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Florence and the Machine: o amor ao som do pop barroco

Florence and the Machine: o amor ao som do pop barroco

 

Só fiquei interessado em Florence and the Machine quando algumas das músicas do segundo álbum, Ceremonials, começaram a fazer sucesso enquanto singles. Embora menos aclamado pelos críticos do que o álbum de estreia, o segundo trabalho da banda inglesa não tardou a encontrar um cantinho no meu iPod, permitindo-me assim ouvir repetidamente cada uma das músicas.

Pela voz da inconfundível Florence Welch, chegam-nos êxitos como Shake It Out, Never Let Me Go e No Light, No Light. Se nunca teve o prazer de os ouvir , fique a saber que se situam entre o rock e o soul, com nuances de folk e de um raro pop barroco que reiventa a harpa e o órgão. E a voz de Florence não é a única a criar música. Para a ajudar, está lá a Machine, composta por sete instrumentalistas e back vocals, entre os quais se encontra Isabella Summers, uma das co-fundadores do grupo.

Na altura do seu lançamento, em Outubro de 2011, Ceremonials chegou rapidamente a número 1 nas tabelas do Reino Unido, provando que o sucesso que a banda tinha alcançado com Lungs não ficaria para trás. Neste post, traço então uma breve análise ao álbum e algumas das suas músicas.

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Florence and the Machine: água, demónios e escuridão

Como disse acima, Ceremonials foi o primeiro álbum que ouvi dos Florence and the Machine. No entanto, já tinha ouvido no rádio alguns dos êxitos anteriores da banda, nomeadamente a bem conhecida de todos Dog Days Are Over, do álbum de estreia Lungs.  Sem perceber bem porquê, sempre associei este êxito ao single de sucesso de Ceremonials: Shake It Out. Com uma sonoridade viva, compassada com um ritmo veloz, tanto uma música como outra me parecem incitar à ação, como se funcionassem bem juntas, daí as considerar “irmãs musicais”.

A estreia de Shake It Out valeu-lhe o 12.º lugar na tabela de singles do Reino Unido, garantindo-lhe rapidamente o lugar de terceiro single mais vendido da banda.Mas, apeser de este ser o maior êxito do segundo álbum, as minhas faixas favoritas são um bocadinho menos conhecidas, se é que assim posso dizer.

Falo, por exemplo, de What the Water Gave Me. Este foi o primeiro single de Ceremonials, lançado como uma espécie de teaser alguns meses antes do lançamento do álbum. Compassado com os acordes suaves de uma harpa, What the Water Gave Me contém em si uma fluidez facilmente equiparável à de um curso de água. A letra parece aprofundar o fracasso de uma relação e o suicídio como a solução para o problema.

Referências a figuras mitológicas, como o titã Atlas – condenado a suportar os céus sobre os ombros – fazem parte da letra, assim como aquela que eu interpreto ser uma clara referência a Virginia Woolf – escritora inglesa do século XX – que, tal como diz na letra, encheu os bolsos com pedras e mergulhou no rio, pondo um fim à própria vida.

 

Segue-se No Light, No Light, considerada pela revista Time como uma das 10 melhores músicas de 2011. Nesta faixa, os Florence and the Machine regressam de novo ao estilo barroco pop a que nos habituaram noutros êxitos. Também aqui podemos ouvir o som distante de um órgão, à medida que Florence proclama No Light, No Light, como se há houvesse luz no final do túnel. Seguem-se claros apelos, numa tentativa de acender essa luz mas sem sucesso algum. O final é marcado por uma espécie de extâse vocal.

A grande balada do álbum, Never Let Me Go, não dispensa também o órgão. Na letra, encontramos claras referências ao mar e o próprio som do oceano ecoa ao fundo, embalando-nos e a toda à musica nas suas ondas. Dito isto, podia estabelecer facilmente um paralelismo com What the Water Gave Me mas o registo musical quer de uma, quer de outra música é absolutamente diferente, assim como o significado. Enquanto na primeira a água é vista como uma solução extrema a um problema, em Never Let Me Go a água é encarada mais como uma submersão psicólogica, uma entrega total e devoção.

Por fim, dou destaque àquela que considero ser a minha música preferida entre as favoritas: Seven Devils. Apesar de não ser single, esta faixa foi já utilizada em inúmeras ocasiões, nomeadamente trailers , filmes e séries televisivas. Com um tom sinistro e enigmático, agraciada pelo melhor do pop barroco que os Florence and the Machine têm para oferecer, a arrasta-nos para um universo dominado por Seven Devils (Sete Demónios).

Após ouvir vezes e vezes esta música, a conclusão a que chego é na verdade simples: o tema principal é vingança. O amor e relacionamentos é normalmente tema central das músicas da banda, mas neste o assunto ganha um novo enfoque: os sentimentos de raiva após uma relação, a necessidade de lançar Seven Devils all around you/Seven Devils in your house, parece o plano perfeito de alguém que não quer absolver os seus sentimentos ressentidos.

Os Florence and the Machine mantiveram-se silenciosos desde o lançamento de Ceremonials, em 2011. O regresso tão esperado aconteceu em Maio de 2015, altura em que a banda lançou o 3.º álbum, intitulado How Big, How Blue, How Beautiful, que também já está a dar que falar.

 

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