock (ou não, já que o pessoal quer sempre mais!). A fechar o concerto, a banda de Braga deixou uma das suas impressões digitais mais marcante. Sim, foi com «Bófia» que a banda se despediu de Coura’17, não sem antes, em uníssono com a plateia, cantar os parabéns ao festival com o qual a banda também cresceu.

 

Seguiram-se os britânicos Beak, com a sua electrónica de enorme tensão, que a espaços se liberta das amarras e leva o ouvinte ao devaneio. Foi uma viagem sonora, necessária depois do rock’n’roll mão-mortiano, entre a tensão contida e a beleza musical.

Depois vieram os Future Islands e a sua indie pop de cariz electrónico em que o vocalista e letrista Samuel T. Herring é peça fulcral em toda a dinâmica da banda em palco. Aliás, enquanto os três restantes músicos quase nem se mexem, Herring arrasa. Ele não canta, ele dirige palavras ao público, parecendo falar com todos e cada um a seu tempo, numa agitação constante, que reflecte tão só o que lhe vai na alma… de forma sentida!

Fascinante em palco, Samuel lança amiúde uns guturais que transportam o ouvinte para uma outra galáxia sonora. E se ouvir Future Islands é entusiasmante, vê-los é impressionante, graças a um animal de palco chamado Samuel.

O recinto está mais aprimorado e parece mais espaçoso. Face à enchente da estreia, a expectativa para os restantes dias é grande quanto ao conforto e funcionalidade do espaço. Para já, a Natureza continua a imperar, neste que é já apelidado de habitat natural da música.

 

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