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Phil Spector, o produtor dos Beatles que foi preso por homicídio

Phil Spector, o produtor dos Beatles que foi preso por homicídio

 

Phil Spector é hoje recordado como um dos produtores de música mais importantes das décadas 60 e 70 mesmo estando atrás de grades por ter cometido homicídio. Com um percurso de vida conturbado, marcado por altos e baixos, Phil Spector é o tema deste post, onde contamos a história desta figura da indústria musical.

Se o nome do homem não lhe diz nada, talvez diga então o nome de certas músicas como Let It Be, dos Beatles. Sabia que esta música e todo o álbum homónimo dos Beatles foi produzido por Phil Spector? Isto foi suficiente para construir uma reputação para o produtor dentro da indústria, ainda que perseguido por hábitos excêntricos e vícios como álcool e drogas.

Porém, já nos estamos a adiantar na história. Vamos começar pelo início.

Phil Spector: as origens no Bronx

Estamos no dia 26 de dezembro de 1939, ano que o mundo assistiu ao rebentar da II Guerra Mundial, quando nasceu em Bronx, Nova Iorque, um rapaz chamado Harvey Phillip Spector. Apaixonado por música latina, o jovem Spector começou desde cedo a fazer incursões a El Barrio – o reduto espanhol no bairro do Harlem – para ouvir músicos porto-riquenhos a tocar durante a noite.

Porém, a situação em casa não era feliz. Quando tinha 15 anos, o pai de Phil pôs termo à sua vida, deixando a família entregue a inúmeras dificuldades. Numa tentativa de melhorar a sua vida e mudar de cenário, a família muda-se para Los Angeles onde a irmã de Phil é eventualmente internada num hospital psiquiátrico. Entretanto, Phil começa a compor o seu primeiro trabalho de sucesso a partir de uma frase retirada da lápide do seu pai: To Know Him is to Live Him (Conhecê-Lo é vivê-Lo).

Aos 17 anos, ao lado de Annette Kleinbard, Marshall Lieb e Harvey Goldstein, Phil Spector forma a banda “Teddy Bears”. É também por esta altura que começa a frequentar alguns estúdios e a aproximar-se de Stan Ross, que era então proprietário da Gold Star Studios. Terá sido mais ou menos por esta altura que começou a produzir discos repletos de espírito latino. A pouco e pouco, cria um estilo que ganhou o nome de Parede de Som: um empastelamento de sons graves e agudos que encantou os ouvidos da juventude americana. A receita era quase impossível de reproduzir sem cometer excessos: Phil lotava o estúdio com dúzias de guitarristas, pianistas e saxofonistas.

Aos 21, era milionário e, antes de fazer 24 anos, tinha já produzido 20 hits internacionais consecutivos. Foi mais ou menos nesta época que Phi1 Spector recebeu, pelas mãos de John Lennon dos Beatles, todas as gravações do projeto “Get Back” que tinha sido abandonado pela banda britânica devido à má qualidade do som. Habilidosamente, Phil Spector consegue “esconder” as falhas contidas no material original… e assim criar Let It Be.

Atritos com outros artistas

O comportamento errático de Phil Spector começou a provocar problemas na sua vida profissional. Durante as gravações do disco “Death of a Ladies’ Man”, de Leonard Cohen, os atritos chegaram ao ponto de fazer com que Spector se trancasse no seu estúdio para fazer a mistura, deixando Cohen totalmente de fora. Mais tarde, o cantor demonstrou o quão insatisfeito tinha ficado com o resultado final desse álbum, considerando que era um dos mais fracos da sua carreira.

 

Entretanto, Phil Spector voltou a juntar-se a John Lennon para o ajudar a produzir o álbum Rock’n’Roll. Porém, consta que as sessões de gravação não passavam de encontros regados com álcool, drogas e festas… até que um dia Phil disparou uma arma no estúdio provocando um problema de audição a John Lennon. Devido a uma incrível falta de profissionalismo, sucederam-se várias outras situações desagradáveis, incluindo Spector fugir com todo o material gravado e sofrer um acidente de carro. Ao recuperar o material, John Lennon terminou o álbum… e disse que aquele era um trabalho amaldiçoado. Após a morte de Lennon, Phil Spector foi chamado por Yoko Ono para produzir o álbum “Season Of Glass” e o álbum “Menlove Ave”, de John Lennon, com gravações excluídas de álbuns anteriores.

Em 1980, Phil Spector começa então a ultrapassar novos limites, forçando a banda os Ramones a tocar durante oito horas seguidas ao mesmo acorde. Ainda nessas sessões, o baixista Dee Dee Ramone afirma que Spector o obrigou a executar uma passagem musical sob a mira de um revólver. Assustador, certo? Entretanto, novas polémicas foram rebentando nos anos seguintes. Desde discussões com a produção de Celine Dion, com quem estava a trabalhar, como o facto de ter chamado de anti-cristo as Spice Girls.

“Acho que matei alguém”

Estamos no dia 13 de abril de 2009 quando Phil Spector é declarado culpado pelo homicídio da atriz Lana Clarkson, morta na madrugada do dia 3 de fevereiro de 2003. No seguimento do julgamento, o produtor é condenado a 16 anos de prisão.

Porém, o que aconteceu naquela fatídica noite?

Ao que consta, segundo depoimentos do ex-motorista de Phil Spector,  o produtor terá deixado a sua mansão levando consigo uma arma ensaguentada. Ao entrar no veículo, ligeiramente confuso e abalado, terá dito “acho que matei alguém.” E a verdade é que a suspeita se veio a confirmar.

A vítima, de 40 anos, trabalhava numa discoteca em West Hollywood e terá conhecido Phil na mesma noite em que morreu. O produtor, que se encontrava no bar e terá simpatizado com a empregada, esperou até que o turno de Lana terminasse, oferecendo-lhe assim boleia na sua limusine. Porém, acabaram por ir até à sua mansão para beber um copo. Uma coisa levou à outra e, cerca de quatro horas depois de ter chegado à mansão, Phil disparou para a cabeça da mulher, matando-a instantaneamente.

Já anteriormente Phil Spector tinha demonstrado comportamento agressivo contra mulheres. A sua primeira esposa, Ronnie, alegou que o marido era incrivelmente possessivo e a proibia de sair de casa, revelando mesmo que tinha um caixão de ouro na cave onde a prometia trancar caso ela o decidisse abandonar.

   

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