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Jerry Adriani: Adeus, doce, doce amor

Jerry Adriani: Adeus, doce, doce amor

 

No dia 23 de Abril de 2017 faleceu o cantor brasileiro Jerry Adriani (70 anos), ídolo da Jovem Guarda. Ele estava enfrentando um câncer nos últimos meses. Este texto é o nosso adeus ao querido artista que há mais de cinquenta anos enriqueceu a música brasileira.

Relembremos um pouco da sua trajetória.

Nos anos 1960 começou a carreira cantando músicas em italiano, à semelhança dos jovens Pepino di Capri e Jimmy Fontana que exportavam da Itália para o mundo sua música romântica. Sua voz era potente; tinha feito aulas para cantar música lírica, a qual admirava. Mas aqueles tempos eram outros, seus primeiros ídolos, os seresteiros da Rádio Nacional, não emplacavam mais sucessos e os jovens da sua idade queriam ouvir rock and roll. Foi influenciado por Elvis Presley e pelos The Beatles.

Com o fenômeno televisivo do programa Jovem Guarda, Jerry Adriani mostrou todo o seu talento nas ondas do iê-iê-iê. Era o mais jovem artista a participar do programa.

Ao lado daquela juventude de peso, como Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderley Cardoso, ele lançou a trilha sonora de muitos corações apaixonados. Um dos seus maiores sucessos chamou-se “Doce, doce amor” (que deu título a este texto), uma composição de Raul Seixas, antes do baiano ser reconhecido como o maior nome do rock nacional. Jerry foi o artista mais importante na carreira de Raul, pois foi o responsável por leva-lo ao Rio de Janeiro, onde anos mais tarde seria descoberto (em 1972), após compor, tocar e produzir o jovenguardista.

De todos os seus contemporâneos, ele era o mais versátil, lançando trabalhos em várias línguas e vários estilos. Tocou blues e soul music, gravando compositores de peso como Hyldon (famoso compositor de sucessos de Tim Maia), quem lhe deu a canção “Gioconda”. “Querida”, versão de “Don’t Let Them Move” de Chuck Howard, foi um dos seus maiores hits, lançada em 1966, época de inúmeros sucessos para a juventude.

 

Ao longo da sua carreira de cinquenta e três anos, Jerry Adriani gravou. Em 1990 gravou “Elvis Vive”, álbum em que interpreta versões em português para as músicas do Rei do Rock; em 1999 “Forza Sempre”, com clássicos da Legião Urbana em italiano, o álbum traz “Nel Frattempo”, “Uma volta”, “Monte Castello”; em 2002 gravou “O som do barzinho italiano”, com músicas italianos em gravações ao vivo simples, o álbum reúne “Caruso”, “Roberta”, “Champagne”, “Io Che Amo Solo Te” e “Il Mondo”; em 2012 lançou “Família”, um disco gospel, que reúne músicas católicas como “Pai Nosso”, “Tudo é do Pai”, “Ave Maria” e “Aleluia”. Seu último trabalho mostrou todo o seu talento multifacetado – “Outro Jerry Adriani”. O DVD gravado em preto e branco e trazendo canções nunca antes ouvidas pela sua voz.

Quem ouvir estas últimas gravações, como “Georgia on my mind”, “Sugar man”, “Medo da chuva” ou “Resposta ao tempo” ficará com a sensação de que o artista gravou seu melhor trabalho, com toda energia física e artística e fechou sua carreira com chave de ouro. Ficam sua obra, seu romance e saudade no coração dos seus familiares, amigos e admiradores.

Adeus, doce, doce amor.

 

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