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Overgrown: James Blake cresceu e a sua música também

Overgrown: James Blake cresceu e a sua música também

 

James Blake tem-se tornado nos últimos anos um nome bem conhecido dos festivais portugueses. Mestre da música eletrónica, o londrino passou pela primeira vez em Portugal em 2011, quando tinha 23 anos e era ainda um rapaz tímido. Mais tarde, em 2013, regressou para o festival NOS Primavera Sound, ocasião em que tive oportunidade de o ver pela primeira vez.

Mas como disse, a presença de James Blake nos palcos portugueses tem sido frequente e, logo no ano seguinte, voltei a vê-lo em palco, desta vez no festival Paredes de Coura. Por essa altura já estava mais familiarizado com o seu trabalho e posso dizer que assimilei as suas músicas de forma diferente. Algumas das faixas do álbum Overgrown já se encontravam entre as mais ouvidas na minha playslist do Spotify, assim como músicas do álbum anterior e dos vários EP’s que Blake lançou ao longo da carreira.

Com o primeiro álbum homónimo James Blake, o artista cantou algumas músicas originais a par com covers de outros artistas, nomeadamente A Case of You de Joni Mitchell. Passados dois anos, após muita preparação ao lado de produtores como Kanye West, RZM e Brian Eno, chega finalmente Overgrown, um álbum mais maturo composto inteiramente por músicas originais. No Reino Unido, James Blake fez de tal forma sucesso que recebeu, em 2013, o Mercury Prize, batendo grandes nomes como David Bowie e Disclosure.

Com um estilo que o próprio Blake classifica como ‘baixo melódico’, a mesa eletrónica é posta lado a lado com o teclado do piano para que assim possa nascer um poderoso electro-soul. Numa aparelhagem ou com phones nos ouvidos, a música de Blake é submersiva. Perante o público, é absolutamente hipnotizante, estabelecendo o cenário ideal para partilhar um cigarro com amigos enquanto seguramos um copo de cerveja na outra mão e abanamos a cabeça em sintonia com o som.

James Blake: é possível casar o clássico com o electro?

O êxito Retrograde foi lançado algumas semanas antes do segundo álbum de James Blake e causou sensação imediata. No Reino Unido, chegou à posição 87 das tabelas, resultado que ficou um pouco aquém do esperado. Na Dinamarca já se aproximou mais do top, ao atingir o 10.º lugar. Porém, o sucesso foi encontrado de outras formas, quer através de visualizações no YouTube, quer entre os críticos. Com o passar dos meses, a música foi ainda usada para diferentes propósitos, principalmente em programas de televisão.

Mas o que há de especial em Retrograde? Não é fácil responder a esta pergunta. Combinando o estilo electro a que nos habituou, pontuado com os acordes suaves de um piano e os seus próprios ‘hum, hum’ musicais, James Blake conduz o ouvinte ao longo de uma (quase) sinfonia extremamente calma.

E então parece que rebenta uma tempestade musical. É subtil mas todos a sentem. Auxiliando-se da mesa de mistura e do verso Suddenly I’m Hit (Subitamente sou atingido), parece que somos de facto atingidos por uma sensação impossível de explicar. É impossível que não se sinta melancólico ao ouvir o verso When friends are gone, when you’re friends won’t come.

 

À medida que a música se vai aproximando do fim, a tempestade desaparece tão subitamente como apareceu, encerrando Retrograde com o mesmo tom calmo com que arrancou. Por cá, seguem-se apenas os aplausos por esta excelente peça que prova que electro e clássico podem andar de mãos dadas e ser excelentes amigos.

Mas há mais em Overgrown para além de Retrograde. A música que dá nome ao álbum, por exemplo, mostra ao ouvinte aquilo que poderá encontrar nas faixas seguintes. A voz e a letra são parte importante aqui, mas mais importante ainda é a forma como o instrumental se encaixa com a voz de Blake, parecendo por vezes absorver as palavras, como se se dissolvessem no espectro electrónico colocado em pano de fundo.

De destacar ainda Life Round Here, aquela que é visto pelos críticos como a música ideal para tocar em rádio. Ao lado de Chance The Rapper, James Blake trabalha a batida com desenvoltura, sem temer que o click clack persistente da bateria  conduza a harmonia. Por outro lado, Digital Lion aposta mais no electro, sem dúvida devido à colaboração com Brian Eno. Ao longo de quase cinco minutos, somos submersos num oceano electro, freneticamente ritmado, pontuado ao longe por aquilo que parecem ser as sirenes de um navio.

Para terminar, faço uma última referência àquela que considero ser também uma música importante do álbum: Voyeur. James Blake consegue provocar algo esquisto mas extremamente bom. A abertura conta com as teclas de piano que James Blake tanto aprecia, prosseguindo calmamente até aproximadamente ao primeiro minuto. Nessa altura, a música parece mudar completamente, assim que ouvimos sinetas a tocar e, eventualmente, até mesmo sirenes. A música perfeita para uma pista de dança.

Radio Silence será o terceiro álbum de James Blake e prevê-se que chegue ao mercado em 2015.

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