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Metallica: Afinal, Por Quem os Sinos Dobram?

Metallica: Afinal, Por Quem os Sinos Dobram?

 

Após a subida vertiginosa aos tops mundiais no início da década de 90, os Metallica iniciaram um caminho intermitente, irritaram milhões de fãs e gravaram discos mal-amados enquanto enfrentaram os seus próprios demónios. Mas em pleno Século XXI, a banda norte-americana voltou aos bons velhos tempos, trazendo de novo a força do metal para felicidade de imensos headbangers.

Por Quem os Sinos Dobram (em inglês: For Whom the Bell Tolls) é um romance de 1940 do escritor norte-americano Ernest Hemingway, sendo considerado uma das suas melhores obras. O livro narra a história de Robert Jordan, um jovem norte-americano das Brigadas Internacionais, que se tornou conhecedor do uso de explosivos na Guerra Civil Espanhola.

O título desse livro onde Hemingway faz uma análise ácida à violência da guerra e da condição humana é por sua vez uma referência a um poema do pastor e escritor inglês John Donne que se encontra na obra “Poems on Several Occasions”, onde é invocado o absurdo da guerra civil travada entre irmãos.

For Whom the Bell Tolls” é também o nome de uma das mais famosas e estimadas músicas dos Metallica, tendo sido editada no seu segundo álbum de estúdio, “Ride the Lightning”.

Para mim, esta canção sempre foi a definição perfeita dos talentos, virtudes e defeitos do grupo californiano. Precisamente por retratar a experiência humana dentro de uma guerra civil, ou seja, entre irmãos, mais do que em qualquer outra música, sempre me pareceu que os Metallica viviam e transmitiam em simultâneo sentimentos como tumulto, violência, agressividade, expiação e redenção cada vez que tocam “For Whom the Bell Tolls” no palco. E sempre foi também a minha música favorita do grupo, que em 2017 irá regressar ao Brasil.

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Metallica: um raio de luz no metal

Grunge, nu-metal ou metal alternativo foram apenas alguns dos géneros musicais que se atravessaram no caminho do reconhecimento público da banda norte-americana, cuja origem em São Francisco remonta ao ano de 1981. Os Metallica sobreviveram a todos os estilos, modas e tendências musicais que marcaram os passos da industrial musical nos últimos 30 anos e são merecidamente reconhecidos como a melhor e mais importante banda de metal dos anos 80 e 90, sendo responsáveis por aumentar a popularidade do género a nível universal.

Quando apareceram na época dourada da música não era só uma questão musical, era também uma questão de atitude. Os membros da banda assemelhavam-se muito a um grupo que vinha diretamente das ruas, pondo de lado os tiques e costumes habituais nas estrelas de rock e músicos de metal durante o período do renascimento do género nos anos 80. Basta analisar o estilo dos Guns N’ Roses (cuja ascensão decorreu em paralelo) para entender facilmente como eram diferentes.

Mais, eles não eram apenas distintos na atitude, que partilhavam inclusive com bandas como os Slayer, Megadeth, Anthrax ou Pantera. Na verdade, os Metallica procuraram sempre ultrapassar certos limites dentro do Metal, usando velocidade e volume para criarem alto impacto, mas também baladas e guitarras acústicas para evoluir e expandir os limites de um género elitista. E conseguiram triunfar.

O lançamento de “Kill ‘Em All” (1983) marcou o início da legitimação do género subterrâneo de heavy metal, trazendo uma nova complexidade e profundidade através do sub-género thrash metal. Foi uma banda que cresceu a pulso e é notório em cada álbum que as suas composições foram ampliando as barreiras pré-estabelecidas do metal, conseguindo dessa forma atingir um público genérico que de outra forma nunca seria fã deste género musical.

Os Metallica são sobretudo uma banda com personalidades marcantes e intrigantes. O vocalista e guitarrista James Hetfield desenvolveu um estilo próprio de guitarra-ritmo que combina na perfeição com o seu grunhido tão característico, enquanto o guitarrista Kirk Hammett é simplesmente um mago da guitarra que é um herói para milhões de admiradores no Mundo inteiro. Para completar o pacote, o estrondoso e espalhafatoso (ainda que complexo) baterista Lars Ulrich sempre tocou bateria com alma extra, sobretudo quando era acompanhado pelo baixista Cliff Burton. Sim, o leitor certamente reparou que não falamos da personalidade do homem do baixo. Porque essa é uma outra história.

Metallica: Tragédia e Dominação Mundial

Depois de lançar a sua obra-prima “Master of Puppets” (1986), a tragédia abateu-se sobre a banda quando o autocarro da tour colidiu enquanto viajava na Suécia. O acidente foi fatal para Cliff Burton, considerado pelos próprios pares como o elemento do grupo mais evoluído em termos musicais, obrigando a banda a fazer uma pausa durante alguns meses.

Os Metallica sentiram-se derrotados pela tristeza. Quando decidiram continuar, Jason Newsted foi escolhido para substituir Cliff Burton e, dois anos depois, o grupo lançou o conceitualmente ambicioso “And Justice for All”, que atingiu o Top 10 sem passar na rádio e sem receber sequer muito apoio da MTV.

Curiosamente foi no ponto mais baixo e triste das suas vidas que criaram a ponte para o sucesso massivo. Pouco depois, em 1991, com o álbum Metallica conhecido também como Black Album, a banda entrou definitivamente para o circuito mainstream do estrelato mundial.

Com composições e estruturas musicais mais curtas e concisas, o grupo recheou o disco com hits como “Wherever I May Roam” e, sobretudo, “Enter Sandman” e “Nothing Else Matters”, atingindo o número 1 ao vender mais de sete milhões de cópias nos EUA. Para suportar o registo, os Metallica lançaram-se numa longa digressão de quase dois anos.

Desta forma, nos anos 90, os Metallica tinham mudado as regras para todas as bandas de heavy metal, sendo assumidamente os líderes do género, venerados e respeitados não só pelos headbangers, mas também por compradores de discos convencionais e críticos. Nenhuma outra banda de heavy metal jamais foi capaz de concretizar tal façanha.

 

No entanto, pouco tempo depois, o grupo perdeu uma parte do seu público-alvo com o muito aguardado álbum “Load” (1996). O álbum lançou a banda na direção de um rock alternativo não apenas em termos de imagem (os membros da banda, por exemplo, cortaram os cabelos e tiraram fotografias com o bem conhecido fotógrafo Anton Corbijn), mas também na sonoridade estranha. As lutas internas, sobretudo entre vocalista e baterista, mais as batalhas externas, como a que travaram contra a plataforma Napster, também não ajudaram à criatividade.

Embora o álbum tenha sido um sucesso durante o seu lançamento de verão, entrando nas tabelas em número 1 e vendendo mais de três milhões de cópias em dois meses, alguns membros da base de fãs dos Metallica reclamaram a mudança de imagem e de sonoridade. “Re-Load”, que combinou novo material com canções deixadas de fora do álbum “Load”, apareceu em 1997 e, apesar das reviews muito fracas, vendeu rapidamente e contou com vários singles de sucesso, incluindo “Fuel” e “The Memory Remains”.

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Entretanto, em 1998 editaram “Garage Inc.”, uma coleção disco-duplo de lados B, raridades e covers, que passou ao lado da maioria dos ouvintes. Com tantos falhanços, a animosidade entre os membros da banda cresceu ao ponto de levar o baixista Jason Newsted a abandonar o projecto. E tudo continuou a correr mal. Em julho de 2001, James Hetfield entrou em reabilitação devido a alcoolismo e outros vícios, enquanto a banda entrou em hiato.

Com o regresso do vocalista, a banda voltou lentamente como um trio para a composição e gravação do próximo álbum, atribuindo a tarefa de tocar baixo ao produtor Bob Rock. Este trajeto árduo que deu origem à gravação do álbum “St. Anger” foi documentada no filme “Some Kind of Monster”, numa demonstração clara e aberta que o grupo tinha graves problemas internos. Contudo, numa espécie de terapia pública, mais uma vez os Metallica reergueram-se e revigorou-se com a entrada de Robert Trujillo em 2003 para o papel de baixista.

O novo álbum de estúdio dos Metallica estreou na primeira posição das tabelas da Billboard 200. Com um som seco e pesado, quase sem solos de guitarra, mais uma vez os fãs mais antigos não aceitaram bem o disco, pois consideravam que a banda estava a seguir um estilo de acordo com a tendência da época, que era nu metal/metal alternativo.

Contudo, 3 anos depois finalmente o reencontro com o seu público base aconteceu através de “Death Magnetic” (2006), gravado com o icónico produtor Rick Rubin. O álbum alcançou o topo em vários países e foi aclamado pela crítica e por boa parte dos fãs, dando origem a uma extensa digressão mundial.

Finalmente, no dia 4 de abril de 2009, os Metallica subiram ao palco para tocar um medley dos seus principais hits na cerimónia do Rock and Roll Hall of Fame, num momento de aclamação geral. Depois, em 2011, assinaram o álbum “Lulu” em parceria com Lou Reed, num disco inspirado em duas peças do dramaturgo alemão Frank Wedekind: “Earth spirit” e “Pandora’s box”, numa obra sem relevância. Deste então, fizeram mais um filme, uma editora discográfica e um festival até gravarem um novo álbum.

O regresso triunfal dos Metallica em 2016

Hardwired… To Self-Destruct” editado em 2016 marcou o regresso dos Metallica aos registos de estúdio, tendo atingido o n.º 1 em mais de vinte países em todo o mundo, incluindo EUA, Canadá, Austrália, França, Alemanha, Brasil e México, entre outros. Oito anos depois do último álbum de originais, a banda voltou a ocupar os lugares cimeiros das tabelas de vendas em todo o mundo com aquele que é já um dos mais aclamados álbuns de estúdio da sua já longa carreira.

Hardwired… To Self-Destruct” é o 11.º álbum de estúdio, o primeiro desde o multiplatinado “Death Magnetic”, lançado em 2008. Produzido por Greg Fidelman, também responsável pelas misturas e engenheiro de som no disco anterior, está disponível em vários formatos: em digital, 2CD, 2LP, 3CDs e Deluxe Box (3LPs). Foi sem dúvida um dos discos do ano 2016!

Entretanto, a questão do título deste artigo mantém-se sem resposta: afinal, por quem os sinos dobram nos Metallica?

METALLICA NO BRASIL

Lollapalooza – Autódromo de Interlagos (São Paulo) – 25 de março

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Agora, em 2017, os Metallica regressam ao Brasil, onde já passarm mais de dez vezes. Os fãs brasileiros não esperam menos do que um show de tirar o fôlego em 2017. O grupo promete animar o público do Lollapalooza em São Paulo com novas músicas do álbum “Hardwired… To Self-Destruct“, além de antigos sucessos, como “Fade To Black”, “Enter Sandman”, “Master Of Puppets” e “Sad But True”.

Os Metallica vão passar pelo Brasil para um concerto que promete ser inesquecível. A banda constituída por James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Robert Trujillo está de volta aos melhores tempos. Show imperdível para fãs de heavy-metal!

Descubra também todo o Lineup do Lollapalooza Brasil 2017 e a Agenda de Shows no Brasil em 2017.

   

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