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Joan Baez: a lenda viva que concilia a música com o ativismo

Joan Baez: a lenda viva que concilia a música com o ativismo

 

O lado ativista de Joan Baez mostrou-se de várias formas, mas resumia-se num só objetivo: promover a paz. Polémica e contrapoder, Baez já viveu o suficiente para ver nascer astros e vê-los cair. Ao longo dos anos, tem-se mantido na categoria de lenda, posição de que ela própria está consciente. Tudo começou nos anos 60.

De menina a estrela folk, Joan Baez nasceu no ano de 1941. O pai trabalhava na UNESCO e, como resultado, ela era obrigada a viajar de cidade em cidade, de país em país. Durante a infância e adolescência, a família Baez viveu em Inglaterra, França, Suíça, Canadá e Iraque. A diversidade cultural com que foi contactando viria a determinar a visão do mundo da futura artista que, lentamente, começava a despertar para assuntos como os direitos civis ou o combate à violência.

A carreia musical começou no inicio dos anos 60, em conjunto com a irmã mais velha, com quem normalmente costumava compor. O sucesso foi praticamente imediato: Joan Baez destacava-se pela voz soprano e pelo violão de que se fazia acompanhar. Em 1963, Joan já era uma das artistas mais famosas e acarinhadas dos Estados Unidos da América.

Foi também no início da década que se deu o envolvimento com Bob Dylan. O artista, que dava os primeiros passos, chamou a atenção de Baez, na altura já em ascensão ao título de Rainha do Folk. Inicialmente interessado pela irmã, Dylan acabou por se apaixonar por Baez, muito devido à pressão mediática, dizem. Independentemente do motivo, os jovens mantiveram-se juntos e a união transpareceu na música.

Anos mais tarde, a relação começou a deteriorar-se graças àquilo que Joan Baez considerou uma frieza desnecessária por parte de Dylan, assim como por divergências políticas que se acentuaram. De acordo com a filha do cantor, citada pelo Daily Mail, Dylan recusou casar-se com Baez porque ela era tão controladora quanto ele, e porque o jovem  não queria competir musicalmente com a namorada.

Entretanto muito se especulou na imprensa sobre os reais motivos da separação. Numa entrevista recente em que Dylan foi assunto, Baez optou por uma posição mais resguardada. Quando questionada se os dois ainda mantinham contacto, a cantora e ativista respondeu com um sorriso, dizendo que “é impossível alguém manter-se em contacto com Bob Dylan“.

O humor que mostrou na reposta esteve sempre presente ao longo do seu trabalho. Ao mesmo jornal, a cantora falou com naturalidade, referindo uma pergunta caricata sobre a a vida pessoal muito mediatizada. Além de Bob Dylan, Baez envolveu-se com o jornalista e manifestante, David Victor Harris, com quem partilhou várias causas, e com o fundador da Apple, Steve Jobs.

“Uma vez uma jornalista australiana ligou-me e disse: «alguma vez lhe ocorreu que é a única mulher no mundo que viu tanto Steve Jobs como Bob Dylan nus?» Respondi-lhe: «mas nunca ao mesmo tempo»”, contou bem-humorada.

As muitas causas de Joan Baez

A longa carreira musical de Joan Baez tem originais, mas é de covers que se faz a maior parte do seu trabalho. Diamond & Rust, que escreveu em novembro de 1974, será provavelmente o seu original mais conhecido. A discografia conta com um total de 32 discos e 15 compilações e dela fazem partes grandes clássicos, como The Night hey Drove Old Dixie Down e House of the Rising Sun.

 

De ascendência metade hispânica, metade escocesa, Joan Baez começou no folk, mas com o tempo foi abraçando outros géneros, do pop ao country, passando até pelo gospel. Críticos dizem que a atividade política terá, em certa medida, comprometido o sucesso como cantora, desviando as atenções de Baez para as causas e não para as músicas. Mas quais as (muitas) causas a que a cantora esteve associada? Apresentamos abaixo algumas das mais importantes.

Movimento pelos Direitos Civis

Mesmo antes de se tornar conhecida, Baez já era ativista. Na década de 50 ouviu pela primeira vez um discurso de Martin Luther King Jr. Pouco depois, os dois tornaram-se amigos e Baez começou a participar em várias manifestações do Movimento pelos Direitos Civis. Quando tinha 17 anos, cometeu o seu primeiro ato de desobediência, recusando-se a abandonar o liceu de Palo Alto. Mais tarde, como cantora, continuou a apoiar o movimento com temas icónicos como We Shall Overcome.

Guerra do Vietname

Na segunda metade do século XX, a investida dos Estados Unidos da América contra o Vietname levantou várias vozes que se opunham à violência. Joan Baez foi uma delas: a jovem chegou inclusive a ser presa duas vezes por tentar bloquear as forças armadas, em Oakland. No natal de 1972, Baez fez parte de uma delegação de paz que viajou até ao Vietname do Norte para entregar cartas aos prisoneiros de guerra norte-americanos. No meio da viagem, foi apanhada pelo Christmas Bombing.

Direitos humanos

Na década de 70, Joan Baez desempenhou um papel importante no apoio à criação da secção norte-americana da Amnistia Internacional. Mais tarde, graças à experiência no Vietname, a cantora decidiu fundar um grupo pela igualdade e contra a opressão, chamado Humanitas International. Desde então, o trabalho na área dos Direitos Humanos valeu-lhe vários prémios. Baez também viajou por vários países, intervindo em momentos importantes da História, como o Massacre de Tiananmen, em Pequim.

Oposição à pena de morte

Em 2005, Baez cantou Swing Low, Sweet Chariot durante uma manifestação contra a pena de morte. Em causa estava a execução de Stanley Williams, o líder de um gangue afro-americano de Los Angeles, famoso por ter escrito várias obras contra a violência no tempo em que esteve na prisão. Apesar do esforço, o protesto de nada serviu, uma vez que Williams acabou por ser morto, em 2005, com uma injeção letal.

Pobreza

Em 2006, Baez juntou-se a um grupo de manifestantes que protestavam contra o despejo dos agricultores comunitários da South Central Farm, em Los Angeles. A cantora passou a noite no topo de uma árvore e cantou temas do seu álbum em espanhol Gracias a la Vida.

Direitos dos homossexuais

A luta pelos direitos LGBT tem se mantido ao longo dos anos. Em 1978, Joan Baez participou num concerto contra a Iniciativa Briggs, cujo objetivo era impedir homossexuais de ensinar nas escolas do estado da Califórnia. Desde então, a artista participou em várias marchas LGBT, sendo que, em 1977, dedicou uma canção à comunidade: Blowin’ Away.

Estes são apenas alguns dos acontecimentos que marcam o ativismo da artista que usou a canção como arma. Pouco consensual, a Joan Baez cresceu em influência para se tornar numa das mais poderosas e importante mulheres do passado e da atualidade.

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