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Placebo: Rock sedutor de um duo que insiste em ser trio

Placebo

Placebo: Rock sedutor de um duo que insiste em ser trio

 

Os anos 90 do século XX são uma espécie de buraco negro na minha vida. São diferentes e diversas as razões para tal, mas a verdade é que os meus twenties são uma mancha que “continua no mesmo sítio, eu continuo a olhar para ela e não se passa nada”, como nos conta Adolfo Luxúria Canibal (Mão Morta) em «Tu disseste».

No entanto, por entre todas essas distracções próprias da altura (e acreditem que eram muitas!), como melómano e hedonista convicto e praticante, desse período há, entre poucas, uma memória bem nítida e presente: os Placebo.

Foi um amigo e camarada de Redacção que me falou pela primeira vez neles. Ele, mais amante de sonoridades bem mais agrestes e pesadas – no quarto tinha uma bandeira dos Sepultura –, falou-me com grande entusiasmo de uma banda nova que tinha “um som altamente”.

Não demorou muito a que ele deixasse de lhes achar graça, enquanto eu mergulhava cada vez mais fundo no universo cada vez mais denso (leia-se, repertório) de Molko e Olsdal e ainda de quem ocupasse o banco na bateria para dar o kick à coisa «placeba».

Quanto a este assunto, se Hewitt era um poço de energia, Forrest era um animal e ambos deram algo às canções. Obviamente, cada um ao seu estilo. Quanto a Mart Lunn, resgatado aos Colour of Fire e que agora acompanha a banda, a ver vamos, pois ainda não vimos nem ouvimos.

Na altura como agora, ouvir Placebo é uma experiência semelhante a desfrutar do Sol de Inverno a bater na cara e sentir o fresco da brisa marítima no ar, enquanto se ouve o mar a enrolar na areia…

A frescura talvez venha da voz andrógina de Molko, porque o calor esse vem, com toda a certeza, do rock impetuoso da banda, onde a guitarra é rainha.

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Na última visita dos Placebo a Portugal – e eles têm sido ao longo dos seus 20 anos de carreira uns habitués dos nossos coliseus e não só –, em Outubro de 2014, na Invicta, intitulado «Aquele mais do mesmo que sabe bem», escrevi a propósito: “Mais do mesmo? Mesmo. Mas mesmo assim, é sempre bom ver e ouvir os Placebo. Não sei, lava a alma. É daquelas bandas de que se gosta ou não. Não há meio-termo. Normalmente, a voz (e até a figura de menino tímido/moça sedutora) de Brian Molko leva alguns a não gostar da sonoridade do trio londrino, mas talvez nesses aspectos também esteja muito do que é a música dos Placebo”.

Pronto, é isto. Não há muito mais a dizer, mas 20 anos de música para ouvir. Placebo é energia rock em alta, sem grandes artifícios, mas glamorosa q.b. e de forte carácter sedutor.

Ainda o panorama era dominado pelo grunge quando os Placebo se formaram (1994), inicialmente ainda como Ashtray Heart, e, em seu favor, tiveram o melhor padrinho que podiam desejar. David Bowie desde cedo mostrou empatia com a sonoridade dos Placebo e não hesitou, aquando da celebração do seu 50º aniversário (1997), em dar palco à banda.

Apesar de já se conhecerem do Luxemburgo, onde estudaram na mesma escola, foi em Londres que o nascido belga mas criado em Inglaterra Brian Molko e o sueco Stefan Olsdal voltaram a encontrar-se e decidiram formar uma banda, a esta altura ainda Ashtray Heart. Foi nome de pouca dura e quando se deram, verdadeiramente, a conhecer já foi pelo nome de Placebo.

Logo no arranque começou a dança na bateria, com Steve Hewitt a alternar com Robert Schultzberg. A preferência de Molko e Olsdal ia para Hewitt, mas quando este decidiu regressar aos Breed, o duo fez retornar Schultzberg.

Em 1996 a banda edita o álbum de estreia intitulado «Placebo» e em Novembro o baterista abandona o trio, entrando novamente Hewitt, que se manteve até 2007. O regressado baterista faria o seu primeiro concerto precisamente no aniversário de David Bowie, no Madison Square Garden, em Nova Iorque.

A verdade é que numa fase em que o grunge dava os seus primeiros sinais de declínio, os Placebo editavam um disco que conquistou a Europa.

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O ano de 1998 é marcado pelo lançamento de «Without You I’m Nothing», que voltou a fazer furor no Velho Continente (ilhas de Sua Majestade incluídas), mas que ainda não foi o abre-latas em território norte-americano.

No ano seguinte, os Placebo, em digressão pelos Estados Unidos, reuniram-se em palco com David Bowie e, posteriormente, em estúdio para gravar um single com o tema-título do novo álbum e que seria editado nesse mesmo ano.

No último estertor do velho Milénio, chegou às lojas de discos Black Market Music, o terceiro longa-duração do trio. Para furar o embargo (leia-se, pouco sucesso) dos Estados Unidos, é criada uma versão para aquele mercado, que inclui, entre outros acrescentos, a versão de Without you I’m nothing gravada com David Bowie, a cover de I feel you, dos Depeche Mode, e ainda os êxitos, no Reino Unido, Taste in men e Slave to the wage.

Numa época em que as rave parties estavam em alta, a referência à ketamina no tema Special K criou algum incómodo em alguns agentes da indústria musical. No entanto, Special K acabou por ser editada também em EP juntamente com alguns lados b dos demais singles. Bem, e é hoje um dos tema-bandeira da banda.

O público estava conquistado e o trio seguia em frente.

Em 2003, os Placebo editam o quarto álbum, Sleeping With Ghosts, para no ano seguinte lançarem o primeiro DVD ao vivo Soulmates Never Die, gravado em Paris, em 2003.

No final de 2004, chega aos escaparates Once More With Feeling: Singles 1996-2004, a compilação de singles, que incluía ainda um DVD com os videoclips dos temas do CD.

Dois anos volvidos, Meds traz de volta os Placebo aos discos e às digressões. E a de 2006 teve como brinde, no final do ano, o EP Live at La Cigale, apenas disponível na internet, contendo seis temas de Meds e ainda Special K e The bitter end, cada uma retirada dos dois anteriores álbuns.

 

Para assinalar a primeira década dos Placebo, a banda edita The 10 Year Anniversary Collectors Edition, uma reedição do epónimo álbum de estreia, completado com os temas «Drowning by numbers» e «Slackerbitch» (dois lados b) e ainda as demo de «Paycheck» e «Flesh Mechanic». Já o DVD contém actuações e vídeos oficiais do álbum Placebo.

No entanto, a digressão de Meds foi atribulada para o trio e, em 2007, Hewitt deixa a banda… com algum ressentimento. Brian Molko comparou a situação da banda a um casamento e às dificuldades da vida em casal (quanto mais em trio!), enquanto Stefan Olsdal foi mais directo e alegou que o ambiente da banda com Hewitt não era saudável, já que não havia sintonia entre o baterista e ele próprio e Molko, apesar de já ninguém falar entre si no seio do trio. “Apercebemo-nos que Placebo estava a morrer”, afirmou na altura o baixista. Por seu turno, Steve Forrest lamentou que tivesse sido despedido da banda pelo manager Alex Weston.

Em meados do ano seguinte, Molko e Olsdal apresentam Steve Forrest, resgatado aos Evaline, como novo baterista dos Placebo. E que baterista! Invariavelmente em tronco nu, Forrest faz lembrar, na postura, o baterista dos Marretas (Animal). Ambos, diga-se, bastante eficazes.

Battle for the Sun é o sexto registo de originais dos Placebo, o primeiro de Forrest na banda, e uma edição de autor.

“Estou muito optimista quanto ao futuro, porque me sinto muito bem e estou deveras entusiasmado. Ainda há muita vida para ser vivida”, disse, na altura, Brian Molko, que acrescentou: “É uma sensação de começar de novo… sentimo-nos revigorados, refrescados e prontos para tomar o Mundo de assalto”.

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E, de facto, assim pareceu, porque a banda ganhou uma nova alegria em palco e os novos temas davam sinais de uma energia renovada e, até mesmo, rejuvenescida.

No final de 2009, Molko/Olsdal/Forrest publicam iTunes Live: London Festival ’09, um álbum ao vivo, com 19 temas e um booklet, gravado, em Julho, no Festival iTunes, no The Roundhouse, em Camden (Londres).

E porque a Era Digital veio para ficar, em Dezembro de 2011, depois de mais de dois anos a dar a volta ao Mundo, os Placebo editam Live at Angkor Wat, um exclusivo iTunes.

Ainda antes de um novo longa-duração, a banda lança, no final de 2012, o EP B3, que contém cinco novos temas. Aperitivo para Loud Like Love, o álbum que saiu em Setembro de 2013 e ao que se seguiu uma longa digressão mundial (mais uma volta ao Mundo), com os Placebo a conquistarem definitivamente os Estados Unidos, com enchentes sucessivas, terminando a tournée em terras lusitanas, nos coliseus do Porto e de Lisboa.

Os Placebo “mantiveram a massa humana, que lotou a sala da Invicta, em alta de princípio ao fim”, anotou este vosso escriba no rescaldo do concerto de Novembro de 2014, acrescentando: “As saudades nestas coisas também contam muito… E nem nos momentos mais plácidos dos temas a energia do público esmoreceu.

A banda cedo se rendeu ao público entusiasta e vigoroso que tinha pela frente e que encheu plateia e balcões de forma transbordante”.

Com o dealbar do ano de 2015 chega a notícia da saída de Steve Forrest, apostado em prosseguir outros caminhos musicais. Para o seu lugar entra Matt Lunn, dos Colour Of Fire, que haviam feito a primeira parte dos Placebo em 2004.

Com 2016 cada vez mais próximo, a banda anunciou que pretende assinalar os 20 anos de vida ao longo de dois anos de celebração retrospectiva.

Ainda em 2015 e como pontapé de saída foram reeditados em vinil colorido os primeiros cinco álbuns da banda e no final do ano o MTV Unplugged, em CD, DVD, Blu-ray e vinil, um concerto gravado em Agosto desse ano, em Londres.

E se 20 anos são 20 anos, 2016 começou com o anúncio da digressão mundial A place for us to dream, a que se seguiu a edição de uma compilação com o mesmo nome. Mas havia mais! O EP Life’s What You Make It também foi anunciado como trazendo material nunca editado. Ambos os discos continham Jesus’ Son, o novo single da banda.

São inúmeros os rótulos que tentam colar aos Placebo. Rock gótico, britpop, pop punk, post-punk revival, rock electrónico, rock experimental e rock industrial, com elementos de rock progressivo e influências grunge e punk rock são algumas das referências usadas quando se fala do trio de A place for us to dream, mas certo e seguro é que fazem rock… e do bom! Tudo o resto é… palestra.

Nota final para a apetência de Molko e Olsdal para as versões, com especial destaque para «Running up that hill», de Kate Bush, e «Where is my mind», dos Pixies.

PLACEBO EM PORTUGAL

E como não podia deixar de ser, os Placebo vêm também celebrar o 20º aniversário com o público português, devoto da banda desde o início, ora, já lá vão… 20 anos!

E para comemorar 20 anos sobre o lançamento do álbum de estreia, os Placebo trazem, ao Pavilhão Multiusos de Gondomar (dia 1 de Maio) e ao Coliseu de Lisboa (dia 2), mais de duas décadas de canções de sucesso, que contam com hits como «Running up that hill», «Every you every me», «Song to say goodbye», «Special K» ou «Pure morning», entre muitos outros.

Para ambos os concertos o preço dos bilhetes varia entre os 35 e os 40 euros.

   

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