Há uma coisa que aprendi depois de anos a instalar, testar e desinstalar plugins: a maioria das novidades melhora o workflow. Muito poucas mudam a forma como pensas a música. E, curiosamente, os dois ou três momentos em que senti mesmo o chão a mexer nos últimos anos tiveram todos o mesmo nome no canto do ecrã — Dreamtonics.
Primeiro foi o Synthesizer V Studio 2 Pro, que me obrigou a rever tudo o que eu achava sobre síntese vocal. Depois foi o Vocoflex, que fez à transformação da voz o que o Melodyne fez à afinação. Agora chega o Instrument X, e a lógica é exatamente a mesma: pegar numa área onde toda a indústria fazia a mesma coisa há vinte anos e perguntar “e se não fosse preciso fazer assim?”.
A área, desta vez, é a orquestração. E confesso que, quando li o comunicado pela primeira vez, a minha reação foi de ceticismo puro. Modelação física de instrumentos acústicos é uma promessa que já ouvi muitas vezes — e que quase sempre acaba num violino que soa a sintetizador com vibrato. Tive acesso de avaliação (NFR) ao Instrument X — The Complete Collection 2026, ou seja, motor mais as 15 expansões, e passei as últimas semanas a tentar apanhá-lo em falso.
Não consegui. Pelo menos, não da forma que esperava.
O que é o Instrument X (e porque não é mais uma biblioteca de samples)
Vamos ao essencial, porque isto é o coração de tudo.

Uma biblioteca de samples tradicional funciona por gravação e reprodução. Alguém foi a um estúdio, gravou um violinista a tocar um Dó em staccato, um Dó em legato, um Dó em pianissimo, um Dó em fortissimo, e por aí fora — milhares de gravações, dezenas ou centenas de gigabytes. Quando tocas uma nota, o software escolhe o ficheiro mais próximo do que pediste e reproduz. É por isso que essas bibliotecas ocupam o disco todo e é por isso que existem os keyswitches: precisas de dizer ao software qual gaveta abrir.
O Instrument X não tem gavetas. É uma plataforma de Neural Acoustics Modeling — modelação neural-acústica — que traduz a notação diretamente em radiação sonora. Não há ficheiro nenhum a ser reproduzido. Há um modelo a calcular, em tempo real, como é que aquele arco, com aquela pressão, naquele ponto da corda, dentro daquela sala, produz aquela onda sonora.
Na prática, isto significa três coisas que sentes logo no primeiro dia:
- O disco agradece — e não é pouco. Cada expansão ocupa 160 MB. Leste bem: megabytes. As 15 expansões todas, a coleção completa, ficam-se por cerca de 2,4 GB. Para teres a noção do que isto significa, a BBC Symphony Orchestra Core da Spitfire pede 28 GB e a versão Professional pede 632 GB de espaço em disco na instalação. Estamos a falar de uma diferença de mais de 250 vezes face à Core, e de mais de duas centenas de vezes face à Professional. Não é uma otimização — é outra categoria de software.
- Não precisas de GPU dedicada. Corre 100% localmente, num portátil normal, sem ligação à internet e sem placa gráfica de gamer. Os requisitos oficiais são modestos: Windows 11 ou macOS 11 e superior, um Intel Core i3-8100 / AMD Ryzen 5 1600 / Apple Silicon M1 ou mais recente, e 8 GB de RAM. Testei em viagem, com o portátil na bateria, e funcionou.
- Os tempos de carregamento deixam de ser um tema. Abrir um projeto com quatro secções de cordas é instantâneo. Quem já esperou três minutos para um template orquestral carregar sabe exatamente o alívio de que estou a falar.
Mas o mais importante não é nada disto. O mais importante é que, quando não há amostras fixas, deixa de haver limites naquilo que podes pedir ao instrumento.
A ciência por trás disto (explicada sem doutoramento)
Vale a pena perceber isto, porque explica porque é que ninguém tinha feito antes.

O grande problema da modelação neural em áudio orquestral não é gerar o som do instrumento — isso, segundo a própria Dreamtonics, é a parte fácil. O problema é a sala. Uma orquestra não soa a orquestra por causa dos instrumentos; soa por causa da forma como o som viaja, reflete e chega a múltiplos microfones ao mesmo tempo, com coerência de fase entre eles. É por isso que as bibliotecas de topo gravam em Air Studios ou em Sofia: estás a comprar a sala tanto quanto os músicos.
Redes neurais tradicionais partem-se aqui. Quando geram vários canais de microfone em simultâneo, a fase desalinha-se e o resultado torna-se um borrão sem foco.
A solução da Dreamtonics — com patente pendente — passou por medir a geometria acústica do estúdio com uma coluna dodecaédrica construída de propósito para o efeito, e treinar redes neurais físico-aumentadas capazes de separar a acústica direcional da sala da fonte sonora seca. Traduzindo: o motor sabe distinguir o violino da sala onde o violino está, e consegue recombinar as duas coisas coerentemente em tempo real.
É por isso que os canais de microfone — entre 8 e 11, consoante a expansão — funcionam sem se destruírem uns aos outros. E é essa, para mim, a verdadeira proeza técnica aqui: não a modelação do instrumento, mas a modelação do espaço.
Há um detalhe que faço questão de sublinhar, porque é o tipo de coisa que costumo procurar antes de recomendar seja o que for: todo o material de treino vem de gravações eticamente licenciadas de músicos de sessão profissionais. Não é áudio raspado da internet. E, ao contrário do que muita gente assume quando lê “IA”, o Instrument X não compõe nada — a rede neuronal modela a acústica e a expressão de instrumentos reais, mas cada nota, cada frase e cada decisão musical continuam a ser tuas. É exatamente a mesma linha que a Dreamtonics já tinha traçado no Synthesizer V, e continua a ser a razão pela qual me sinto confortável a usar estas ferramentas.
Editor de articulações unificado: o fim dos keyswitches
Esta é a funcionalidade que me fez sorrir sozinho em frente ao ecrã.

Toda a gente que já fez uma mockup orquestral conhece a dança dos keyswitches: mapas de teclas decoradas, folhas de referência abertas ao lado, notas fantasma no fundo do piano roll que ninguém ouve mas que definem se aquela frase é staccato ou legato. É trabalho de contabilidade disfarçado de composição.
No Instrument X tudo acontece num único editor. Escolhes a articulação por nota, ou deixas o Smart Articulation decidir com base na altura e na duração das notas — e, honestamente, na maior parte dos esboços o modo automático acerta. Escrevi uma linha de cordas rápida sem tocar em nada e o motor percebeu sozinho onde queria destacado e onde queria ligado.
Mas a parte verdadeiramente nova é outra: podes empilhar articulações na mesma nota. Um tremolo com um acento seco por cima. Col legno combinado com sul ponticello. Uma surdina de trompete a receber um fall expressivo. Numa biblioteca de samples isto é simplesmente impossível — ou existe uma gravação dessa combinação, ou não existe. Aqui não há gravação nenhuma; há um modelo físico que aceita instruções sobrepostas e calcula o resultado.
Passei uma tarde inteira só a inventar combinações absurdas para ver onde é que aquilo partia. Partiu poucas vezes. E, quando partiu, soou a sound design interessante em vez de soar a erro.
O painel de dinâmica: quando o volume deixa de ser só volume
Aqui está outra diferença conceptual que só percebes quando ouves.

Nas bibliotecas tradicionais, a dinâmica costuma ser feita por crossfade entre camadas gravadas em intensidades diferentes. Funciona, mas é uma aproximação: estás a misturar duas fotografias para simular movimento.
No Instrument X, mexer na curva de dinâmica não altera o ganho. Altera o timbre físico — a fricção do arco na corda, a saturação harmónica, a resposta cinética do instrumento. Um violoncelo em pianissimo não é um violoncelo em forte com o volume em baixo; é um instrumento a ser tocado de outra maneira, com outro conteúdo harmónico e outro ataque.
O painel mapeia dinâmicas automaticamente ao longo do arranjo com base na altura, duração e fluxo da frase, e depois deixa-te sobrepor tudo manualmente numa lane dedicada. Uso quase sempre o automático como ponto de partida e corrijo dois ou três momentos. Poupa horas.
AI Performance Retakes: o botão do “e se fosse assim?”
Esta funcionalidade é aquela que eu não sabia que queria.

Selecionas uma frase e pedes uma nova take. O motor gera uma interpretação alternativa — orgânica, humana, ligeiramente diferente. Podes fazer re-roll a uma secção inteira ou apontar apenas a vetores específicos: drift de carácter tímbrico, curvas de micro-afinação, intensidade cinética.
É exatamente o que fazes num estúdio real quando pedes ao músico “toca outra vez, mas com mais raiva”. A diferença é que aqui pedes vinte vezes e não tens de pagar hora extra a ninguém.
Duas notas honestas sobre isto: nem todas as takes são boas — diria que uma em cada três me serve de imediato — e é fácil cair na armadilha de andar a rolar dados em vez de tomar decisões musicais. É uma ferramenta contra o bloqueio criativo, não um substituto de critério.
Polifonia avançada e escala infinita
Detalhe pequeno na descrição, enorme na prática: notas sobrepostas não se cortam.

Quem escreve harmonia densa ou contraponto dentro de uma só faixa conhece o problema — a nota anterior morre a meio para dar lugar à seguinte, e aquele acorde que devia respirar fica truncado. No Instrument X, cada nota sobreposta é renderizada como uma voz completamente separada. Consegues escrever divisi, acordes evolutivos e linhas contrapontísticas dentro do mesmo editor sem andar a duplicar faixas só para contornar limitações técnicas.
O painel de microfones: uma sala de gravação inteira nas tuas mãos
Entre 8 e 11 canais em simultâneo, conforme o instrumento: spot mics hiper-detalhados, Decca tree, pares estéreo de ambiente de sala.

Se vens do mundo das bibliotecas de samples, isto vai parecer-te familiar — muitas oferecem posições de microfone. A diferença é que aqui não estás a misturar gravações diferentes do mesmo take; estás a reconstruir o campo sonoro. Aproximar o spot não te dá “a versão próxima gravada”; dá-te literalmente o instrumento visto de mais perto dentro do modelo acústico.
Na mistura isto nota-se logo: podes ter cordas íntimas e metais distantes na mesma peça sem que os espaços entrem em conflito. E não perdes definição quando somas canais, porque a coerência de fase se mantém.
Os 15 instrumentos que vêm na caixa
Três coleções, quinze expansões:

Cordas Orquestrais — Violino, Viola, Violoncelo e Contrabaixo. Pensadas para legato fluido, swells cinematográficos e ajustes contínuos de micro-afinação no arco. Inclui micro-edição de respirações, trilos de intervalo maior e menor, tremolos, falls, portamentos, harmónicos, e ainda pizzicato, col legno, sul ponticello e sul tasto. A surdina con sordino está modelada fisicamente, não simulada com filtros.
Sopros de Madeira — Flauta, Piccolo, Oboé, Clarinete em Lá e Fagote. Aqui a dinâmica de respiração é o ponto forte, com transições de registo verdadeiras. Inclui gatilhos de inspiração, trilos, falls expressivos (clarinete e fagote) e harmónicos nativos na flauta.
Metais — Trompete (Si bemol), Trombone, Trompa e Tuba. Respiração modelada em todas as secções, trilos e tremolos de trompete, portamento de trombone e notas stopped na trompa. Trompete e trombone trazem modelação completa de surdinas straight, cup e harmon.
E há dois convidados que quase toda a cobertura da imprensa deixou de fora, mas que a Dreamtonics incluiu no lote de lançamento: Saxofone Alto Jazz 1 e Saxofone Tenor Jazz 1. São eles que fecham a conta dos quinze (4 cordas + 5 madeiras + 4 metais + 2 saxofones). É uma escolha curiosa — e reveladora. Diz-me que a Dreamtonics não está a pensar apenas em compositores de banda sonora, mas também em quem faz pop, jazz e produção moderna. E, honestamente, os saxofones foram a surpresa mais agradável do pacote todo: aquele registo entre o sopro e a nota, onde quase todas as bibliotecas de samples soam a plástico, aqui está lá.
A minha opinião sincera sobre este alinhamento: é um kit competente e coerente, mas é claramente uma primeira geração. Falta percussão, falta harpa, falta coro (embora aí já tenhas as Choir Voice Collections do lado do Synthesizer V). E, sobretudo, há um único exemplar por naipe: um violino, uma viola, um violoncelo. Não há segundos violinos, não há divisi real, não vais montar uma orquestra completa de 60 elementos só com isto.
MusicXML: a ponte com o Sibelius, o Finale e o Dorico
Esta funcionalidade não vinha destacada em lado nenhum e, para mim, é das mais úteis de todas.

O Instrument X aceita importação de MusicXML. Ou seja: escreves a partitura no Sibelius, no Finale, no Dorico ou em qualquer software que exporte neste formato, importas, e o Instrument X preserva andamentos, compassos, articulações e dinâmicas — tudo traduzido diretamente em dados de performance.
Quem vem do mundo da notação sabe o valor disto. A alternativa habitual é exportar MIDI, perder metade da informação expressiva pelo caminho, e reconstruir tudo à mão no DAW. Aqui a partitura chega inteira.
Os cinco estilos de performance
Herdado diretamente do ADN do Synthesizer V, cada instrumento traz cinco instruções globais de interpretação: Adagio (expressivo, para linhas lentas e amplas), Allegro (enérgico e ágil), con Fuoco (intenso e agressivo, para blocos de tensão), Pop (moderno, comercial, rítmico) e Ballade (suave e sem pressa, para acompanhamentos delicados).
Parece um detalhe cosmético e não é. Mudar de Adagio para con Fuoco na mesma sequência de notas dá-te duas peças diferentes. É a mesma lógica dos singing styles do Synthesizer V, aplicada ao instrumento acústico.
A trilogia fecha-se: integração com Synthesizer V e Vocoflex
O Instrument X integra-se por plugin com o Synthesizer V Studio 2 Pro e com o Vocoflex, usando exatamente o mesmo workflow. Quem já trabalha com vozes sintéticas não precisa de aprender nada de novo: a lógica de parâmetros, curvas e edição por nota é a mesma. A ligação ao DAW pode fazer-se como plugin normal ou em modo ARA, e o manual oficial documenta a configuração dos dois cenários.
E é aqui que a coisa fica interessante para quem, como eu, já usa este ecossistema. Consigo escrever a linha vocal no Synthesizer V, moldar o carácter da voz no Vocoflex, e agora orquestrar o acompanhamento no Instrument X — tudo com a mesma gramática de edição. Deixou de haver a fronteira mental entre “a parte das vozes” e “a parte dos instrumentos”.
Kanru Hua, fundador e CEO da Dreamtonics, explica bem porque é que optaram por manter isto como três produtos separados em vez de um só:
“Muitos utilizadores pediram-nos para trazer instrumentos musicais para o nosso ecossistema. Concluímos que, em vez de sobrecarregar um único espaço de trabalho, o Instrument X devia existir como uma plataforma distinta e dedicada, ao lado do Synthesizer V e do Vocoflex — completando a nossa trilogia. Acredito firmemente que cada produto Dreamtonics tem de ser profundamente especializado no seu domínio.”
E acrescenta algo que acho revelador sobre o que é realmente difícil neste tipo de tecnologia:
“Embora possa parecer incrivelmente difícil transcender as limitações estáticas da reprodução de samples para chegar a uma performance fluida e orgânica, a síntese ‘baseada em IA’ é na verdade a parte simples. O verdadeiro desafio está em personalizar profundamente esta tecnologia para satisfazer as exigências rigorosas de compositores e produtores profissionais.”
Concordo com a decisão de separar os produtos. Já vi software musical a morrer de obesidade — a tentar ser tudo e a acabar por ser confuso em tudo. Manter três ferramentas especializadas com a mesma filosofia de controlo cirúrgico é a escolha certa, mesmo que signifique três compras em vez de uma.
Comparação com a concorrência
Aqui é preciso ser honesto e dividir o campo em dois.

Contra as bibliotecas de samples de topo — Spitfire Audio, Orchestral Tools, Vienna Symphonic Library, EastWest, Cinesamples. Estas continuam a ganhar em duas coisas: dimensão do alinhamento (secções completas, divisi, percussão, coros, instrumentos exóticos) e naquele peso “gravado numa sala grande com muita gente” que é difícil de replicar. Se precisas de um tutti de 60 cordas em Air Studios para um trailer, elas ainda são o caminho.
Mas perdem em tudo o resto, e no espaço em disco perdem de forma quase constrangedora. Os números falam por si:
| Espaço em disco | |
|---|---|
| Instrument X — 1 expansão | 160 MB |
| Instrument X — as 15 expansões | ~2,4 GB |
| Spitfire BBC Symphony Orchestra Core | 28 GB |
| Spitfire BBC Symphony Orchestra Professional | 632 GB |
Podes instalar o Instrument X completo — orquestra inteira, quinze instrumentos — em menos de um décimo do espaço que a versão mais pequena da BBCSO ocupa. Junta a isso os tempos de carregamento, a flexibilidade de articulações e — sobretudo — a impossibilidade estrutural de uma biblioteca de samples te dar o que não foi gravado, e percebes onde está a vantagem.
Contra a modelação física — e aqui a comparação óbvia é a Audio Modeling com a série SWAM, ou o trabalho da Sample Modeling. Estes já resolveram há anos o problema da expressividade contínua e da leveza. A diferença do Instrument X está em dois pontos: primeiro, a componente neural traz um realismo tímbrico que a modelação puramente física nunca conseguiu (os SWAM são fantásticos a responder ao controlador, mas soam quase sempre a “instrumento modelado”); segundo, e mais importante, os SWAM não têm sala. São instrumentos secos que tens de espacializar tu. O Instrument X traz a acústica modelada com 11 microfones.
Há ainda o argumento do controlador. Os SWAM brilham quando os tocas com breath controller ou pedal de expressão em tempo real. O Instrument X é pensado sobretudo para escrita — notação, curvas, edição por nota. São filosofias diferentes: um é para tocar, o outro é para escrever.
Se andas à procura de mais alternativas neste território, tenho uma seleção organizada na página de VST Plugins, e vale a pena espreitar também o que a Dreamtonics fez com o Starry Court e o Tone Chroma — dá para perceber a coerência de pensamento da casa.
Preços e modelos de compra
O modelo é simples e, na minha opinião, bem pensado: o motor é gratuito com a compra de qualquer expansão. Não pagas pela plataforma, pagas pelos instrumentos.
- Expansão individual: 99 dólares
- Orchestral Strings Collection (4 instrumentos): 249 dólares
- Orchestral Brass Collection (4 instrumentos): 249 dólares
- Orchestral Woodwinds Collection (5 instrumentos): 279 dólares
- Orchestral Essentials (8 instrumentos fixos: Violino, Viola, Violoncelo, Contrabaixo, Flauta, Oboé, Trompete e Trompa): 349 dólares
- The Complete Collection 2026: 649 dólares — motor mais as 15 expansões, contra um preço de tabela de 1.485 dólares
Há ainda os packs personalizados Pick & Mix, exclusivos da loja Dreamtonics, em que escolhes os instrumentos que quiseres e o desconto sobe conforme a quantidade:
| Pack | Tabela | Preço | Desconto |
|---|---|---|---|
| Duo (2 instrumentos) | 198 $ | 159 $ | 20% |
| Trio (3) | 297 $ | 219 $ | 25% |
| Quarteto (4) | 396 $ | 279 $ | 30% |
| 5 instrumentos | 495 $ | 319 $ | 35% |
| 6 instrumentos | 594 $ | 349 $ | 40% |
| 7 instrumentos | 693 $ | 379 $ | 45% |
| Secção completa (8) | 792 $ | 399 $ | 50% |
Há ainda dois bundles cruzados, exclusivos da loja Dreamtonics, para quem quer entrar no ecossistema completo:
- Producer’s Bundle (229 dólares): Synthesizer V Studio 2 Pro + 1 voz, e Instrument X + 1 expansão
- Trilogy Bundle (499 dólares): Synthesizer V Studio 2 Pro, Instrument X, Vocoflex, 2 vozes e 2 expansões
Para experimentar antes de decidir: 14 dias de trial gratuito, tanto para o motor como para cada expansão, ativáveis diretamente no painel Product Manager dentro do software. As únicas limitações do período experimental são um teto de 150 notas por grupo e a impossibilidade de exportar áudio — chega perfeitamente para perceberes se isto é para ti, mas não para despachares um trabalho à borla.
A minha leitura: 99 dólares por instrumento é um preço justo quando comparado com o que se paga por bibliotecas equivalentes. O Complete Collection a 649 dólares é, francamente, agressivo — muitas bibliotecas orquestrais completas custam mais do que isso só na secção de cordas. E o Trilogy Bundle a 499 dólares é a melhor porta de entrada que a Dreamtonics já teve, se ainda não tens nada da casa.
Uma nota prática: se souberes exatamente que instrumentos queres, o Pick & Mix costuma sair-te melhor do que a coleção temática. Quatro instrumentos à tua escolha ficam por 279 dólares; a coleção de cordas fechada custa 249 dólares mas obriga-te aos quatro que a Dreamtonics escolheu. Faz as contas antes de carregar no botão.
O que não gostei
Não seria honesto se ficasse por aqui, por isso vamos aos senões — e há alguns.
O alinhamento é curto. Quinze instrumentos com um único exemplar por naipe, sem percussão e sem harpa. Não montas uma orquestra completa. Serve para mockups, para camadas, para música de câmara, para pop e para eletrónica com textura acústica — mas se o teu trabalho é score sinfónico de grande escala, vais continuar a precisar da tua biblioteca principal ao lado.
Não substitui o peso do ensemble. Um violino modelado é convincente. Dezasseis violinos modelados a partir do mesmo modelo continuam a ter aquela uniformidade que denuncia a origem. As pequenas imperfeições e desalinhamentos de uma secção real são exatamente o que dá o “grande”. Duplicar faixas com variações ajuda, mas não engana ouvidos treinados.
As AI Retakes exigem paciência. Como disse acima, nem toda a take gerada é aproveitável. E há o risco real de te distraíres a gerar variações em vez de compores.
Sem sala, não há plano B. A acústica modelada é excelente, mas está lá. Se quiseres um som verdadeiramente seco para tratar tudo com o teu próprio reverb, tens menos margem do que com um SWAM.
É mais um produto separado. Concordo com a decisão do Kanru Hua, mas isso não muda o facto de que quem quer o ecossistema completo acaba com três licenças e três compras. Os bundles atenuam, não resolvem.
Falta ver a evolução do CPU. Com quatro ou cinco instâncias tudo corre bem no meu portátil. Não testei um arranjo de trinta faixas modeladas em simultâneo — e é aí que a modelação em tempo real costuma cobrar a fatura. Fica a nota para quem trabalha em projetos grandes.
Para quem faz sentido (e para quem não faz)
Faz muito sentido para compositores que fazem mockups e maquetes e precisam de rapidez e expressividade sem 500 GB no disco; para produtores de pop, eletrónica ou hip-hop que querem cordas e sopros orgânicos numa faixa sem virarem especialistas em orquestração; para quem trabalha em portátil, em viagem, ou sem máquina de topo; para sound designers que querem articulações impossíveis; e para quem já vive dentro do ecossistema Dreamtonics.
Faz menos sentido para quem faz score orquestral de grande escala com ensembles completos; para quem já investiu milhares numa biblioteca de referência e a domina; e para quem toca em tempo real com breath controller e prefere a resposta imediata da modelação física pura.
Conclusão: a Dreamtonics fez outra vez
Reparei numa coisa ao escrever este artigo. Nas três reviews que fiz a produtos desta empresa, comecei sempre desconfiado e acabei sempre rendido. Não é coincidência — é um padrão de quem trabalha em tecnologia genuinamente nova em vez de repetir a receita da concorrência com uma interface mais bonita.

O Instrument X não é a biblioteca orquestral definitiva e não vai reformar a Spitfire nem a VSL. Não é essa a ambição, e quem comprar à espera disso vai ficar desiludido. O que ele é — e isto sim é notável — é a prova de que existe um caminho alternativo ao paradigma dos samples que domina a produção musical há duas décadas. Um caminho mais leve, mais flexível, e sobretudo mais musical no sentido literal: podes pedir coisas que nunca foram gravadas.
Depois da síntese vocal com o Synthesizer V e da transformação vocal com o Vocoflex, a Dreamtonics acaba de fazer o mesmo à instrumentação. Três domínios, três reinvenções, a mesma filosofia: controlo cirúrgico sobre cada nuance, e a decisão musical sempre do lado de quem cria.
Se tiveres curiosidade, o trial de 14 dias não te custa nada e diz-te tudo. Foi assim que eu comecei. E, ao fim de duas semanas, já não estava a testar — estava a compor.
Página oficial: dreamtonics.com/instrument-x
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