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Los Hermanos e o passeio de Anna Julia por terras lusitanas

Los Hermanos e o passeio de Anna Julia por terras lusitanas

 

Los Hermanos, colectivo brasileiro que saiu do anonimato com o tema Anna Julia, estiveram em 2007 em Portugal para promover o seu último trabalho de originais, 4. Mais lento e melancólico do que os anteriores, o álbum chegou às lojas em 2005. Neste artigo, recordo a passagem do grupo por terras lusas, assim como o disco que foi de ouro.

Rodrigo Barba, Bruno Medina, Marcelo Camelo – atual membro da Banda do Mar – e Rodrigo Amarante – agora a dar cartas em nome individual e internacionalmente com Tuyo, música do genérico de Narcos – compõem o colectivo brasileiro que se tornou popular em 1999, data de estreia do primeiro disco, o homónimo Los Hermanos. Ao contrário de outras bandas que editam discos anualmente, Los Hermanos mantiveram um compasso de dois anos para cada novo trabalho.

los-hermanos-quatro-mundo-de-musicasPelo menos, foi este o ritmo que mantiveram até declararem hiato em 2007. Apesar de se terem reunido várias vezes, para fazerem tournées pelo Brasil, Los Hermanos não se voltaram a fechar no estúdio para produzir um novo álbum.

Para o álbum 4, o grupo voltou a convidar o produtor Kassin, que já havia produzido o álbum anterior, Ventura, em 2003, e participado como baixista no segundo disco, intitulado Bloco do Eu Sozinho (2001). Edu Morelenbaum, Stéphane San Juan, Fernando Catatau e Jota Moraes são outros dos músicos convidados que dão o seu contributo em «4».

Mais lento e melancólico de que os anteriores registos, a composição das letras foi dividida entre Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante. O mar, a maré e o vento são alguns dos temas abordados e, talvez por isso, quem ouve o disco tenha a sensação de ser embalado numa maré que em alguns momentos está calma, mas num ápice nos faz estar na crista da onda.

Doze temas compõem o universo de 4 seleccionadas de um naipe de dezassete canções. Segundo Bruno Medina, “as músicas escolhidas foram sendo formatadas à medida que a própria personalidade do disco foi surgindo. A partir do momento que tivemos um conjunto de músicas que ao mesmo tempo iam atraindo umas e repelindo outras, o processo de selecção acabou por ser muito natural”.

Bruno Medina: “os nossos fãs têm uma relação muito visceral com as nossas músicas”

“Neste álbum quisemos significar mais por menos, ou seja, ter menos faixas, mas que elas ocupassem um espaço maior na compreensão do nosso trabalho, porque os nossos fãs têm uma relação muito visceral com as nossas músicas”, sublinha Medina.

 

Como em qualquer trabalho colectivo, as discussões fizeram parte do processo de criação, mas o facto de procurarem um refúgio para a elaboração de cada novo trabalho ajuda a que os laços de amizade saiam reforçados e que analisem à distância o que foi feito até então.

“Desta vez decidimos passar uma temporada na serra. O refúgio acaba por ter dois objectivos: em primeiro lugar, não sofremos a pressão de uma pré-producção inerente a um disco convencional, onde o relógio não pára e estamos preocupados em saber se o dia foi produtivo ou não. Montamos o nosso equipamento, tocamos a partir da nossa vontade, o que torna a nossa relação com o tempo mais leve. Em segundo lugar, temos a oportunidade de reforçarmos os laços que nos unem e que muitas vezes não é possível fazer enquanto estamos em digressão”, confessa.

 

O êxito alcançado com o tema Anna Julia levou Los Hermanos a abandonar os locais pequenos e alternativos onde costumavam actuar. De um momento para o outro a banda deixou de dar concertos para trezentas pessoas, para começar a ter à sua frente uma plateia de mais de três mil. No entanto, a euforia do primeiro álbum não se sentiu no segundo, uma vez que este apontava para novas direcções. A editora da altura abandonou o projecto por não acreditar que este fosse comercialmente viável. Los Hermanos ficaram por sua conta e risco.

Bloco do Eu Sozinho acaba por marcar um ponto de viragem na carreira da banda que quer continuar a ter liberdade de fazer música sem sofrer qualquer tipo de pressões externas. “Temos um percurso que nem sempre foi rectilíneo, mas as curvas ajudam-nos a ir mais longe. Não optamos pelo caminho mais fácil e podemos dizer que todos os discos são um ponto de viragem na nossa carreira”.

 

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