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Guns N’ Roses em Brasília: Anatomia de um Show Perfeito

Guns N’ Roses em Brasília: Anatomia de um Show Perfeito

 

Essa resenha de hoje é muito especial. Afinal de contas, se trata de um review feito por um fã, que jamais imaginou – assim como a grande maioria – que um dia fosse possível ver os fundadores da banda mais perigosa do planeta (como era conhecida no final da década de 80 e início de 90) tocando juntos novamente. Há um motivo para tanto descrédito, envolvendo o retorno de uma banda de rock: o polêmico vocalista (e chefão da banda) Axl Rose.

Durante uma entrevista concedida, alguns anos atrás, Axl foi questionado a respeito de uma futura reunião com os antigos membros fundadores dos Guns N’ Roses, Slash e Duff McKagan. A resposta dada por ele foi seca e direta: “Not in this lifetime” (em tradução livre seria algo como “não nessa vida”).

Na época, ele e Slash (guitarrista solo) estavam envolvidos em processos judiciais a respeito dos direitos autorais sobre a banda. A cena começou a mudar de figura somente em 2014, quando a dupla voltou a se falar e “surgiu” a chance de Slash retornar ao posto de guitarrista principal da banda.

E depois de quase dois anos de planejamento, se iniciou, nos EUA, no dia 1º de abril de 2016 (claro que foi uma escolha proposital, para manter o suspense) a “Not In This Lifetime Tour”, uma turnê mundial que vai percorrer os principais países ao redor do mundo, em 2016 e 2017!

Foram vários shows na terra do Tio Sam até chegarem à América Latina, com shows no Peru, Chile, Argentina e, finalmente, Brasil!

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Como o Guns N’ Roses era um show muito esperado, decidi investir um pouco mais e comprar um ingresso mais perto do palco, em Brasília. E como valeu a pena o investimento feito!

Chegamos à capital federal por volta das 16h. Até aquele momento, apesar das nuvens no céu, não havia muitos indícios de chuva. Até aquele momento…

Logo na entrada, já dentro do estádio, dava para perceber que a lotação não seria completa, como aconteceu em São Paulo, que inclusive teve uma data extra agendada, devido a grande procura por ingressos (a banda fez dois shows na capital paulista, nos dias 11 e 12 de novembro).

O show de abertura, capitaneado pela banda Plebe Rude, surgida na cena do rock de Brasília, na década de 80, se iniciou pouco antes das 19h. A primeira música tocada foi “Sua História”. Pouco mais de 50 minutos depois e eles começaram a tocar a mais famosa, que possui uma letra atemporal, “Até quando esperar”!

Foi um ótimo show de abertura e, mesmo não conhecendo a grande maioria do repertório, eu gostei bastante! Banda muito bem entrosada, com uma boa pegada ao vivo.

Logo com o fim do show de abertura, começaram a se formar pequenas aglomerações. Nas arquibancadas era possível ver o vai e vem dos fãs, tornando o estádio cada vez mais cheio e com menos assentos disponíveis.

Depois de reunida toda a turma, fomos para o canto direito da área reservada, que estava mais vazia e, portanto, seria mais fácil de chegar mais perto do palco.

 

O show dos Guns N’ Roses em Brasília

Durante a turnê inteira, a banda (leia-se Axl) havia se atrasado pouquíssimas vezes. Mas o show de Brasília, por ser o último em terras tupiniquins, teve seu tradicional atraso (de 1h mais ou menos).

Eis que se iniciam as primeiras imagens no telão, ainda com as luzes acesas para a plateia, com o símbolo do Guns N’ Roses sendo formado em uma espécie de calendário, que girava constantemente.

Isso aconteceu por uns 10 minutos, aproximadamente, até aparecer o nome da turnê. Passado mais um tempo, mais algumas imagens surgindo, até que os telões laterais começam a mostrar o símbolo da banda, com as mais diversas armas, uma arma cromada, uma metralhadora, uma espingarda antiga. Enfim, teve para todos os gostos.

Eis que, por volta das 21h, as luzes se apagaram e começou a tocar o tema de Looney Tunes. Como estávamos bem próximos ao palco, mesmo no escuro, dava pra ver a banda surgindo e o coração disparando, ao se ouvir nas torres de som: BRASÍLIA, GUNS N’ ROSES!!!!!

Os primeiros acordes do baixo já deixavam claro que eles não estavam pra brincadeira… Começaram o show com explosões introduzindo “It’s So Easy” e logo depois emendaram “Mr. Brownstone”. Duas músicas clássicas, rápidas, diretas, para não deixar dúvida de quem estava no palco!

Sem muito tempo para conversas, foi possível ouvir os primeiros acordes de “Chinese Democracy”, a primeira do último álbum lançado pelo GN’R, mas que não foi gravado pela banda original.

Como todos os músicos possuem um talento extraordinário, isso não fez nenhuma diferença. Pelo contrário, o entrosamento de toda a banda é perceptível durante o show por completo!

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Hora de voltar à década de 80, mais precisamente ao CD de estreia do Guns, “Appetite For Destruction”, com a clássica “Welcome To The Jungle”! Aquele riff inicial de Slash, usando sua cartola característica, com Axl mostrando toda sua força em “Do you know where the f*** you are????? You’re in the jungle, Brasília!!!!!” não sairão tão cedo da memória!

Que música fantástica! Não apenas pela música, mas por toda a produção envolvida. Aliás, o quesito produção foi um atrativo à parte. Desenhos, formas e animações foram uma constante em todas as músicas do show, que juntamente com as explosões e fogos, tornavam o ambiente propício para um show de rock!

Esse foi meu 4º show do Guns, mas essa formação original (quase que por completa) realmente tem uma emoção e uma energia tocando juntos indescritíveis! Realmente fantástico!

Depois de WTTJ, foi a vez de “Double Talkin’ Jive”, com destaque para Slash e um sorridente Duff McKagan destruindo tudo no seu baixo!

Era chegada a hora da primeira surpresa da noite: “Sorry”. Uma música do mais recente álbum, que não fora tocada em nenhum outro show da turnê.

E como ficou demais essa música ao vivo, trazendo um pouco mais de “calmaria” para o ambiente, por se tratar de uma balada, muito bem executada por sinal.

Para manter o show com repertório mais recente, teve início “Better”. Essa música é, para muitos, uma das novas, mas que poderiam ser das antigas, ou seja, uma das músicas mais recentes, mas com uma pegada mais do Guns em seus primórdios.

Contudo, não compartilho dessa opinião. Essa música tem alguns elementos mais eletrônicos, que na banda atual é responsabilidade de Melissa, uma nova integrante, que entrou juntamente com Slash e Duff Mckagan.

Após “Better”, foi a vez de voltar aos velhos tempos, com 5 músicas das antigas, em sequência: “Estranged”, “Live and Let Die”, “Rocket Queen”, “You Could Be Mine” e “Attitude”! Uma sequência matadora, diga-se!

Estranged” é uma música longa, com muitas variações e uma letra maravilhosa. Destaque para Dizzy F****** Reed, tecladista que acompanha a banda desde a turnê de 1991, e tem as iniciais (DFR) iluminadas em vermelho no seu teclado.

Em minha opinião, essa música é uma das melhores do GN’R e foi, sem sombra de dúvidas, uma das mais marcantes do show!

guns-n-roses-em-brasilia-review-4Das outras quatro músicas, darei ênfase a duas delas, apesar de todas terem seus momentos de glória: “Live And Let Die” e “You Could Be Mine”.

A primeira merece destaque pelo alcance vocal de Axl. Como mudou sua voz de 2011 pra cá. No show de 2014 essa mudança já era nítida, mas nesse ano ela é muito mais perceptível. Está cantando como um garoto!

Já a segunda, por ser tema principal de “Exterminador do Futuro 2”, recebeu uma produção magnífica, com desenhos dos integrantes, em formas de caveira, surgindo no telão, juntamente com o show de luzes e imagens no restante do palco.

Para se ter uma ideia de quão grandiosa foi a produção, havia telões de LED instalados até mesmo no vão entre um degrau e outro das escadas, que estavam presentes no palco. Realmente um show sem precedentes!

Após o cover do Misfits, com “Attitude” tendo Duff no vocal, foi a vez de “This I Love”, mais uma balada do último álbum. Essa sim poderia estar entre as antigas, pois começa no piano e depois cresce com a guitarra e o restante da banda. Muito bem executada e inesquecível!

 

Em seguida veio “Used To Love Her”, mais uma surpresa, uma vez que mesmo não sendo inédita na turnê, não é uma música com presença constante no set list. Inclusive, foi tocada somente em Curitiba e Brasília, durante a turnê brasileira.

Com uma letra que trata das mazelas, todas as mentiras, incoerências e ignorâncias de uma guerra, “Civil War”, foi, sem sombra de dúvidas, uma das 5 melhores de todo o show! Que interpretação ímpar, que solo (com uma homenagem a Jimi Hendrix, com “Voodoo Child” sendo tocada na introdução)… Que MÚSICA!!!

Era chegada a vez de uma canção que tinha sido deixada de lado a partir dos anos 2000, mas que voltou com tudo na turnê atual: “Coma”.

Contando a história de quando Slash sofreu uma overdose, ficando à beira da morte no hospital, essa música tem uma psicodelia que não é muito comum do Guns N’ Roses, mas que funcionou muito bem ao vivo!

Ao fim da música, Axl começa a introduzir a banda, passando por Richard Fortus, o outro guitarrista, Duff McKagan (baixo), Dizzy Reed (teclado), Frank Ferrer (bateria), Melissa (teclado e eletrônicos) e Slash (guitarrista principal).

Depois de anunciado, este guitarrista começa um solo que, sinceramente, eu não conhecia (e grande parte das pessoas também não). Mas, com a chuva completando o visual, começaram os primeiros acordes de “Speak Softly Love”, música tema do (excelente) filme “O Poderoso Chefão”.

E que música foi essa! Uma interpretação que fazia não somente a guitarra chorar, mas todos que estavam ali, perplexos, admirando o espetáculo! Realmente um momento único e magnífico! É arrepiante, só de lembrar…

Sem tempo para descanso, e para animar a galera, Slash tocou os primeiros acordes de “Sweet Child o’ Mine”, que, assim como as diversas músicas clássicas presentes no show, foi cantada em uníssono pela plateia!

A chuva não foi problema algum, pois todos pulavam e cantavam tão alto, que era difícil, em alguns momentos, ouvir a voz de Axl.

Esse agito todo do público foi lembrado por todos os integrantes, os quais agradeceram (e muito) a plateia brasiliense nas redes sociais.

Não havia tempo para novidades, então só clássicos foram tocados até se encerrar o show, passando por “Out Ta Get Me”, “November Rain” com uma introdução sensacional homenageando o Pink Floyd, através de “Wish You Were Here”, “Yesterdays”, “Knockin’ on Heaven’s Door”, originalmente gravada por Bob Dylan e, encerrando a primeira parte do show, “Nightrain”!

Depois de uma sequência dessas fica muito difícil (e totalmente injusto) destacar uma ou outra canção, contudo é impossível não ressaltar a clássica “November Rain”, com muita chuva, efeitos pirotécnicos e bexigas vermelhas lançadas ao público, que ajudavam a manter todo mundo hipnotizado!

Ao fim da sequência, vieram os primeiros agradecimentos por parte da banda. Mas todos sabiam que eles voltariam para o bis.

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O BIS

E eles voltaram. Tocaram mais três músicas, sendo a primeira delas “Patience”. Apesar de ser muito conhecida por todos, essa música não é presença constante nos shows atuais, como era em um passado não muito distante.

Depois, mais uma homenagem a uma banda das antigas, o The Who, com o cover de “The Seeker”. Um ótimo cover, mas deixo aqui minha única “queixa” do show, pois eles têm várias músicas gravadas e que poderiam ser tocadas no lugar dessa. Mas não dá pra ficar reclamando muito…

E era chegada a hora do grand finale: “Paradise City”. O início dessa música é sempre uma mistura de sentimentos, pois ela é a última tocada por eles em todos os shows!

É claro, contudo, que esse show precisava ser encerrado com chave de ouro, com a produção fazendo parte do espetáculo. Muitos papéis verde e amarelo picados sendo lançados para cima, com o público agitando, cantando, gritando e formando um visual único, digno de um grande espetáculo de rock!

3 horas depois, com um set list que totalizou 27 músicas, fim de show!

E tome água!! São Pedro realmente não deu trégua, entretanto isso não foi problema em momento algum, nem durante, nem depois do show.

Afinal de contas, o que é uma roupa molhada pela chuva, depois de presenciar um show tão especial e emocionante como esse? Nada, absolutamente nada!

Só nos resta torcer para que a banda continue unida, fazendo shows extraordinários, inesquecíveis e retorne o quanto antes para o Brasil!

Obrigado, Guns N’ Roses!!! A espera valeu a pena!

Até a próxima!

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Set list completo:

01 – It’s So Easy
02 – Mr. Brownstone
03 – Chinese Democracy
04 – Welcome To The Jungle
05 – Double Talkin’ Jive
06 – Sorry
07 – Better
08 – Estranged
09 – Live and Let Die
10 – Rocket Queen
11 – You Could Be Mine
12 – Attitude
13 – This I Love
14 – Used To Love Her
15 – Civil War
16 – Coma
17 – Slash’s Solo > Godfather Theme
18 – Sweet Child O’ Mine
19 – Out Ta Get Me
20 – Slash + Fortus > Wish You Were Here
21 – November Rain
22 – Yesterdays
23 – Knockin’ On Heaven’s Door
24 – Nightrain

BIS:
25 – Patience
26 – The Seeker
27 – Paradise City

Se você é fã dos Guns N’ Roses confira também a nossa coleção de camisetas de homenagem à banda norte-americana e os outros posts dedicados a eles no nosso blog:

Guns N’ Roses Portugal 2017: E Tudo o Vento Levou

Camisetas inspiradas em músicas dos Guns N’ Roses

Você sabia que Axl Rose é o vocalista com maior alcance de sempre?

Guns N’ Roses em Portugal: tudo o que precisa de saber!

Guns N’ Roses no Brasil: o renascer de uma velha paixão

Smoke ’em if You Got ’em: o regresso dos Guns N’ Roses!

 

 

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Comentários

  • Maria Lúcia Scalon
    28 novembro, 2016

    Parabéns pelo texto.Percebe-se a emoção,alegria de poder viver um momento tão esperado. Obrigada por partilhar conosco e fazer com que a gente se sinta presente com você neste show!

  • Marco Aurélio dos Santos Silva
    28 novembro, 2016

    Parabéns Marcone pelos seus comentários é como se estivesse lá no show . Da pra ter uma visão completa dos acontecimentos muito bom mesmo . Continue nos agraciando com sua fantástica sensibilidade. Obrigado

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