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Agnaldo Timóteo canta Cauby Peixoto: quando o aluno emociona o professor

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Agnaldo Timóteo canta Cauby Peixoto: quando o aluno emociona o professor

 

Aos oitenta anos, o romântico Agnaldo Timóteo lança um trabalho impecável. O álbum “Obrigado Cauby” tem um brilho especial, pois nele Timóteo não interpreta Cauby como fazia no início da sua carreira, nos anos cinquenta, quando era chamado para imitar o ídolo nas rádios de Minas Gerais, neste CD ele faz uma homenagem mostrando que as canções do seu professor também pertencem ao seu repertório.

Não é de hoje que ele vem gravando Cauby. Lá nos anos 70, era possível ver uma ou outra regravação de algum antigo sucesso do professor. “A noiva” e “Ninguém é de Ninguém” vem daquela época em que Agnaldo lançava vários sucessos por ano, vendia centenas de milhares de cópias e regravava músicas de seu gosto musical. A amizade entre os dois está registrada em várias gravações em que aparecem cantando juntos.

No DVD de 55 anos de carreira de Cauby, gravado no Olympia em São Paulo, Agnaldo sobre ao palco para cantar “A noiva” com o professor e entregá-lo uma placa com o título de cidadão paulistano. Na ocasião o veterano ficou muito emocionado. Outro registro está no DVD de 60 anos de Cauby, em que os dois cantam “A pérola e o rubi”, “Tarde Fria”, “Sangrando” e “Conceição”.

A última gravação dos dois consta no DVD 50 anos na estrada asfaltada, lançado há dois anos por Timóteo, onde Cauby já demonstra cansaço, mas não deixa de prestigiar o amigo e demonstrar sua admiração e carinho em “Onde ela mora”, “Tarde fria” e “Nono mandamento”. As três músicas fazem parte do tributo, onde a maior parte das músicas remete aos anos 50.

“Loucura”, feita sob medida pela cantora Joanna para o ídolo no seu emblemático álbum de 1980 (Cauby! Cauby!), é uma das grandes surpresas! Ela não fazia parte do repertório rotineiro de Cauby, assim como “Tua presença” (de Carlos Colla) e “Onde ela mora” (de Getúlio Macedo e Lourival Lopes). Foram escolhas de quem conhece muito bem a vasta discografia de Cauby Peixoto.

O repertório foi mui bem selecionado, optando por sair da zona de conforto em certas faixas. Trouxe o clássico “Bastidores” (de Chico Buarque), que ganha uma interpretação única de Agnaldo, mas também trouxe a nada famosa “Foi a Noite” (de Tom Jobim e Newton Teixeira), uma das primeiras composições de Tom Jobim, considerada pelos estudiosos da MPB como uma canção pré-bossa-nova. Outra música pré-bossa-nova que consta no álbum é “Meu sonho é você”, que Cauby regravou ainda nos anos 50 do seu ídolo Dick Farney. Timóteo mostra sutileza ao interpretar uma canção que tem registros de nomes importantes como o interprete original Dick Farney e o próprio Cauby.

“New York, New York” é original de Frank Sinatra, no entanto, no Brasil ela ficou popular e conhecida na interpretação extravagante de Cauby, que não somente soltava a voz melhor que Sinatra (que na época já estava com a voz desgastada), mas também dançava e mostrava que interpretar é também articular as mãos e vestir muito brilho. Agnaldo Timóteo alonga as notas em New York e mostra tudo o que aprendeu com seu professor. Há também a faixa “Conceição”, que traz um dueto com Cauby Peixoto. Este dueto ocorreu em estúdio anos atrás e foi remixado para fazer parte do tributo. Uma faixa que, com certeza, fará os fãs sentirem saudade da voz e do brilho de Cauby.

Neste trabalho gravado com elegantes orquestras de cordas e de metais, Timóteo mostra uma versatilidade que muitas vezes não costuma aparecer em outros trabalhos. Aqui ele canta samba, bossa nova, balada estilo anos 80 e prova como se apropria com maestria de músicas de compositores que não são frequentes em seus discos (como Chico Buarque e Tom Jobim, que só apareceram em um dois discos dos anos 70).

 

Ao lado do trabalho “A força da mulher”, lançado há cinco anos por Timóteo, “Obrigado Cauby” figura como um dos trabalhos mais bem produzidos da carreira do cantor. A produção é novamente assinada por Thiago Marques Luiz, que também produziu os elegantes e bem feitos trabalhos de Cauby Peixoto e Ângela Maria.

“Obrigado Cauby”, sem dúvida alguma, é uma das obras mais refinadas e bonitas da carreira de Agnaldo Timóteo. Timóteo prova, após mais de cinquenta anos de sucessos, que é um dos melhores alunos do eterno professor da MPB. Cauby, certamente, ficaria mais uma vez emocionado com esta demonstração de gratidão do seu amigo! Nota dez!

“CONCEIÇÃO”, Agnaldo Timóteo e Cauby Peixoto (2011)

“A NOIVA”, Cauby Peixoto e Agnaldo Timóteo (2006)

“A PÉROLA E O RUBI”/ “TARDE FRIA”, Cauby Peixoto e Agnaldo Timóteo (2011)

“SANGRANDO”, Agnaldo Rayol, Agnaldo Timóteo e Cauby Peixoto (1999)

“ONDE ELA MORA”, “TARDE FRIA”, “NONO MANDAMENTO”, “BAR DA NOITE”, Agnaldo Timóteo, Cauby Peixoto e Angela Maria (2014)

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Comentários

  • Agnaldo Timoteo
    19 junho, 2017

    Obrigado pelo carinho da matéria.

    • Gonçalo Sousa
      21 junho, 2017

      Muito obrigado nós pelas suas palavras que tanto nos honram! Grande abraço!

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