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A mulher que achava que Miguel Ângelo dos Delfins era o seu salvador

A mulher que achava que Miguel Ângelo dos Delfins era o seu salvador

 

Desde os tempos do “Caminho da Felicidade” em que escrevi a biografia dos Delfins que Miguel Ângelo passou a ser um dos meus melhores amigos. Admiro-o para além da música que faz, pela maneira de ser e estar, o humor, a simpatia natural que irradia em permanência.

Convidei-o para padrinho do meu filho por o ter como exemplo de integridade e respeito por uma série de valores que igualmente alimento. Dele sei histórias do arco-da-velha mas nenhuma tão estranha como a que um destes dias, em Coimbra, quando foi homenageado com Sá Pinto e Carlos Lopes por um núcleo do seu Sporting, me contou: “Uma senhora começou a enviar-me umas cartas onde escrevia que precisava de me encontrar com urgência para falar sobre um assunto de extrema importância. Como nunca escondi o número do telefone de casa passou a ligar-me de madrugada, insistindo que tinha que me conhecer, que não podia dizer do que se tratava sem ser pessoalmente. O caso passou a encerrar problemas e ameaças veladas, agressividade e exigências, eu já com pensamentos perversos, o que é que a maluca vai fazer a seguir depois de me ameaçar que fazia e acontecia se eu não fosse encontrar-me urgentemente com ela”…

A perseguição continuava e o Miguel, que já não conseguia pensar noutra coisa, teve que mudar o telefone de casa, foi à polícia para ver o que podia ser feito, alguém o aconselhou que o melhor era marcar encontro com a perseguidora.

Naquela altura os Delfins vestiam umas roupas desenhadas pelo estilista Nuno Gama com umas gravuras religiosas como as do quadro do Sagrado Coração de Jesus que havia em casa de todos os nossos avós num tapete de veludo estampadas nas t-shirts, e a senhora, que estava envolvida com a Igreja Universal do Reino de Deus, vendo nele o seu salvador.

 

Fantasiava que um dia iria descer à capital para cumprir o desejo tardio de entrar na faculdade, foi confessar-se ao pastor da IURD que atirou um foguete ao ar garantindo-lhe que ela conheceria um homem loiro e de olhos azuis com umas imagens desvirtuadas de santos na camisola e zás, o Miguel Ângelo, que ela viu no Cantigas da Rua da SIC lá para as bandas da suposta aparição com uma t-shirt da Nossa Senhora e dos Pastorinhos foi tomado como sendo o enviado para resolver os seus problemas, pagar-lhe o curso, dar-lhe uma nova vida.

Para a convencer que não, que não era ele, foi um sacrifício. A perseguição só terminou quando o cantor enfatizou que um ateu como ele nunca poderia ser o salvador de uma cristã.

 

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