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Stevie Wonder: um visionário musical que derrubou barreiras

Stevie Wonder: um visionário musical que derrubou barreiras

 

Para muitos críticos musicais, a música de Stevie Wonder pode-se resumir num único adjetivo: é extremamente visual. Sim, visual. Ao longo da sua carreira, o artista provou sucessivamente que é possível usar a voz para criar conteúdo gráfico dentro das nossas cabeças. Mas reduzir a incrível panóplia de recursos do autor de Sir Duke a um adjectivo é uma obscenidade.

Com uma voz muito rica, marcada por um vibrato impactante que ainda assim nunca perde a sua beleza, Stevie Wonder reflete na intensidade e emoção das suas músicas tudo aquilo que lhe foi privado visualmente pela cegueira.

Stevie Wonder nasceu a 13 de maio de 1950 na cidade de Michigan (EUA). No entanto, o parto não foi fácil. O compositor norte-americano nasceu prematuramente seis semanas antes do previsto. Por essa mesma razão, sofreu uma complicação visual que o deixou cego. No entanto, viria a perceber mais tarde que a cegueira não o impedia de seguir a carreira que tanto almejava: a música.

Em criança aprendeu a tocar piano, bateria e harmónica e rapidamente canalizou o seu talento para atuações públicas. Ao lado de um amigo, começou a tocar em esquinas, festas e clubes de dança locais em Detroit. Então, o inesperado aconteceu: aos 11 anos, canta Lonely Boy (uma música composta por si) a Ronnie White dos The Miracles.

Stevie Wonder: o menino-prodígio do Motown

Fascinado com o talento do pequeno Stevie Wonder, White levou a criança e a sua mãe a uma audição na Motown, onde o jovem conseguiu assinar contrato com Berry Gordy. Nos dois anos seguintes, o Little Stevie Wonder gravou dois álbuns e tornou-se uma figura conhecida por todo o país. Sim, antes de ser um cantor reconhecido a nível mundial, o artista foi uma das primeiras crianças-prodígio a alcançar sucesso na música norte-americana.

Até 1970, o Little Stevie Wonder não só provou ser um êxito como gravou 12 álbuns inteiros. Mas o seu talento enquanto força criadora imbatível no seu género musical apenas foi totalmente revelado quando, após uma disputa acesa com a editora, Stevie Wonder conseguiu deter todo o controlo criativo sobre a sua música, algo nunca antes alcançado pelos artistas da Motown.

Iniciou-se então o período mais profícuo da sua vida e que lhe garantiu em definitivo um lugar junto dos maiores nomes da História da Música. O génio do compositor atingiu os píncaros quando gravou uma sequência de álbuns fantásticos em apenas 5 anos.

Com Talking Book (1972), Innervisions (1973), Fulfillingness’ First Finale (1974) e Songs in the Key of Life (1976), Stevie Wonder criou algumas das músicas mais conhecidas de sempre, incluindo I Wish, Sir Duke, Living in the City, Boogie on a Reggae Woman e Isn’t She Lovely, que influenciaram gerações inteiras de fãs e músicos em todo o Mundo.

A história da música soul e blues contava, por isso, com um novo artista que não tardou a ser galardoado com 17 prémios Grammy. Em 1984, o filme The Woman in Red chega aos cinemas com um sucesso musical que ainda hoje é bem lembrado: I Just Called To Say I Love You, um êxito que lhe valeu um Óscar e se tornou o single mais vendido na história da Motown.

Stevie Wonder, atualmente com 64 anos (em 2015), continua no ativo e, sem surpresas, o seu último álbum de estúdio, lançado em 2005, conseguiu ainda ser disco de ouro nos EUA, onde é considerado tesouro nacional.

DISCOS RECOMENDADOS DE STEVIE WONDER:

Stevie Wonder

 

Innervisions

Songs in the Key of Life

Talking Book

Fulfillingness’ First Finale

 

   

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