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The Young Gods: Rock industrial envelhecido em barricas de carvalho francês

The Young Gods: Rock industrial envelhecido em barricas de carvalho francês

  

São como aqueles bons vinhos (fica à vossa escolha qual o vinho!), envelhecidos em barricas de carvalho (que, no caso, até fala) francês… Um must!

The Young Gods apresentaram-se no Hard Club com álbum novo e o gene de sempre: rock industrial, em que os samplers e as guitarras se digladiam por entre uma batida disruptiva!

A evolução na continuidade, que marca o percurso da banda, trouxe os The Young Gods até «Data Mirage Tangram», um percurso musical em crescendo, fruto de um amadurecimento de qualidade ao longo das décadas. E já lá vão três desde a estreia em território luso, mais concretamente em Coimbra.

O trio suíço é uma força da natureza. O som rude e pujante, que tem tanto de áspero como de aveludado, tanto de melancólico como de irado, é um constante impulso. É uma espécie de choque eléctrico que nos desperta, que nos grita e acorda do adormecimento.

Tinha o pináculo da Catedral de Notre Dame, em Paris, caído há um par de horas quando se começou a ouvir «Entre en matière», tema que abriu o concerto no Hard Club, no passado dia 15 de Abril, e iniciou ainda a amostragem de «Data Mirage Tangram», o 13º álbum de estúdio da banda de Franz Treichler.

Acompanhado por Cesare Pizzi, no computador e sampler, e Bernard Trontin, na bateria, o vocalista e guitarrista Franz Treichler, cara, alma e voz dos The Young Gods, liderou a banda para um magistral concerto.

Mergulhando fundo no novo trabalho de estúdio, o trio teceu uma teia sonora densa e hipnotizante, com que segurou o público desde o arranque.

No Hard Club, os suíços desfiaram todo o novo álbum, numa afirmação poderosa, tal como a sua sonoridade, do excelente momento criativo que teve expressão no concerto da Invicta.

Na primeira parte da actuação, a banda desenrolou grande parte do novo álbum, que acabou por tocar na íntegra. «Data Mirage Tangram» era a razão de mais uma reunião com os portugueses e foram temas como «Figure sans nom» ou «All my skin standing» que criaram a atmosfera que permitiu ao trio protagonizar uma actuação de excelência.

O som rock industrial, servido em camadas densas e, por vezes, bem pesadas é uma marca que os suíços têm preservado e refinado ao longo dos anos e a prova foi o concerto de 15 de Abril.

Mas nem só do presente se fez a soirée de regresso dos The Young Gods ao Porto. Apresentados os novos temas, a visita ao baú foi meticulosa e certeira para dar um brilho especial à noite.

Se «About time» (2007) e «Envoye» (1987), este do álbum epónimo e de estreia, serviram para adensar o ambiente criado pelos temas do novo álbum, as pérolas escolhidas para a segunda e última parte trouxeram mais intensidade, mais negritude e ainda o impulso arrebatador que as composições mais rock do trio provocam nos ouvintes.

O rebuliço começou logo com «Kissing the Sun», uma descarga de energia que faz os pés levantarem do chão. E seguiu-se o hino «Gasoline man», que incendiou a plateia e sobre o qual pouco mais há a dizer senão: “É ouvir, é ouvir e com o volume bem alto”. Se for ao vivo, tanto melhor!

Do álbum de 1992 («TV Sky») saíram ainda «The night dance» e o poderoso «Skinflowers», em que a voz enrouquecida e carregada de eco e sotaque french são marca de água.

O bloco rebuscado ao passado e as novas criações de «Data Mirage Tangram» são a prova viva de um amadurecimento coerente e um comprometimento com a sonoridade que fez dos The Young Gods o que são: uma banda com mais de três décadas de criação e que não deixa os fãs da primeira hora ficarem mal!

O concerto fecharia com o regresso a «Data Mirage Tangram», ouvindo-se «Everythem», tema que fecha o disco e que encerrou as hostilidades no Hard Club.

Antes, os portugueses She Pleasures Herself mostraram o seu rock gótico, meio pós-punk, a fazer lembrar muita coisa que bateu nesta área nos anos (19)80. A atitude e presença em palco é forte, tal como a sonoridade, mas, e apesar da performance positiva, a banda lisboeta acabou por não acender centelha entre o público que ansiava pelos suíços.

 

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