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Eagles of Death Metal: causa mortis, Death By Sexy

Eagles of Death Metal: causa mortis, Death By Sexy

 

Death by Sexy é o nome do segundo álbum de estúdio da banda que só tem death metal no nome e na atitude. O disco foi lançado em 2006 e marcou o muito aguardado regresso do duo aos originais depois de, em 2004, terem lançado Peace, Love, Death Metal.

Frequentemente descritos como “o segundo projeto de Josh Homme”, os Eagles of Death Metal são o resultado de uma antiga amizade entre o também vocalista dos Queens of the Stone Age e Jesse Hughes. Juntos, os dois músicos norte-americanos decidiram criar um novo projeto que acabou por surgir de forma natural e bem-humorada.

Estávamos nos finais dos anos 90, quando Josh Homme começou a experimentar aventurar-se no death metal, género que para ele era novo. Foi-lhe, então, sugerido que cantasse uma canção dos Vader. Com dúvidas de que se aquilo seria ou não death metal, Josh disse em tom irónico que a banda polaca seria o equivalente aos Eagles do death metal.

E foi deste episódio que nasceu a ideia de fundir a sonoridade dos autores de Hotel California com algo mais pesado. O resultado foi um rock trashy e descontraído que se viria a transformar na imagem de marca dos (nada mais, nada menos) Eagles of Death Metal. Neste artigo, debruçamo-nos sobre o segundo álbum do grupo, Death by Sexy.

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Divertido, descontraído, por vezes impróprio: Death by Sexy apostava numa linguagem sem complexos, nem tabus. Os ritmos davam forma a letras atiradiças, capazes de captar a atenção dos fãs que aguardavam pelo sucessor de Peace, Love, Death Metal.

O sucesso comercial chegou muito graças à utilização de um dos temas (Don’t Speak) num anuncio publicitário realizado por Guy Ritchie para a Nike. O tema fez também parte da banda sonora do videojogo Need for Speed: Carbon.

Death By Sexy: atrevido até na capa

Death by Sexy é sexy até na capa. O design bebeu de inspirações de clássicos, como o famoso Sticky Fingers dos Rolling Stones.

death-by-sexy-eagles-of-death-metalÀ semelhança do álbum de 1971, Death by Sexy põe em destaque uns jeans clássicos, desta feita a parte de trás vestida por uma mulher. Também em destaque está o símbolo de “hand horns”. Outras inspirações foram os álbuns Get Lucky, dos Loverboy, e Too Fast for Love, da banda de heavy metal Mötley Crüe.

 

A música, essa, foi descrita pela Rolling Stone como capaz de “acender um bar” ou “até mesmo um clube de strip”. Vejamos, como exemplo, o primeiro tema e single – e, pessoalmente, uma das minhas favoritas -, I Want You So Hard (Boy’s Bad News). Numa música bem-humorada e ritmada, há uma espécie de brincadeira entre o homem que tenta conquistar uma rapariga e os seus amigos que brincam, afirmando: “não percas o teu tempo, o rapaz é más notícias”.

Sexo , álcool e boémia são temas frequentes. I Got a Feeling (Just Nineteen) é exatamente sobre aquilo que está a pensar, assim como I Like to Move in the Night. Direto e sem meias palavras, Death by Sexy é tão divertido como desbocado e sem filtros.

As gravações de Death By Sexy decorreram na cidade de Los Angeles e foram feitas em apenas 8 dias. O que nem todos sabem é que este foi um período complicado para Jesse Hughes, já que correspondeu mais ou menos à reabilitação pelo consumo de drogas. Também nesta altura, o amigo de velha data teve um papel preponderante: foi Josh Homme que lhe fez ver o problema e o levou para a clínica de reabilitação, pagando inclusive o processo de desintoxicação.

A “esquizofrenia musical” de Josh Homme

Embora contem com várias colaborações, apenas Josh Homme e Jesse Hughes ocupam o lugar de membros permanentes dos Eagles of Death Metal. Os restantes elementos variam de álbum para álbum e são convidados a participar de tempos a tempos para tocar ou gravar temas. Dado o envolvimento de Josh Homme em vários outros projetos musicais, muitos fãs questionaram a dedicação do músico à banda.

Heart On, de 2008, foi o sucessor de Death by Sexy. Por essa altura, numa entrevista , Josh Homme afirmou que  padecia de uma “doença”. De forma irónica, disse que possuía “esquizofrenia musical”, salientando que os Eagles of Death Metal eram a manifestação de umas das suas muitas personalidades.

Negando o carácter secundário do projeto, Homme afirmou que está em duas bandas, referindo que aquele não era um “projeto paralelo”, mas sim algo tão importante como os próprios Queens of The Stone Age.

 

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