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Porque razão sentimos tanto prazer ao ouvir música?

Porque razão sentimos tanto prazer ao ouvir música?

 

Quem já sentiu arrepios na epiderme ao ouvir a sua música favorita, desfaleceu com uma canção de amor ou ficou completamente transtornado por causa de um vizinho fã de heavy-metal sabe que a música pode exercer um poderoso efeito emocional. E ninguém precisa de um neurocientista para explicar que a manipulação de ritmos, tonalidades e intensidades de uma melodia pode provocar emoções fortes.

Na verdade, os compositores de sinfonias, música rock/pop, bandas sonoras e anúncios de TV, todos sabem como sintonizar o humor da sua audiência através de notas e cadências musicais, que podem alternar entre a expressão de sentimentos díspares: desde a tristeza à depressão, até aos sentimentos de euforia, alegria e jovialidade.

Mas os neurocientistas podem ter algo a dizer sobre como a música provoca efeitos emocionais nas profundezas do cérebro humano. E compreender o ‘como’ pode oferecer de imediato uma importante pista sobre o ‘porquê’ no qual jaz o poder da música na vida dos seres humanos. E já agora entendermos porque razão sentimos tanto prazer ao ouvir música.

Ouvir música com ajuda da Ciência

Muitos estudos têm mostrado ao longo das últimas décadas que a música estimula várias regiões do cérebro de uma só vez, incluindo as partes responsáveis ​​pela emoção, memória, controlo motor, tempo e linguagem. Enquanto a letra de uma canção ativa os centros de linguagens (tais como Área de Broca), outras partes do cérebro realizam uma associação temporal – remetendo os nossos pensamentos (e sentimentos) para um primeiro beijo ou uma viagem marcante efectuada ao som de determinada canção.

“É como se o cérebro pega-se fogo quando estamos a ouvir música“, esclarece Istvan Molnar-Szakacs, um neurocientista da Universidade da Califórnia (Los Angeles) em entrevista à revista Science News. “Em termos de imagiografia que capturamos do cérebro, os estudos mostraram que a escuta de música ativa várias partes em simultâneo, o que corresponde a muito mais partes do que qualquer outro estímulo produz no ser humano”.

O facto da música ativar tantos sistemas cerebrais de uma só vez é a razão que a torna tão arrebatadora e prazerosa. A música exerce o seu efeito mais profundo no núcleo emocional do cérebro, o sistema límbico. Nessa zona, a música muda praticamente todas as áreas do cérebro responsáveis ​​por regularem as emoções, como o neurocientista Stefan Koelsch da Freie Universität Berlin descreve em vários artigos sobre Ciências Cognitivas.

O mais espantoso é que a música ativa automaticamente áreas do cérebro que são essenciais aos sentimentos de prazer e recompensa. Tanto assim é que os mesmos centros de prazer do cérebro que ficam ativos quando ouvimos as nossas músicas favoritas são exactamente iguais aos que são ligados quando o ser humano come chocolate ou tem… relações sexuais!

 

Pistas para o futuro

Esta parceria entre música e ciência pode ser extremamente valiosa no futuro. Os efeitos dramáticos da música revelados são também um instrumento valioso para a ciência entender os circuitos emocionais do cérebro. Por essa mesma razão, Stefan Koelsch e outros neurocientistas utilizam a música como uma ferramenta para ver como o cérebro processa uma ampla gama de sentimentos como tristeza, alegria, desejo e admiração.

Algumas destas emoções, tão facilmente sentidas em resposta a ritmos e melodias, são de outra maneira difíceis de evocar num estudo experimental de laboratório. Outros pesquisadores estão a usar a música para explorar como as crianças autistas processam as emoções. Habitualmente, as crianças autistas têm muita dificuldade em reconhecer como os outros se sentem. Mas quando ouvem uma canção conseguem identificar com prontidão quais os sentimentos associados.

Esta busca pela compreensão é um trabalho infinito e talvez nunca tenha fim. Mas utilizar a música para estudar e estimular circuitos emocionais do cérebro pode levar a novas terapias para o tratamento de uma ampla gama de distúrbios emocionais, incluindo depressão, ansiedade e transtorno de stress pós-traumático, de acordo com os cientistas. Ao compreender como a música ativa e coordena os vários mecanismos emocionais no cérebro, os especialistas podem encontrar maneiras de reprogramar um cérebro afetado por doenças ou lesões, ou ainda fornecerem uma solução alternativa para regiões cerebrais danificadas ou de baixo desempenho.

Apesar da longa lista de benefícios potenciais para a saúde e felicidade, Koelsch sustenta que a experiência profunda e complexa que a música proporciona é principalmente uma experiência social, em vez de um fenómeno individual. Muitos anos antes das pessoas terem pequenos fios nos ouvidos para ouvir música a qualquer hora e em qualquer lugar, já havia sons e ritmos musicais tocados em flautas e canas, instrumentos que provavelmente foram usados ​​em rituais tribais para unir caçadores e guerreiros antes de uma batalha. Hoje, a música ajuda a unir as pessoas em casamentos, funerais e inúmeros eventos sociais. E continua a iluminar as nossas vidas de maneira subliminar.

   

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Comentários

  • 15 March, 2017

    Incrível, a música é algo incrível espetacular, sempre fui apaixonado por musica desde bebe, meu pai me disse que quando escutava alguma musica eu ja ficava todo todo, e é assim que continuo , musica é vida, a vida é uma dança melódica constante.

  • 29 June, 2017

    Adorei a matéria,devia ser lido nas escolas.

  • 20 July, 2017

    Muito boa matéria. Realmente a música tem o poder de nos tocar de maneiras diversas… Incrível.

    • Gonçalo Sousa
      Gonçalo Sousa
      21 July, 2017

      Muito obrigado pelo seu comentário… Para mim, simplesmente Música é a Arte mais poderosa que o ser humano criou!

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