Há grupos de que se gosta e há grupos que se habitam. Os BTS, para mim, são do segundo tipo — uma espécie de segunda casa, daquelas a que se volta sempre, independentemente do que mudou lá fora. E se tivesse de escolher a divisão dessa casa onde me sinto mais em paz, seria The Most Beautiful Moment in Life Pt.2.
Lançado a 30 de novembro de 2015, este quarto mini-álbum (화양연화 Pt.2) é o coração da chamada trilogia da juventude dos BTS — a fase em que sete rapazes na fronteira dos vinte anos cantavam o medo, a pressa e a beleza incerta de crescer. É um disco sobre correr sem saber para onde, e talvez seja por isso que continua a tocar tantos anos depois.
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Porque é que os BTS não são só “mais um grupo”
Dizer que os BTS são o melhor grupo de K-Pop é, claro, uma opinião — e quem defender outro nome tem todo o direito. Mas há uma diferença que torna a afirmação menos gratuita do que parece: os BTS escrevem e produzem grande parte da própria música. Não são intérpretes de um produto montado por terceiros; são autores. Soma-se a isso a longevidade rara num género que descarta grupos à velocidade da luz, e o impacto cultural que os levou a sítios onde nenhum grupo de K-Pop tinha chegado. Pode não ser o melhor para toda a gente — mas é dos poucos cuja grandeza não depende só do gosto de quem ouve.

“Ma City”: a faixa que não era para brilhar e brilha
A melhor música do disco, para mim, não é o single. É a Ma City. E essa escolha diz tudo sobre o que torna este álbum especial.
A Ma City é uma faixa de hip-hop em que os membros rappam sobre as suas cidades natais — uma declaração de orgulho e de pertença. É das músicas em que os BTS deixam cair a fórmula pop e mostram de onde vêm, literalmente. A linha do J-Hope sobre Gwangju, carregada de subtexto, é o tipo de detalhe que um ouvinte casual deixa passar mas que um fã de longa data sente no peito. Não foi feita para ser single nem para tocar nas rádios — e talvez seja exatamente por isso que envelheceu tão bem. Escolher a Ma City como melhor faixa não é a escolha óbvia. É a escolha de quem ouviu o disco inteiro e percebeu onde está a alma dele.
“Run”: o videoclipe que ficou
E depois há o Run. Para mim, o melhor videoclipe dos BTS — não pela produção mais polida que viria depois, mas pela carga emocional. Faz parte do universo narrativo da trilogia, com os sete membros em cena, e tem aquela melancolia juvenil que define toda a era. Revê-lo, hoje, é um exercício de nostalgia para quem os acompanha desde 2015. É voltar ao princípio e perceber o quanto cresceram — eles e quem os seguiu.
Jungkook, o favorito entre favoritos
Gosto dos sete. Mas há um por quem tenho um carinho maior: o Jeon Jungkook, o vocalista principal do grupo. Faz-me rir com qualquer coisa, e é, de todas as pessoas, aquela em quem mais me revejo. Há biases que se explicam pela voz ou pelo palco; o meu explica-se por identificação. É difícil pôr em palavras porque é que nos ligamos mais a um membro do que a outro — simplesmente acontece, e com o Jungkook aconteceu.

Veredicto
O The Most Beautiful Moment in Life Pt.2 não é o disco mais ambicioso dos BTS nem o mais virtuoso tecnicamente — esse título pertence a trabalhos posteriores. Mas é, talvez, o mais honesto. É o som de um grupo ainda a correr sem rede, a cantar a juventude enquanto ainda a vivia. E para quem esteve lá desde o início, é a prova de que algumas casas, por mais que mudemos, continuam a saber sempre a casa.
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