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Motörhead: um percurso tortuoso, mas bem-sucedido

Motörhead: um percurso tortuoso, mas bem-sucedido

 

Nasceu com o nome de Ian Fraiser Kilmister, mas o mundo conhece-o como Lemmy Kilmister. Embora a afirmação que se segue possa não ser consensual, ninguém fica chocado se dissermos que o cantor foi, desde o início, a alma dos Motörhead.

Antes do grupo, o vocalista passou pelos Hawking como baixista, mas antes disso andara pelas estradas da América com o também roadie Jimi Hendrix. Do outro lado do Atlântico, dizem que podia ter sido brilhante ao lado dos Kind, mas a posse de drogas fez com que fosse expulso do grupo. De malas a bagagens, trouxe o brilhantismo para Inglaterra, onde decidiu formar o seu próprio grupo.

Assim nasceram os Motörhead, banda inicialmente composta por Pink Fairies, Larry Wallis e Lucas Fox. Dois meses após a formação, surge o primeiro contrato com a United Artists. Apesar da boa impressão inicial, a editora não gostou dos temas gravados e recusou-se a lançar o álbum que acabaria por nunca ver a luz do dia.

As más referências ditaram tempos difíceis e, durante muito tempo, os Motörhead não conseguiram nenhum contrato discográfico. Em simultâneo, os convites para concertos também começaram a escassear. Isto até que em 1997 tudo mudou.

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Motörhead: um início lento e instável

É neste ano que o grupo, então reduzido a três (Lemmy, Pinky e Philty Animal – que tinha vindo ocupar o lugar de Lucas Fox) lançou finalmente Motörhead, um álbum homónimo que, não tendo sido extremamente bem-sucedido, fidelizou alguns fãs.

Depois da Chiswick Records deu-se uma nova mudança de editora. Desta vez com a Bronze Records, o grupo lançou Overkill, cuja maior façanha foi ficar no número 24 do top britânico. Apesar de ainda estarem longe do sucesso, este foi um importante passo para o lançamento de Bomber, disco com os qual subiram para um admirável 10.º lugar. Seguiu-se Ace of Spades, de 1980, capaz de atingir um excelente quarto lugar no Reino Unido, mas com pouca aceitação nos Estados Unidos.

Motivados pela progressiva ascensão, o grupo continuou a trabalhar: no ano de 1983 foi lançado Another Perfect Day, que contrariou a tendência positiva com uma queda para vigésimo lugar.

Durante os anos, os Motörhead foram sofrendo várias mudanças na sua formação e é com Pete Gill (antigo baterista dos Saxon) que gravam Killed By Death, de 1984. Mais tarde, dá-se um novo conflito editorial e a banda é impedida de publicar mais trabalhos pelo período de dois anos.

Regresso e começo de uma nova era

Findo o problema, os Motörhead lançam Orgasmatron com o qual voltam à ribalta com mais força do que nunca. Seguiu-se Rock N’ Roll, editado um ano depois, em 1987, e capaz de solidificar a posição enquanto estrelas rock e metal.

 

Nos anos 90, com a WTG, o grupo lança The Birthday Party, o seu primeiro trabalho dessa década. Ainda insatisfeitos, começam a pensar criar a sua própria editora. É com ela que nesse mesmo ano gravam Bastards. Por essa altura, podemos dizer que já estavam bastante bem encaminhados para ascender à categoria de lenda, posição atualmente mais do que sólida.

Ao longo dos anos 90, a banda manteve uma produção regular de discos onde continuou fiel às raízes rock e heavy metal. O ponto algo de consagração terá sido provavelmente o disco de 2000, We Are Motörhead, do qual foi extraído o single God Save the Queen.

Seguiu-se mais uma tour pelas grandes salas de espetáculos por todo o continente americano e mais tarde também pela Europa. De seguida lançaram em DVD um concerto Live at Brixton Academy e atuaram no evento mais importante da companhia WWE, a Wrestlemania.

Após uma longa carreira, os Motörhead conseguiram o seu primeiro Grammy em 2005, curiosamente com uma cover de Whiplash, dos Metallica, no disco Metallic Attack: The Ultimate Tribute.

Aniversário e sinais de cansaço

Em 2008, a banda volta  estúdio para gravar o 19.º álbum, Motörizer, que é lançado em agosto desse ano. O 20.º trabalho saía dois anos mais tarde e intitulava-se The Wörld Is Yours.

Por essa altura, a banda estava a celebrar o seu 35.º aniversário e preparava-se para uma tour inovadora onde aposta mais do que nunca na componente visual. A tournée deu origem a um DVD ao vivo e, nos entretantos, “choviam” mais prémios.

O ritmo frenético acabou por abalar a banda. Graças à carga de trabalho, Lemmy foi afetado como uma série de problemas, entre os quais uma condição cardíaca que o obrigava a descansar.

Depois de alguns anos parado, o grupo voltou em 2014 com apupos de aclamação. No início de 2015, a banda voltou a estúdio, regresso que culminou no seu último trabalho, o muito elogiado Bad Magic. O disco integra Electricity e Choking On Your Screams e uma cover de Sympathy For The Devil, original dos Rolling Stones.

 

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