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Steve Howe acredita que o Espírito Yes explica tudo

Steve Howe acredita que o Espírito Yes explica tudo

 

Steve Howe, guitarrista dos Yes, estava radiante por tocar em Portugal, “um país que adoro, mesmo que não saiba bem porquê”. Como assim, questionei-o, duvidando que a frase não passasse de um pequeno golpe de marketing para que os fãs comparecessem ao primeiro concerto da banda no nosso país depois de 33 anos de actividade.

“Porque Portugal faz parte do meu imaginário infantil, quando ouvia contar histórias de uma terra à beira do Atlântico invadida durante séculos por nómadas e descobridores”. Curiosa a explicação, sobretudo para quem nunca antes tinha estado por estas bandas.

É claro que a entrevista se debruçou sobre os anos 70, “Close To The Edge” e um dos maiores monumentos do rock sinfónico, estética musical sem grandes variantes, desinteligências internas e frustrantes opções derivadas dos caminhos da new-wave reflectidas em “Drama”, editado em 1980.

A tudo o que lhe perguntava, Steve Howe remetia para “o espírito Yes”, “amor ao amor, à vida, à esperança e ao optimismo”, repetindo, quase até à minha exaustão, que “somos uma força positiva e estamos de bem com a vida, somos a maior glória do rock sinfónico e progressivo, incrementámos uma sonoridade com elevado grau de densidade e intrincada especiosidade orquestral capaz de criar serenas atmosferas contemplativas”.

Calma Steve, deixe os elogios para os outros, pensei, fitando-o nos olhos expressivos e vislumbrando o psicadelismo tomando-lhe conta da cabeça, tantos ácidos deve ter tomado, a descoberta de estranhas sensações sem sair do lugar. “Nada disso é relevante se comparado com a nossa vontade de procurar Deus em tudo o que existe, nas pequenas coisas, nos animais, nas plantas, nas pedras”. Sim, claro, nas pedras.

 

Naquela noite de Fevereiro de 2000 fui vê-los ao Coliseu do Porto e achei os sons deslocados do tempo e demasiado saturados de desnecessárias grandiloquências. Quando cheguei ao jornal para escrever a prosa sobre o concerto, diz-me um colega, deveras entusiasmado: “é pá, aquilo é que foi um espectáculo. Estava a ver que morria sem ver ao vivo este grupo que é um mito. Que grande concerto, não foi?”

Naquele momento pus-me a cogitar: “O povo tem mesmo razão quando diz que cada cabeça sua sentença. Até parece que estamos a falar de espectáculos diferentes”. Vendo o meu ar de desapreço, o camarada, fã assumido dos Yes, revelou-se indignado: “Não te imaginava com um coração tão pantanoso, com cobras, sapos e animais peçonhentos. Toma atenção que morder os outros dá karma”.

É claro que, perante isto, fiquei sem palavras.

 

 

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Comentários

  • Juarez Gomes de Sá
    16 September, 2016

    Yes, The Best!

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