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História do MP3: quem criou o formato musical?

História do MP3: quem criou o formato musical?

 

Entrou de rompante nos nossos computadores e, a certa altura, tornou-se sinónimo de música. Mas, afinal, qual a história do MP3? E quem é que criou este formato musical? A resposta a estas questões não é simples e obriga-nos a recuar a um período em que a Internet dava os primeiros passos e estava longe de se tornar num fenómeno global.

Voltemos, então, à década de 70, mais concretamente à Universidade de Nuremberga, na Alemanha. Foi nesta altura que Dieter Seitzer, professor nessa instituição, resolveu juntar um grupo de alunos para estudar se havia uma forma de transmitir áudio de elevada qualidade através do telefone.

Experiências com a fibra ótica levaram o grupo a mudar o enfoque da investigação que, a partir daí, passou a dedicar-se inteiramente à codificação de áudio. Mais tarde, um dos alunos do grupo, Karlheinz Brandenburg, introduziu o conceito psicoacústica na codificação áudio. Psico-quê?

A psicoacústica é uma área que estuda a forma como os sons chegam ao nosso cérebro. À semelhança dos outros estímulos, nem tudo o que ouvimos é percecionado. Isto significa que há uma diferença entre o som propriamente dito e aquilo que realmente conseguimos escutar. Tirando partido deste conceito, o que o MP3 faz é juntar sons semelhantes, reduzindo o peso do ficheiro sem que haja uma perda de qualidade percetível à audição humana.

História do MP3: Instituto Fraunhofer e a aposta em hardware

A década de 80 correspondeu a um passo em frente no estudo da codificação de áudio. Foi neste período que a Universidade de Nuremberg criou uma parceria com o Instituto Fraunhofer, uma entidade prestigiada na área da pesquisa e inovação científica e tecnológica.

A colaboração permitiu o investimento em hardware avançado e uma melhoria significativa no algoritmo. Curiosamente, o Instituto Frauhofer instalou-se recentemente em Portugal, na sequência de um programa colaborativo com a Universidade do Porto. Criou-se assim o primeiro centro europeu da instituição fora das fronteiras alemãs.

No final dos anos 80, MPEG é integrado na International Standardization Organization (ISO), uma organização que define os padrões mundiais na conversão de vídeo e áudio. No ano de 1989, o pioneiro Karlheinz Brandenburg apresenta na sua tese de doutoramento um algoritmo avançado, chamado Optimum Coding in the Frequency (OFC) e que possuía já a maior parte das características do MP3.

Dois anos mais tarde, esse algoritmo é aperfeiçoado e nasce o Adaptive Spectral Perceptual Entropy Coding (ASPEC), um codec  para o qual contribuíram a AT&T Thomson e a Universidade de Hannover. Pouco depois, o nome muda de ASPEC para MPEG e ocorrem os testes que dariam origem ao MPEG-2 e ao MPEG-3.

 

A abreviatura para MP3 só chegou em 1995 e o nome foi escolhido por unanimidade. Foi então que os ficheiros passaram a usar a extensão que hoje conhecemos, o .mp3. A chegada ao mercado ocorreu também neste ano, altura em que o codec começou a ser difundido gratuitamente como shareware.

A reação do público foi extremamente positiva: a partir daquela data, era possível armazenar ficheiros sem ter de estar constantemente a trocar de CD. A difusão ganhou muito com a Internet e com a possibilidade de trocar ficheiros entre amigos. Em 1998, surgia o primeiro MP3 Player, o antigo Rio PMP300 da Diamond Multimedia (ver imagem), um dos primeiros leitores de MP3 e o primeiro sucesso comercial.

Um novo passo na história do MP3

Embora já nos anos 90 se adivinhasse o sucesso do MP3, foi no século XXI que o formato de ficheiro viu a sua popularidade crescer. Durante este processo, não há como não referir o Napster, o atual serviço de streaming que na altura era um programa P2P dedicado à partilha de ficheiros MP3.

Nas palavras do criador, Shaw Fanning, o programa surgiu mesmo com o objetivo de massificar os ficheiros de música, uma vez que na época era muito difícil encontrar arquivos MP3 disponíveis online. Assim nasceu o Napster que, depois de ser testado entre amigos, chegou aos computadores de todo o mundo.

O sucesso não escapou a algumas polémicas. A maior delas todas foi a que envolveu os Metallica. Depois do vazamento de uma música, o grupo decidiu processar o dono do programa e o Napster acabou mesmo por encerrar no ano de 2001, depois de uma disputa em tribunal e que foi altamente mediatizada.

Apesar da vitória, o facto é que com o fim do Napster acabaram por surgir uma infinidade de redes P2P (musicais ou generalistas) que imitavam o modelo. A empresa acabou por ser vendida no ano de 2002, acabando de reabrir como uma loja de música digital e, mais tarde, serviço de streaming.

 

   

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