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Spark: Sudha Ketherpal transforma música em energia elétrica

Spark: Sudha Ketherpal transforma música em energia elétrica

 

Voltando atrás no tempo, perguntamos-lhe: lembra-se dos Faithless? Na década de 90, a banda destacou-se pelas atuações ao vivo, merecendo largos elogios pelas performances e arrecadando uma base de fãs enorme em todo o mundo.

A boa notícia é que o grupo regressa, em 2015, para celebrar o seu 20.º aniversário. Mas não é da reunião que vamos falar neste post. Em vez disso, decidimos escrever sobre o Spark, um projeto da autoria da percussionista da banda, que acredita no poder da música como instrumento para iluminar lugares onde a energia ainda não chega, em países como o Quénia.

Depois de vários anos de performances ao lado de nomes como as Spice Girls, Kylie Minogue, Dido ou Ian Brown (dos Stones Roses), Sudha Ketherpal achou que precisava de fazer mais do que tocar para espalhar aquilo que considerava ser a essência da música. Por “essência da música” entenda-se a capacidade de ligar pessoas e aproximá-las, e não a parte técnica da coisa.

Foi desta necessidade que surgiu a “faísca” necessária para criar um novo projeto. A inspiração usada remontava a um episódio caricato que experienciou na altura em que tocava com os Faithless. Durante um concerto nos finais dos anos 90, a quantidade de fãs a saltar e a dançar ao mesmo tempo foi de tal forma grande que causou um pequeno terramoto quantificável na escala de Richter. Por outras palavras, podemos dizer que o poder da música literalmente abanou o planeta.

Mas, e se pegássemos na quantidade de energia usada para causar o terramoto e a convertêssemos em eletricidade? Foi precisamente esta a ideia de Sudha Ketherpal. E assim nasceu o Spark: um pequeno instrumento de percussão que cabe na palma da mão e que utiliza o movimento para produzir a quantidade de energia necessária para carregar um telemóvel ou acender uma lâmpada.

O projeto ainda está em desenvolvimento: por enquanto, bastam 11 minutos para que o Spark consiga carregar 1 hora de bateria de um telemóvel. O projeto tem sido financiado através de plataformas de crowdfunding, como o Kickstarter: o objetivo inicial de £50,000 já foi atingindo, mas é possível continuar ajudar. Para isso basta clicar aqui.

Shake Your Power” (que em português seria qualquer coisa como “abana a tua energia”) é o slogan do projeto, cujo objetivo principal é contribuir para a redução da pobreza ao apostar no desenvolvimento das áreas rurais dos países em desenvolvimento.

O segredo para o sucesso está na forma fácil e divertida com que qualquer um pode usar o Spark: pais e filhos podem simplesmente divertir-se a tocar um instrumento e, ao fazê-lo, estarão a criar energia para usar mais tarde.

A energia produzida é 100% não poluente e, mais importante do que isso, criada a partir de momentos felizes. Além de dar luz às áreas rurais, o Spark contribui para a construção do sentido de comunidade, cativando as crianças para a música e permitindo que estas se divirtam.

O impacto do Spark nas áreas rurais do Quénia

Apesar de esta poder parecer uma conclusão lógica, a verdade é que Sudha Ketherpal não sabia exatamente qual seriam as reações ao Spark junto dos que vivem nas zonas rurais. Foi por isso que resolveu testar. Juntamente com uma pequena equipa, viajou para a zona oeste do Quénia para distribuir o Spark.

Embora continue a ser um país pobre, o Quénia tem evoluído bastante graças ao desenvolvimento das telecomunicações e à introdução dos telemóveis – agora usados para aceder a serviços que até então não estavam disponíveis.

Apesar dos muitos utilizadores deste tipo de aparelhos, cerca de 72% da população queniana ainda não tem acesso à rede elétrica. Os restantes 28%, que teoricamente conseguiram usar facilmente a energia, queixam-se de que a rede não funciona como devia.

 

Para quem não sabe, a zona oeste do Quénia é muito chuvosa, por isso é comum que por volta das 16 horas já seja noite. A ausência de luz faz com que o horário escolar seja afetado: tarefas simples como fazer o trabalho de casa ou estudar podem ser verdadeiramente difíceis. Posto isto, se considerarmos a educação como um dos pilares da economia, é fácil perceber a dimensão deste problema.

Aprender a trabalhar com o Spark

Os Educational Assembly Kits servem para cumprir o objetivo educacional do Spark. A ideia é que estes kits sejam distribuídos pelas escolas e cabe ao professor ensinar as crianças como montar o seu próprio instrumento de precursão.

Por outras palavras, não basta entregar o objeto em mãos, é preciso cultivar a curiosidade: o Spark pode mesmo ser introduzido nas aulas de música, passar para as aulas de ciências quando falamos do ambiente e ser montado numa aula de engenharia ou trabalhos manuais.

Mas como será que este curioso objeto funciona? De forma simples, o shaker de precursão possui é composto por um íman e uma bateria recarregável.

Quando abanamos, o íman passa por uma espécie de bobina de cobre. O movimento é depois convertido em eletricidade que será armazenada no interior da bateria.

De 2015 a 2018, os Educational Assembly Kits vão ser testados nas escolas do Reino Unido. Posteriormente, mediante os resultados obtidos, serão melhorados e enviados para outros países.

Qual é o próximo passo para o Spark?

Depois do sucesso alcançado no Quénia, o objetivo é que a iniciativa “Shake Your Power” seja levada para outros países, principalmente do continente africano. Países como a Índia, de onde Sudha Ketherpal é natural, também fazem parte dos planos do projeto.

Segundo a percussionista, distribuir os Sparks é só uma parte do seu trabalho. A outra é cativar a atenção das pessoas para questões que dizem respeito ao meio ambiente. Nesta difícil tarefa, a música desempenha um papel fundamental. Porquê? Porque não estamos a falar de gráficos nem da instalação de um painel solar. Em vez disso, falamos de música, algo de que toda a gente gosta.

O projeto Shake Your Power deve o seu sucesso também à atenção mediática. Entre os artistas que apoiaram publicamente o projeto encontram-se Melanie C das Spice Girls, Maxi Jazz dos Faithless, e Maya Jane Coles.

   

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