Garanta já o seu bilhete para a digressão de Brian Wilson!
Mas este texto não se quer uma biografia cronológica dos êxitos dos . Queremos relevar o papel de Brian Wilson como compositor e produtor do som da banda e para isso não podemos contornar a figura de Phil Spector. Até poucos anos antes da formação dos Beach Boys, a figura do produtor era secundária, para não dizer esquecida. As músicas eram gravadas em estúdio pela equipa técnica agregada ao local. Com Phil Spector, tudo mudou. Ele fazia parte da banda Teddy Bears, que teve relativo sucesso com “To Know Him”, em 1958, mas foi como produtor que revolucionou o som dos discos. Naquilo que hoje se conhece como The Wall of Sound, consistia em gravar em mono, colocando todos os instrumentos no mesmo espaço e cruzando diversos microfones, de modo a criar uma espécie de sopa musical, que se multiplicava numa espécie de câmara de eco. Em termos práticos, o som saía mais cheio e os discos gravados por Phil Spector destacavam-se de todos os outros. Brian Wilson abraçou esta ideia, que começou num episódio curioso.Brian Wilson: herdeiro de Phil Spector e musa dos Beatles
Numa tarde solarenga de 1963, estava Brian Wilson a conduzir numa autoestrada californiana, quando ouviu o tema das The Ronettes “Be My Baby”. Esta música havia sido produzida, com recurso ao sistema de Phil Spector e Brian Wilson não queria acreditar. Disse, anos mais tarde, que teve parar o carro ali mesmo, para contemplar aquele som que, até então, não pensou que fosse possível obter com as colunas do carro. A partir daquele momento, o seu objetivo era que os Beach Boys tivessem aquele som.
Emocionalmente instável, Brian Wilson, em 1965, recusou-se a entrar no avião, para começar uma digressão, e optou por ficar em terra, a compor e a produzir em regime de full-time. Quem o substituiu inicialmente foi o baixista Glenn Campbell, músico de estúdio, e, mais tarde, Bruce Johnston. Em estúdio, recebeu os músicos de Phil Spector, The Wrecking Crew, com quem começou a trabalhar e a tornar o som dos cada vez mais ambicioso, como se pode verificar ainda no mesmo ano, com o tema “California Girls”.Em 1966, os Beach Boys lançam o seu álbum icónico – Pet Sounds -, que acaba por ser um disco conceptual, na medida em que o todo vale mais do que os temas por si sós, um pouco à semelhança do Rubber Soul, dos Beatles, lançado no ano anterior. Aliás, Beatles e Beach Boys disputavam o mesmo público e tinham a mesma editora em solo americano – a Capitol Records -, e assistimos ao lançamento de discos dos Beach Boys a seguir aos dos Beatles, como se de uma competição se tratasse, cada vez mais complexos, cada vez melhores. Depois de Rubber Soul e Pet Sounds, os Beatles lançaram Revolver e os Beach Boys responderam com Good Vibrations.Naquilo que parecia ser um caminho a reboque dos Beatles, Brian Wilson anunciou o lançamento de Smile, para Janeiro de 1967, para antes do Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band dos Beatles mas, devido a problemas internos, o disco foi adiado para Maio e saiu em Agosto, já depois do dos Beatles e com o título Smiley Smile, inacabado e diferente do conceito original.
Os Beach Boys entraram então numa espiral descendente de sucesso e inovação, mas Paul McCartney e o produtor George Martin relevaram a importância de Pet Sounds como álbum seminal da conceptualidade e que serviu de inspiração para o Sgt. Pepper’s… Brian Wilson foi um visionário e mereceu não ser multado por parar na autoestrada.





