Daniel Ek: Há cura para a praga dos downloads ilegais?
De nacionalidade sueca, Daniel Ek é hoje conhecido por estar detrás do Spotify mas a verdade é que em tempos passou por outras grandes empresas da Internet, como a própria uTorrent. Isto tudo deriva da sua paixão pelo mundo da tecnologia. Essa mesma paixão foi bem demonstrada aos 14 anos, quando fundou a sua primeira empresa.Em 1999, com apenas 16 anos, o jovem Daniel Ek começava a ganhar dinheiro a partir da construção de websites. Fã ávido de música, começou a formular uma pergunta que o atormentava há algum tempo: Como convencer as pessoas a pagar por música quando a podem descarregar gratuitamente, ainda que de forma ilegal? Não era justo para os artistas que o seu trabalho fosse consumido gratuitamente, mas para os fãs também não era fácil pagar por álbuns novos que saíssem todas as semanas.Na altura em que fazer download ilegal de músicas se começou a tornar uma prática constante, Daniel Ek descobriu a resposta: um sistema baseado em cloud que torne possível o acesso a milhares de milhões de músicas… e de tudo de forma legal. O sistema podia ser suportado por subscritores pagos, com acesso a algumas vantagens. Ainda assim, aqueles que não pudessem pagar poderiam aceder à música gratuitamente, ainda que condicionados por anúncios publicitários.E a verdade é que Daniel Ek acertou. Lançado em Outubro de 2008 em alguns países europeus, o Spotify conseguiu em dois anos criar uma base superior a 10 milhões de utilizadores, dos quais 2.5 milhões eram pagos. Os números mais recentes apontam que, em Janeiro de 2015, o Spotify ultrapassava já os 60 milhões de utilizadores (15 milhões pagos).Deste império musical, Daniel Ek é o detentor de 12 a 14 por cento, segundo revelou em entrevista ao Financial Times.O que é que o Spotify faz com o dinheiro?
Daniel Ek tem lidado recentemente com vários ataques ao seu serviço de streaming, que se encontra disponível em mais de 30 países, entre os quais Portugal. O artista Thom Yorke e o produtor Nigel Godrich, por exemplo, retiraram várias músicas desse serviço de streaming, incluindo o álbum Atoms for Peace e o trabalho a solo The Eraser, por acreditarem que o modelo de negócio deste gigante prejudica os jovens artistas.A cantora country Taylor Swift tornou-se num dos casos polémicos mais recentes, ao retirar a maior parte da sua discografia por não considerar que o seu trabalho estivesse a ser apreciado e devidamente pago.Ao Financial Times, Ek confessou alguma tristeza causada por estes gestos de resistência muito pública à sua visão, admitindo que ‘não se começa uma companhia de música para se ficar obscenamente rico’. O que quer dizer com isto? Daniel Ek explica com números: ‘Pagamos mais de 70 por cento de todo o dinheiro que fazemos, por isso não estamos a roubar a ninguém’.





