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Evanescence: a jornada atribulada da banda de pop gótico

Evanescence: a jornada atribulada da banda de pop gótico

 

Os Evanescence ocuparam um nicho de mercado que poucos sabiam que existia: um pop gótico digno dos palcos da ópera clássica, baseado na introspecção da barbaridade quando aliada a certas batidas de guitarras. A cantora e pianista Amy Lee assumiu desde cedo uma posição fulcral na direcção do grupo, associando a sua própria personalidade à da banda e vice-versa. Incorporando melhor do que nada a identidade dos Evanescence, Amy Lee foi sempre uma presença constante na banda, apesar de todas as atribulações que tem sofrido.

Os detalhes da história de Evanescence quase permitem construir uma alegoria épica que envolve uma traição muito à moda de Judas, que conta ainda com uma base de fãs cristãos e  sonoridades que ecoam goth-metal. Desde o início que os Evanescence contaram com uma equipa de Marketing que sabia bem o que estava a fazer para posicionar o grupo no mercado e o levar ao sucesso. Basta olharmos, por exemplo, para alguns dos elementos da banda para percebermos do que estamos a falar. Nem estamos a pedir-lhe para os ouvir cantar: neste caso a aparência diz muito e é capaz de ser usada para alcançar empatia com a audiência.

O look de Amy Lee foi desde muito cedo trabalhado e usado para gerar atenção. Com um visual gótico muito cuidado, suportado pela maquilhagem macabra e o piercing na sobrancelha esquerda, para além dos espartilhos e meias de estilo vitoriano, Amy Lee construía com a sua simples presença uma personalidade que refletia o espírito da banda.

O seu ex-namorado, o guitarrista original e co-fundador da banda, Ben Moody (que saiu do grupo em 2003, como veremos já abaixo) era já conhecido por tocar numa banda cristã. Aliás, a história que lhe vamos contar nos próximos parágrafos, começa mesmo desta forma: no dia em que Amy Lee conhece Ben Moody durante um acampamento jovem cristão.

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Ainda nos seus primeiros anos de adolescência, os dois apaixonaram-se e permitiram que a outra paixão que tinham em comum fizesse nascer os Evanescence. Tendo como cenário de fundo a cidade de Little Rock, em Arkansas, os dois começam logo em 1998 a procurar alguns nomes que integrassem o grupo de rock cristão que pretendiam formar.

É assim que trazem consigo para a banda David Hodges, que assume o comando no teclado, o guitarrista John LeCompt, o baixista Will Boyd e o baterista Rocky Gray. Depois de gravarem alguns EPs lançados independentemente, que contavam com faixas inspiradas temas cristãos, como é o caso de “Give Unto Me”, a banda consegue assinar um contrato com a Wind-Up Records. Esta editora parecia especialmente interessada no grupo de Amy Lee, já habituada a trabalhar com outros bandas de rock de inspiração religiosa.

Ao conseguirem assinar os Evanescence, a Wind-Up aplica um plano de marketing inicial que tenta captar os fãs de música cristã. O álbum de estreia da banda, em 2003, Fallen começa a circular em lojas de música cristã. É neste momento que a história do Evanescence sofre uma alteração drástica.

Evanescence: a entrevista com palavrões e os tumultos entre os membros

Em abril de 2003, um mês após o lançamento de Fallen, Amy Lee e Moody renunciaram à sua associação com o género de música cristã numa entrevista à revista Entertainment Weekly que incluía o uso de palavrões. O simples uso de calão gerou uma grande onda de descontentamento entre os fãs cristãos, conduzindo rapidamente a Wind-Up a emitir um pedido de desculpas no site Christian Music Central. Segue-se ainda uma decisão drástica: o álbum Fallen seria retirado de todas as lojas de música cristã.

Ainda que isto pudesse ter afectado negativamente as vendas de Fallen, o que se sucedeu foi exactamente o contrário. O álbum torna-se um enorme sucesso de vendas, alcançando o número um na Billboard Top Contemporary Christian e a terceira posição no Billboard 200. Os singles do álbum, Bring me to Life e My Immortal ocuparam também excelentes posições nas tabelas de vendas.

 

O sucesso confirma-se nos meses seguintes: o álbum consegue vender mais de 15 milhões de cópias em todo o mundo e a banda ganhou dois Grammys, incluindo o de Melhor Banda Nova. Mas a conversa nos sites cristãos estava a polarizar os fãs religiosos do grupo, levantando tensões dentro da própria banda e criando alguns desentendimentos entre os seus membros.

Mesmo antes do escândalo do Entertainment Weekly, o teclista Hodges deixou o grupo porque acreditava que Lee e Moody já não tinham intenções de posicionar os Evanescence no panorama musical cristão. Como tal, optou por deixar o grupo. O mesmo aconteceu com Moody, seis meses mais tarde, quando deixou a banda por “diferenças criativas”, como terá dito na altura. Apenas anos mais tarde se percebeu que a génese da sua saída estaria relacionada com atritos com a sua namorada, Amy Lee, assim como o uso de drogas. O fim da relação e a saída de Moody deixam a banda mais fragilizada, mas rápido entra Terry Balsamo para substituir o lugar do co-fundador.

Seria o sucesso da banda abalado pela saída de um dos seus co-fundadores? Apenas os futuros trabalhos o conseguiriam dizer.

Evanescence: um novo capítulo

Em 2004, os Evanescence lançam um álbum ao vivo, Anywhere but Home, que alcançou o número 39 no Billboard 200. Se isto não era prova suficiente para a independência da banda face a Lee, o lançamento de outubro de 2006 do álbum The Open Door estabeleceu o domínio do grupo musical de uma vez por todas.

O álbum alcançou a posição número um no Billboard 200 e trouxe outro single, “Call Me When You’re Sober”, inspirado na relação de Lee com Moody. Pouco antes do lançamento do The Open Door, o baixista Will Boyd saiu e foi substituído por Tim McCord. Seis meses depois, chegou a vez do guitarrista John LeCompt anunciar a sua saída do grupo, tendo afirmando publicado que foi despedido. O baterista Rocky Gray deixa a banda logo depois.

Os prospectos para a banda não era muito positivos quando começam a trabalhar no terceiro álbum, chamado Evanescence. Ainda assim, a banda de Amy Lee esforça-se, contratando o baterista Will Hunt e o guitarrista Troy McLawhorn. Juntos, começam a trabalhar num álbum que tem como tema o mar e a demanda pela liberdade, unindo-se para compor as músicas em grupo como nunca antes tinham feito.

O lançamento do álbum, em 2011, é sucedido por um tour mundial que se prolonga por mais de um ano e termina, finalmente, em Londres, onde Amy Lee confirma perante a plateia que o grupo musical fará uma pausa durante alguns meses.

Esta pausa, porém, prolonga-se desde o final de 2012 até 2015. Durante este período, a banda torna-se independente da editora Wind-Up. Ainda que já tenham dado alguns concertos pelo mundo fora, a banda ainda não se voltou a reunir para produzir novas músicas. O facto de Amy Lee ter dito que está concentrada em gravar primeiro o álbum a solo não inspira muita confiança quanto ao prospecto de ouvir novos trabalhos em breve, mesmo que a artista garanta que há “mais Evanescence no futuro”.

 

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