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Lily Allen: Sheezus lança um olhar crítico ao mundo da música

Lily Allen: Sheezus lança um olhar crítico ao mundo da música

 

Os fãs de Lily Allen tiveram de esperar cerca de 5 anos para ouvir novos trabalhos da irreverente artista da música pop. Desde que o álbum It’s Not Me, It’s You chegou ao mercado em 2009, pouco se ouviu de Lily Allen. Fora algumas colaborações ocasionais e a cover de uma música dos Keane, o hiatus que artista anunciou no Twitter foi levado a sério. E, como seria de esperar, esta ausência não passou despercebida entre os fãs mais curiosos e os impunes tabloides britânicos.

Na verdade, as razões por detrás deste silêncio musical são muito legítimas. Na sequência de uma gravidez interrompida, do casamento com Sam Cooper e do nascimento das suas duas filhas, Lily Allen pôs o microfone de lado durante uns tempos para se dedicar a um novo capítulo. Quem a pode julgar? Ainda assim, não pense que a maternidade e a vida de casada afrouxaram a irreverência a que estava habituado em Lily Allen. Longe disso.

A artista de êxitos como Smile e The Fear prova, com o álbum Shezzus, que ainda tem muito para cantar e dizer. O tempo em que se manteve longe da indústria musical pode ter mudado muito mas, como canta Allen no single que tem o mesmo que o álbum, está de regresso para conquistar a sua coroa. Com uma perspetiva muito satírica da indústria musical, Lily Allen não tem papas na língua e canta tudo aquilo que pensa, mesmo que por vezes seja inconveniente.

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Lily Allen canta sobre o estado da música (e outras polémicas)

Been here before, so I’m prepared é o primeiro verso do single Shezzus e um excelente começo para esta análise. A música Shezzus, lançada em 2014 (poucos dias antes do álbum) faz um resumo a quase tudo o que se passou no universo da música enquanto Lily Allen se manteve afastada. Afinal, não foram só os fãs que sentiram este hiatus. Para além de referências a artistas populares do momento, como Beyoncé, Rihanna, Katy Perry, Lady Gaga e até mesmo a jovem Lorde, Lily Allen deixa claro que espera dar o seu contributo e encontrar um lugar entre estes nomes contemporâneos da música.

Sempre irreverente, com uma ousadia que alguns críticos adoram criticar, a intérprete britânica está mesmo decidida a garantir a sua coroa: Give me that crown, bitch, I wanna be Sheezus.

Mas será a sua música uma sátira às artistas que refere? É uma homenagem ao trabalho que se tem feito na música? Por aqui, acho que Shezzus é uma mistura dos dois. Com um ritmo catchy e uma letra com entoação, Allen lança a base para um álbum que, mesmo não sendo de estreia, marca uma nova etapa na sua carreira.

Antes de Shezzus já conhecíamos Hard Out Here. Na verdade, este foi o single que mais deu que falar. Num claro ataque à indústria musical, Lily Allen aborda problemáticas como o sexismo e a valorização de estatutos que são procurados apenas por serem comerciais. Como seria de esperar, a polémica despertada foi gigantesca. O vídeo tornou-se viral nas redes sociais.

 

As críticas apresentadas em Hard Out Here atingiram inúmeros artistas e produtores musicais, ainda que indiretamente. You should probably lift some weight, ‘cause we can’t see your bones é um dos muitos versos da música que representa bem isto de que falo. Entretanto, Allen critica as artistas que “abanam o rabo” enquanto ela mesma surge, no seu próprio vídeo, ao lado de dançarinas, de raça negra, a fazer twerk. Imediatamente acusada de hipócrita, foi também rotulada de racista. Parecia não ser um bom início para o regresso de Allen, não é? Mas por um lado a propagação do vídeo beneficiou de certeza o lançamento do álbum. Quanto às críticas, a artista nunca deu muita atenção.

Air Ballon já é mais leve, levando-nos a flutuar como o título o sugere. Parece até descontextualizada surgindo no álbum que surge. Alegre, livre de críticas, a música convida-nos a aproveitar o momento, para que a pessoa se deixe ir pelas sensações e se desligue completamente do mundo. Uma excelente escolha musical para quem estiver a entrar de férias e se quiser desligar de tudo à sua volta.

O single Our Time traz de novo a língua afiada de Lily Allen. Ainda que de forma mais subtil, a intérprete canta sobre festas, diversão e ser este o seu tempo para se divertir. Ao cantar We don’t give a damn at what people say demonstra que se afasta realmente de tudo o que dizem sobre si e o seu trabalho. No vídeo, vemo-la a divertir-se com… ela mesma.

Porém, os fãs mais atentos, assim como críticos, apontaram que a letra é muito semelhante à do êxito We Can’t Stop de Miley Cyrus. Isto, claro, gerou polémica. Fora as questões de plágio, a ideia de ter uma música semelhante à de uma figura que Allen supostamente critica noutras faixas dá razão a quem não gosta da artista britânica.

Uma das minhas preferidas do álbum – se não mesmo a preferida – é a música URL Badman. Pelo título não é difícil perceber sobre o que é que a artista canta: o mundo da Internet, algo que também já o fez em Insicerely Yours. Porém, nesta música, acredito que a combinação de ritmo e letra está muito bem conseguida e que a música consegue ficar no ouvido, talvez até melhor que Hard Out Here. Um discurso claro sobre a utilização da Internet em pleno século XXI, com sentimentos, ironia e WordPress misturados na mesma música.

O álbum conta com outras faixas, como a eletrizante L8 CMRR, a (quase) balada Close Your Eyes e, claro, a cover Somewhere Only We Know dos Keane. Para já, a artista ainda não anunciou para quando poderemos esperar um novo álbum. Por cá, calculamos que o seu trabalho futuro seja tão polémico como aquele que já conhecemos e torcemos os dedos para que não demore, outra vez, 5 anos a sair.

   

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