Home / Grunge /

Kurt Cobain: a voz poderosa que impôs uma revolução musical

Kurt Cobain: a voz poderosa que impôs uma revolução musical

 

Kurt Cobain foi e será para sempre uma lenda da cultura pop/rock. A sua carreira musical, mesmo que terminada de forma abrupta e precoce, foi marcada por uma ferocidade que revolucionou o mundo da música. Ainda hoje, Kurt Cobain é relembrado por ter transformado a angústia do punk rock em música pop como nunca antes tinha sido visto… ou melhor, ouvido. Considerado como emocionalmente versátil, o líder dos Nirvana reflecte também uma pesada herança deixada pela música rock, blues e folk.

É um facto de que para uma pessoa se tornar uma “estrela” tal como a concebemos não basta ter talento ou génio, por vezes parece ser necessário também possuir um vazio interior negro e profundo. O problema é que as “estrelas” não são seres divinos, mas sim homens e mulheres falíveis, que muitas vezes vivem atormentados por demónios e inseguranças à vista desarmada do público.

Em muitos casos, o sucesso comercial representa em simultâneo o ínicio do período de declínio pessoal, por norma envolvendo drogas e álcool. No mundo do entretenimento foram muitas as personalidades artísticas que confirmaram esta tendência, como Charlie Chaplin, Marilyn Monroe, Edith Piaf, Jim Morrison, John Lennon ou Amy Winehouse. Infelizmente para todos os que adoravam ouvir novas músicas dos Nirvana, Kurt Cobain pertence a esta categoria de artistas.

Kurt Cobain: dos desenhos na parede aos Nirvana

Mas qual é a história de Kurt Cobain e porque razão criou um vazio interior tão intenso que o levou a terminar com a própria vida? O músico norte-americano nasceu a 20 de fevereiro de 1967 numa família simples da classe média. Os que se lembram dele em criança recordam que era muito criativo e que enchia as paredes do quarto com desenhos da Disney. Isto para não falar, claro, do facto de ter começado a tocar piano com 4 anos.

Kurt Cobain: Montage of Heck (Official Trailer)

 

No entanto, um acontecimento veio mudar a vida de Kurt Cobain quando tinha apenas 11 anos: os pais divorciaram-se. Anos mais tarde, o cantor falou desta época com mágoa, confessando sentir vergonha pelo fim do casamento dos pais. Foi nesta fase também que se tornou mais insolente, desenvolvendo um espírito crítico, sarcástico e irónico que mais tarde seria usado na criação de músicas e letras dos Nirvana. Os registos dizem que chegou mesmo a frequentar terapeutas, após ter atacado vários colegas na escola. (Toda esta história é contada de forma brilhante no excelente documentário de 2015, intitulado Kurt Cobain: Montage Of Heck e assinado pelo realizador Brett Morgen. A filha de Kurt Cobain, Frances Bean Cobain, é a produtora executiva deste documentário totalmente autorizado e coproduzido pela Universal Pictures International Content Entertainment Group e pela HBO Documentary Films. Kurt Cobain: Montage of Heck está disponível na Amazon e também na FNAC.)

Pouco depois conheceu Krist Novoselic e focou a sua atenção na música. Por esta altura, o jovem Kurt Cobain já tocava guitarra elétrica (uma prenda que recebeu aos 14 anos) e ansiava por criar uma banda. Assim nasceram os Nirvana. Em 1988, a banda grava as suas primeiras demos e é lançado o single Love Buzz, que causou sensação imediata em Seattle.

O trio tornou-se rapidamente uma banda de culto na cidade, alcançando um sucesso moderado com o disco Bleach (1989). Contudo, foi com o mítico álbum Nevermind (1991) que Kurt Cobain iniciou a escalada para o sucesso global e se tornou um ícone universal.

Nirvana - Smells Like Teen Spirit

 

Considerado o disco mais importante da década de 90, Nevermind constitui um ponto de viragem na história da música. Muito do êxito do disco vem naturalmente da voz de Kurt Cobain, que verbalizou o mesmo vazio interior negro que sempre sentiu. Todavia, desta vez encontrou ressonância em muitos milhões de pessoas. Perante tamanho sucesso e exposição pública, Kurt Cobain iniciou a rota de descida, tendo apenas gravado mais um álbum (In Utero) antes de cometer suicídio em 1994.

Kurt Cobain: quando falta a excitação para ouvir e escrever

Na história de Kurt Cobain existe uma outra personagem a merecer destaque: Courtney Love. A cantora das Hole conheceu o líder dos Nirvana em 1989 quando assistiu a um concerto. A relação entre Love e Cobain, marcada pelo uso de drogas e pela música, culminou na gravidez de Courtney e no casamento dos artistas, no Hawaii.

Não muito depois, em 1994, Kurt Cobain suicidou-se na sua casa em Seattle. Aquela não era a primeira tentativa de suicídio do artista. O corpo, descoberto três dias depois por um eletricista que ia instalar um sistema de segurança na casa, estava acompanhado por uma carta de despedida a Boddah, o amigo imaginário de Kurt. Entre as suas palavras, diz: “Não tenho sentido a excitação de ouvir, bem como de criar música, assim como a de realmente escrever… há já alguns anos.”

 

Leia também aqui 10 músicas para relembrar o melhor de Kurt Cobain

DISCOS RECOMENDADOS DOS NIRVANA:

Bleach

Nevermind

In Utero

MTV Unplugged in New York

 

Partilhar este artigo

Comentários

  • 03 setembro, 2015

    Adorei conhecer a história dessa estrela do rock. Uma pena ter morrido da forma que morreu.
    Obrigado pela visita ao meu blog! Estarei sempre por aqui.

    http://www.jj-jovemjornalista.com/

  • Gonçalo Sousa
    22 setembro, 2015

    Olá Emerson, obrigado pelo seu comentário. Também acho uma pena não só Kurt Cobain ter morrido tão jovem, mas não termos mais músicas dos Nirvana. Sinto falta desta banda na minha vida há mais de 20 anos… forte abraço!

  • Oliveira
    28 agosto, 2017

    Sou fã dos trabalhos oficiais e não oficiais do Nirvana (não do Kurt, do Nirvana), mas dizer que a voz dele era poderosa, significa deixar de lado as do James Hetfield e a do André Matos de lado. Inconfundível? Sim! Esse esteriótipo de “vazio interior negro e profundo” e “drogas e álcool” é conversa. Meu pai morreu cedo, minha mãe me atormentou a vida inteira e nem por isso saí me destruindo assim, claro que não sou um músico famoso, mas cresci um adulto triste e estou aí até hoje.

Deixe um comentário

Your email address will not be published. Required fields are marked *