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Iggy Pop, o iguana selvagem armando um rebelião enquanto se agredia com um microfone

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Iggy Pop, o iguana selvagem armando um rebelião enquanto se agredia com um microfone

 

Iggy Pop chegou numa limusina preta e foi refugiar-se nos improvisados camarins por trás do palco da Queima das Fitas de Coimbra. A custo, consegui que o empresário convencesse o músico a dar-me uma entrevista, mas quando me dirigia até ele fui empurrado por um segurança inglês, certamente com mais de 150 quilos de peso e umas barbas que me pareceram maiores que a descomunal largura do homem.

“Para onde vais? Espera aí fora até eu te chamar”, bradou, jeito bruto e maus modos. É então que vejo o “senhor iguana” sair de dentro do cubículo, descalço e de tronco nu, com este frio como é que é possível, pensei, ele que começou a dar murros no ar, pontapés à direita e à esquerda, uma perna a rastejar mais que a outra, ritmo frenético e alucinante.

“Está a aquecer para o espetáculo”, diz-me alguém ao ver-me de boca aberta, mais surpreso que chocado. Iggy estava a cumprir o final da sua tournée “Caesars World 1994” mas a energia, ainda antes de entrar em cena, era tal que parecia estar possuído. Os cabelos desalinhados cobrindo-lhe o rosto, as veias todas salientes, o tronco nu com os músculos esticados, davam-lhe um ar ainda mais demoníaco. Ao olhá-lo percebi turbulência psíquica, agressividade terapêutica, delírio esquizofrénico.

Tinha então 47 anos mas o vigor era impressionante. As curtas declarações em exclusivo duraram poucos minutos, os suficientes para perceber que estava perante alguém tão fascinante quanto selvagem, ouvindo-o exclamar: “Sou um pesadelo de criança, estou doente e paranóico, aprendi a estar só por entre plástico e cimento”.

 

Recordo-me que entrou em palco ainda de tronco nu, de começar a correr desenfreadamente enquanto cantava “I Wanna Be Your Dog”, de ter aberto o fecho das calças e, entre gestos obscenos, ter urinado, enquanto gritava impropérios, para cima dos incrédulos e anestesiados estudantes que estavam nas primeiras filas.

Instalou-se então uma espécie de rebelião, enquanto ele se agredia com o microfone numa feroz combustão rock. Iggy Pop saiu ainda mais enérgico do que tinha entrado, um lado macabro e as mesmas emanações de animalidade, enfiando-se na limusina preta sem dizer adeus enquanto mais de 30 mil vozes gritavam o seu nome.

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