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Morreu o Zé Pedro. Morrem também os Xutos & Pontapés.

Morreu o Zé Pedro. Morrem também os Xutos & Pontapés.

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É com enorme tristeza e com a alma desfalecida que o digo. Primeiro, e acima de tudo, pela perda humana. Depois, pela perda músico-institucional. Sim, porque os Xutos – apesar de no boom da Música Moderna Portuguesa não terem tido os holofotes em cima como outras bandas, surgindo até como algo quase marginal no movimento – são, já há muito, uma instituição deste Portugal que se quer, cada vez mais, moderno e progressista.

Mas estas enormes perdas não fazem desaparecer o(s) legado(s) do Zé Pedro e dos Xutos. E isso é o mais importante.

E morrem também os Xutos & Pontapés porquê?

Um olhar descuidado levar-nos-ia a pensar que não será bem assim, até porque o Zé Pedro era guitarra ritmo nos Xutos, posto que “facilmente” poderia ser ocupado por um bom instrumentista que, no limite, “imitasse” o antecessor.

Sim, até poderia ser, mas alguém imagina um concerto dos Xutos sem o Zé Pedro em palco?

E o sorriso rasgado e sincero que irradiava rock’n’roll e que parecia chamar-nos, onde o encontraríamos?

E diria o mesmo caso fosse o Kalú, o Tim ou até o João Cabeleira ou o Gui (Vá, deixem-se cá estar por muito tempo que fazem muita falta!). Tim tem do seu lado o facto de ser vocalista, sem dúvida o posto mais difícil (senão impossível) de render numa banda, apesar de ele mesmo ter rendido o primeiro vocalista dos Xutos. Sim, mas as presenças de Zé Leonel (voz) e também a do guitarrista Francis são muito precoces e antecederam o momento de viragem na ascensão da banda e que a levou a angariar a maior legião de fãs que uma banda alguma vez teve entre nós, tugas.

Seria, provavelmente, «fácil» substituir o(s) instrumentista(s) nos Xutos & Pontapés, mas é impossível substituir a(s) alma(s) de uma banda da dimensão dos autores de «Homem do Leme» – esta minha referência não é casual, porque o «Homem do Leme» é, muito provavelmente, a minha música preferida dos Xutos. Aliás, sei-a de cor, o que não acontece com as letras que escrevi e em tempos, também por influência dos Xutos & Pontapés, cantei com as bandas que formei.

 

A música dos Xutos & Pontapés é, indubitavelmente, a banda-sonora da vida de muita gente. Muita gente até que nem aprecia o rock (mais abrasivo) e que, seguramente, não encaixa alguns dos primeiros temas da banda. Mas essa é a grandeza da banda que Zé Pedro, Kalú, Tim e Zé Leonel formaram em 1978, tinha este vosso devoto escriba 10 anos de idade.

Sim, sou um dos privilegiados que ao longo de toda vida puderam beber do som dos Xutos. Bem, beber e também apanhar enormes bebedeiras de rock, cantado em Português e de fina acuidade social.

Morreu o Zé Pedro. Morrem também os Xutos & Pontapés. Fica o legado para nós e para as gerações futuras. E que legado!…

ZÉ PEDRO (1956-2017)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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