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Femina: bendito seja o fruto entre as mulheres

Femina: bendito seja o fruto entre as mulheres

 

De dentes afiados e ouvido apurado, o tigre lendário da música portuguesa mostrou, em 2009, que a oração “bendito seja o fruto entre as mulheres” tem de facto alguma razão de ser. Se acompanha a carreira do artista, provavelmente já imaginou que, neste post, falaremos de Femina, o disco de Paulo Furtado – vulgo The Legendary Tiger Man – que mergulha no universo feminino para trazer à tona 15 temas tão diferentes como as mulheres com quem colabora.

Asia Argento, Peaches, Maria de Medeiros e Rita Redshoes são apenas alguns dos nomes que aceitaram fazer parte do harém do artista. Na altura de compor os temas, Tiger Man pensou em letras e sonoridades específicas para cada uma das colaborações. O objetivo era que cada roupagem musical assentasse na perfeição às intérpretes, refletindo as suas personalidades de forma única. No final, não restaram dúvidas: a missão foi cumprida com (muito!) sucesso.

Coerente mas ainda assim diversificado, Femina consegue manter uma linha que nos faz querer ouvir o álbum do princípio ao fim. De músicas que ficam no ouvido, passamos para sonoridades profundas e por vezes até ligeiramente obscuras. E, se individualmente, cada faixa fala sobre um tema específico, em conjunto, Femina abre a porta para imaginário de Tiger Man sobre o universo feminino, mas não só.

Apesar da visão muito própria, na minha opinião, Femina é mais que mais do um reflexo da mulher (ou da forma como o artista a vê). Ao explorar as dualidades do mundo (masculino e feminino), Tiger Man deixa antever aquilo que de mais humano o Homem (com “H” maiúsculo) tem. Do lado “animal” ao mais apaixonado, o disco é sexy, positivo, triste, vibrante. Nele há espaço para defeitos, virtudes, jogos de engate e desejos que, na vida real, nunca se atreveriam a deixar o plano do pensamento.

Continue a ler a descubra aquele que foi considerado como um dos melhores discos portugueses dos últimos tempos.

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Femina: um álbum com múltipla personalidade

Como referimos, Femina é um disco que junta não só pessoas como personalidades. Life Ain’t Enough For You e My Stomach is The Most Violent in Italy reforçam a imagem exótica e misteriosa da italiana versátil, Asia Argento; These Boots are made for Walking, original consagrado de Nancy Sinatra, ganhou uma nova versão na voz simultaneamente frágil e provocatória de Maria de Medeiros; e a quem melhor serviria o papel de “bad girl”, em She’s a Hellcat, senão a Peaches?

A lista continua com a voz poderosa de Lisa Kekaula, que dá corpo a The Saddest Thing to Say, e segue com Cibelle, doce e inebriada, em I Just Wanna Know (What Were Gonna Do).

 

Light Me Up Twice é o tema mais sexual do disco e foi construído numa espécie de diálogo repleto de segundas intenções entre Paulo Furtado e a portuguesa Cláudia Efe. Em tom provocatório, a canção chega até a meter Deus ao barulho, brincando com conceito de pecado: “God is Everywhere, under a woman’s skirt and inside a man’s pants” (Deus está em todo o lado, debaixo da saia de uma mulher e dentro das calças de um homem) são os primeiros versos do tema.

O mesmo estilo de “conversa” é usado novamente, mas desta vez com Phoebe Killdeer. Em & Then Came the Pain, a cantora assume o papel de “femme fatale”, uma espécie de vício em corpo de mulher, pelo qual Tiger Man se sente magneticamente atraído. À semelhança da grande maioria das músicas anteriores, o disco mantém com & Then Came the Pain um tom energético, apaixonado e sensual, trabalhado sob a forma de rock e blues.

Os mesmos géneros musicais são conjugados em Radio & TV Blues, gravado em conjunto com o grupo Cais do Sodré Cabaret.

O lado intimista de Femina

Retratando as várias facetas do universo feminino, Femina não podia deixar de ter um lado intimista. Depois das “botas” de Maria de Medeiros, Rita Redshoes, velha amiga do artista, contribuiu para o projeto com um original e com uma versão: falamos de Hey Sister Ray e de Lonesome Town (canção imortalizada por Ricky Nelson).

A lista das portuguesas que fazem parte de Femina termina com Mafalda Nascimento, que emprestou o violino a Thirteen, tema exclusivamente cantado por Tiger Man. Esta é a penúltima faixa do álbum, servindo de mote para uma nova versão. Desta vez, deparamo-nos com True Love Will Find You In The End, de Daniel Johnston, novamente na voz doce de Cibelle.

Ainda numa versão mais intimista, não podemos deixar de referir o encontro do “one man band” com a “one woman band”, Becky Lee. Em conjunto, os artistas que sozinhos são capazes de tocar vários instrumentos e encher o maior dos palcos criaram No Way To Leave On a Sunday Night e Old Fashion Man.


   

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