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A moca de Jay Aston na minha primeira entrevista

A moca de Jay Aston na minha primeira entrevista

 

Acabado de entrar na carreira jornalística com todo o fulgor e – como diziam lá na redacção – “tesão do mijo”, incentivado pela fanática namorada fui a um hotel de Espinho “tentar sacar uma entrevista ao Jay Aston”.

Quem? “Santa ignorância. Aquele assarapantado guitarrista e cantor dos Gene Loves Jezebel”. Ah, pois, sem marcação, fomos atrás deles na Renault 4 L, apanhámos o magrela mesmo ao virar da esquina do salão com o uísque a derramar do copo sobressaltado.

“Ui, que moca” exclamou a moça, risadinha fina e uma cotovelada, “bora lá, diz-lhe que o queres entrevistar”.

Ah, sim, a banda que toca “Break the chain”. “Claro, claro, uma entrevista, fixe meu”, respondeu o músico visivelmente alcoolizado. Sentámo-nos a falar já não sei bem de quê, lembro dele ter dito algo sobre a sua música ser “um beijo à vida porque a terra é um corpo celeste”, ele já no décimo primeiro uísque, às tantas vai à casa de banho, volta pálido, “está tudo bem Jay?”, palmadinha nas costas, calma calma, “ok, I’ve to go, see you”, e lá foi cambaleante, a namorada ainda correu para o ajudar, que não precisava.

“Caramba, que cena”, repetíamos, a minha primeira entrevista foi com um alucinado que estava todo bêbado e ainda se foi drogar à casa de banho. Quando entrámos na discoteca “Olé Olé” o ambiente estava ao rubro.

 

“Percebes agora que esta banda é objecto de culto? Eles tecem uma trama inspirada no sedutor, na liberdade, no lado mais místico da existência humana. Este novo disco, o “Heavenly Bodies”, é de umas ambiências vibrantes de energia envoltas numa aura mágica”, enfatizava, arrebatada, que tinha adorado “o louco do Jay”.

Quando deram os primeiros acordes de “American Dreamer” os rapazes do País de Gales incendiaram de imediato a plateia, coisa estranha o Jay ainda há bocadinho na entrevista estava com os cabelos coloridos de louro e agora tem os cabelos pretos, não é ele?

“Aquele é o irmão, o Michael, que está a cantar “Josephina”, é sobre o amor não correspondido, e agora o tema do filme Interview With A Vampire. Sabes tudo destes gajos mas onde é que está o Jay, será que pintou os cabelos de preto? Só depois de ter escrito o meu primeiro artigo de música é que soube que Jay Aston não subiu ao palco. Tinha passado a noite num hospital do Porto.

 

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