
Em Portugal, a música de intervenção está impreterivelmente ligada a abril e ao período que antecedeu a revolução. Mas o fenómeno não é exclusivamente português, muito pelo contrário. Neste artigo, falamos-lhe de Pete Seeger, um dos pioneiros da música de protesto que, através do folk, deu voz a causas políticas e sociais. Afinal, quem não se lembra de Turn, Turn Turn ou de Little Boxes, de Malvina Reynolds, na versão deste músico ativista?Homem de causas num mundo que ainda não era globalizado, Pete Seeger nasceu a 3 de maio de 1919, na cidade de Nova Iorque. O pai era professor na Universidade da Califórnia; a mãe dava aulas de violino na prestigiada Julliard School. Como Pete, também os irmãos viriam a se tornar artistas: o irmão foi membro dos New Lost City Ramblers e a irmã tocou com Ewan MAcColl.Em 28 de janeiro 2014, um dia após a morte do cantor, o The Guardian escreveu: “Seeger nasceu num meio privilegiado, mas não convencional”. A frase não podia ter sido melhor escolhida, já que a infância e a juventude de Pete foram marcadas por uma grande abertura a ideias de liberdade, paz e intervenção política.Depois de estudar no internato de Avon Old Farms, onde tocava para os colegas, o artista precoce entrou na Universidade de Harvard. Estávamos então em 1936, altura em que conseguira uma bolsa de estudo que acabou por perder por chumbar num exame.Como resultado, Pete Seeger deixou os estudos para levar uma vida errante: até ao final dos anos 30, andou à boleia pelos Estados Unidos da América, até que em 1940 decidiu reunir um quarteto de músicos, chamado os Almanac Singers.
