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Prometeu, Cumpriu. Passados 30 anos. Rick Astley!

Prometeu, Cumpriu. Passados 30 anos. Rick Astley!

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Quem diria. Rick Astley, o tipo de gabardine – gabardine + anos 80 = clássico instantâneo – que nos cantou Never Gonna Give You Up… está para as curvas depois de um sono (sem gabardines) de mais de três décadas.

NÃO É o álbum mais esperado do ano, longe disso.

NÃO É aquele indivíduo que vos vai aparecer nas listinhas de ‘hei, espreita lá que é quentinho e é bom’ das vossas livrarias todas interactivas de chansons.

 NÃO É, de todo, aquele por quem estariam dispostos a pagar 2 Tonys Carreiras e meio para ver ao vivo, de primeira fila, braços abertos ar e última peça de roupa interior pronta a atirar ao artista.

NÃO É de todo recomendável que adoptem por este estilo de couro cabeludo se quiserem ter sorte com as senhoras.

Ora, já chega de negatividade, sim, bora falar de Rick Astley em 2018, porque ele há coisas mais improváveis do que isto nos tempos que correm. O Bono já cantou e perdeu o pio num concerto. E Manezinho do Sax já marcou duas datas para a Altice Arena. Uma destas afirmações NÃO É verdadeira… vejam lá se sabem qual é.

NÃO ZOMBAR DO TIO RICK SFF

Quem editou, em 2002, um Greatest Hits a tresandar a hinos de chuveiro, chegando à posição #16 nos tops Britânicos (e #5 da Dinamarca, segundo diz a malta da wikipédia) merece respeito.

Falamos, afinal, de Rick Astley, o homem por trás da gabardine por trás de sucessos como o já supracitado (e obrigatoriamente trauteado) Never Gonna Give You Up também bolou sucessos como Together Forever, Whenever You Need Somebody e She Wants To Dance With Me. Alguém que disse ao Telegraph há uns anos “tornei-me milionário aos 22. É ridículo”. Alguém que se viu, graças ao já referido (e repetidamente gritado no meio da rua) Never Gonna Give You Up, no meio de concertos com Prince, Phil Collins, Brian Maye ‘todo esse jazz’.

Rick Astley desapareceu de cena por volta de 1994, tão depressa como apareceu. Entretanto foi pai de uma Emilie, que já é mais velha do que ele quando lançou o tal smashhit. Para os mais distraídos, Never Gonna Give You Up hoje é um link simpático de youtube que se bota simpaticamente aqui abaixo. Para aqueles que andam mesmo na lua Never Gonna Give You Up foi #1 nos seguintes países:

– Austrália

– Alemanha

Reino Unido

Estados Unidos

– Noruega

– Suécia

– Nova Zelândia

Foi #2 na Suíça porque… já se sabe como é que os Suíços são.

E #6 em França porque aspas aspas. Foi #2 em Israel, p.e. No ano em que teve início a Primeira Intifada…

Nota para depois: usar gabardine saca beibes e causa impacto no Mundo minha gente!

já não usa gabardine. Aliás, toda a imagem foi renovada.

Aquele ar de Frank Gallagher com make-up deu lugar a um face lift mais adequado aos tempos que correm.

Assim, temos que Rick Astley tem actualmente 52 anos e lança álbuns como mandam as regras. Adeus alfaiate embriagado, olá novas tendências e sobretudo (não é para vestires Rick!) novas exigências.

Habemos formato vinil ‘look at me I’m gorgeous’, assumidamente party friendly, chamado Beautiful Life.

Habemos single de lançamento, que dá o nome ao álbum, moderadamente simpático, que solta uns pozinhos de anos 80, com riffs catitas e coisas.

Habemos, pasme-se o leitor, unpetit peu de funk.

Rick Astley – Beautiful Life (Official Video)

Refrão catchy, repetição da mensagem (“you know I love you but you don’t know how much”) e segue bola.

O mesmo repete-se pela malha seguinte Chance To Dance (que, já agora, dá ares de George Michael) mas é a Faixas Terceiras que encontramos Rick Astley, cinquentão e fortalhão nas cordas vocais: She Makes Me é aquilo que podemos chamar ‘uma música fixe para levar ao Ídolos’. Agora mais a sério, Rick Astley estica-se ao longo da música e até a guitarra não soa tão secante como seria de esperar.

Shivers tem – sustenham a respiração – beats (!) e uns arranjos que revelam cuidado na remistura. Faite attention. Sobre Last Night On Earth e Every Corner não há muito a dizer: ele é piano, ele é mais um ou dois rasgos vocais do Gabardines e estamos parcialmente conversados.

I Need The Light senta-nos à frente do piano para uns toques gospel que não marcham nada mal. Rick, afinal, ainda canta umas coisas.

A sério.

Nunca pensei dizê-lo – muito menos escrevê-lo – mas há na voz banal de Rick um… meio… 1/4… está bem, 1/8 de Pavarotti.

De gabardine, pois claro.

Não é péssimo. Mesmo.

O resto do álbum não tem muito mais para contar, tirando, honestamente, as duas últimas faixas, que a meu ver são as melhores do álbum: Try é aquela malha escrita e pensada para arenas (há mesmo quem lhe chame arena rock) que pede um videoclip de desencontro amoroso que acaba em beijo à chuvinha.

Chanson de Altice

e, porque last but not least – temos The Good Old Days, que podia muito bem ser uma música dos Scissor Sisters. Recomendo por… tudo aquilo que não esperava de uma música de Rick Astley em 2018. Mesmo.

Uma certeza: Beautiful Life NÃO É dos piores álbuns lançados este ano.

Nota 3.

 

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