As aespa são o meu quarto grupo favorito — e, ainda assim, são das que mais vontade me dão de ver ao vivo. Há grupos que se admira à distância e grupos que se quer experimentar em sala, com o som a bater no peito. As aespa, para mim, são claramente do segundo tipo. E se houvesse um disco que resumisse porquê, seria o Drama.
Lançado a 10 de novembro de 2023, o Drama é o quarto mini-álbum do grupo e um dos seus trabalhos mais coesos. Seis faixas que esticam o universo conceptual das aespa para lá do electro-pop habitual, mostrando um lado vocalmente mais maduro sem abandonar a atitude girl crush que as define. É um EP curto, mas que sabe exatamente o que quer ser.

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“Drama”: a faixa que culmina numa bridge inesquecível
A minha música favorita do disco é, sem hesitar, a própria Drama. Sim, é a faixa-título — mas neste caso a escolha não é preguiça, é mérito da canção. A Drama é um banger de hip-hop sintético sobre a confiança de ser aespa, cheio de viragens de produção que a mantêm imprevisível do início ao fim.
E depois há a bridge. O momento em que a Winter solta aquele high note que ficou, com toda a justiça, para a história. É o tipo de clímax vocal que faz a música inteira valer a pena — daqueles que arrepiam à primeira e continuam a arrepiar à centésima vez. Num género em que tanta coisa soa processada e segura, ouvir uma voz a esticar-se até ali, ao vivo no registo, é a prova de que por trás do conceito futurista há talento real.
Karina, a minha favorita
Gosto das quatro, mas a Karina é a minha favorita. É uma daquelas presenças que, por mais que se tente racionalizar, acaba por se impor pela emoção: vê-la deixa-me genuinamente feliz, e há um lugar especial que ela ocupa para mim e que dificilmente caberia em palavras. Às vezes um bias não se explica por uma qualidade concreta — explica-se pela ligação. E com a Karina, essa ligação é das mais fortes que tenho no grupo.
O elogio com reparo: e se subissem a fasquia na dança?
Aqui vai a parte em que não me limito a aplaudir. As aespa são, sem dúvida, um ótimo grupo no capítulo vocal — talvez das melhores da sua geração nesse aspeto. Mas, na minha opinião, falta-lhes dar um passo na dança. As coreografias, comparadas com a exigência vocal que elas dominam, ficam por vezes aquém do potencial óbvio destas raparigas.
E é precisamente por acreditar nelas que faço esta crítica. Não é falta de talento — é margem por explorar. Um grupo que canta a este nível e tem este conceito merecia coreografias à altura, mais difíceis, mais arrojadas, que obrigassem o público a render-se também ao que fazem com o corpo, e não só com a voz. O potencial está todo lá. Falta usá-lo por inteiro.

Veredicto
O Drama confirma o que as aespa fazem melhor: vocais fortes, conceito sólido e momentos que ficam (essa bridge, acima de tudo). É um disco que se ouve de uma ponta à outra sem saltar faixas — e que, ao vivo, deve ser ainda melhor. Se há um “mas”, é o mesmo de sempre: este é um grupo com potencial para mais do que aquilo que, por enquanto, se permite mostrar. E talvez seja essa a melhor notícia — porque significa que o melhor das aespa ainda está para chegar.
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