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O misterioso caso de Connie Converse, a artista que nunca mais foi vista

O misterioso caso de Connie Converse, a artista que nunca mais foi vista

 

A história que temos hoje para contar promete tornar-se numa das maiores lendas e mistérios do Mundo da Música. Quando vi esta história pela primeira vez, na Internet, recordo-me que pesquisei alguma informação sobre a figura enigmática de Connie Converse enquanto tinha a minha conta do Spotify aberta para ouvir alguns dos êxitos desta cantora.

Porque é a história de Connie Converse tão enigmática? Bem, porque a cantora norte-americana – que só alcançou verdadeiro sucesso a partir de 2004 – desapareceu algures em 1974, depois de escrever algumas cartas de despedida aos amigos e familiares, de fazer as malas e de se meter no carro para nunca mais ser vista. Hoje, é muito provável que esteja morta.

Porém, há quem acredite que ainda está vivo, apesar de já ter mais de 90 anos. Se está viva, onde está? O que lhe aconteceu? Será que se dá por outro nome? Será que casou? Será que deixou de cantar?

Estes são mistérios que ainda não têm resposta e que, muito provavelmente, nunca terão. Ainda assim, muito se sabe sobre a vida de Connie Converse antes de desaparecer e é sobre isso mesmo que vamos falar nos próximos parágrafos.

O dia em que Connie Converse foi descoberta

Estamos em janeiro de 2004 quando Gene Deitch – um homem com 80 anos, que vivia em Praga – foi convidado para ir até Nova Iorque para participar num programa de rádio e aí passar algumas das gravações que tinha feito a alguns artistas. Gene Deitch contava com uma carreira como ilustrador e cartoonista, mas também era conhecido na área da gravação, tendo gravado vários artistas, entre as quais Connie Converse, na sua cozinha.

Uma das gravações que passou na rádio era One By One, uma música interpretada por uma tal de Connie Converse. Por mero acaso, dois ouvintes desse programa – Dan Dzula e David Herman – eram produtores de música e ficaram maravilhados com a voz de Connie e o seu potencial. Interessados em fazer um álbum com as músicas da artista, descobriram mais gravações feitas por Gene Deitch assim como uma série de outras músicas que Connie tinha enviado ao seu irmão, Philip, no final da década de 1950.

Porém, onde estava Connie Converse? É aqui que o mistério se adensa.

Connie Converse – alcunha para Elizabeth Eaton Converse – era natural de uma pequena localidade em New Hampshire, nos Estados Unidos. Tinha nascido em 1924 e crescido no seio de uma família batista, já que o seu pai era pastor. Depois de frequentar a escola normal, em Concord, ganhou uma bolsa de estudos para uma universidade em Massachusetts mas, após dois anos de estudo, mudou-se para Nova Iorque para aí começar a trabalhar numa tipografia. Foi por esta altura que, adoptando a alcunha Connie, começou a escrever músicas e a atuar para alguns amigos próximos. A guitarra era o seu instrumento de eleição.

 

Infelizmente, mesmo depois da gravação de algumas músicas com Gene Deitch, esta jovem artista não conseguiu encontrar uma editora disposta a gravar o seu álbum, possivelmente também devido à sua timidez. Em 1954, fez uma breve e única aparição televisiva num programa matinal do canal CBS. Em 1961, ao perceber que teria dificuldades em prosseguir com uma carreira no meio musical, muda-se  para Michigan para viver com o irmão que aí dava aulas de Ciência Política. Em Michigan, começa a trabalhar como secretária e, mais tarde, como editora para o Journal of Conflict Resolution.

Em 1973, já com 49 anos, a vida de Connie sofre uma reviravolta: o jornal em que trabalhava é vendido e passa para a Universidade de Yale. Como se o desemprego não bastasse, é-lhe diagnosticado um problema no útero que exige a total remoção do órgão reprodutivo. Com a ajuda de colegas e amigos, Connie viaja para Inglaterra durante seis meses para fazer a complicada operação.

Depressiva, em agosto de 1974, Connie Converse escreve então uma série de cartas à sua família e amigos, explicando a sua necessidade de começar a sua vida noutro lado. Arrumando todos os seus pertences, meteu-se dentro do seu Volkswagen Beetle e fez-se à estrada para nunca mais ser vista. A sua família, que se encontrava numa viagem de férias, só constatou que Connie tinha desaparecido depois de notarem que não se tinha juntado a eles nas férias.

“Deixem-me ir. Deixem ser, se puder. Não me deixem ser, se não puder. A sociedade humana fascina-me e maravilha-me e enche-me de dor e felicidade; Não consigo encontrar um lugar a que me ligar”, escreveu Connie numa das cartas de despedida. O seu irmão mais novo chegou a contratar um investigador privado para encontrar Connie, mas nunca encontrou qualquer sinal da sua irmã.

Mas Connie sobreviveu vive através dos seus fãs

Em Março de 2009, chega então ao mercado um álbum com o título How Sad, How Lovely assinado por Connie Converse. O álbum não era muito longo – composto apenas por 17 músicas – mas foi suficiente para honrar a vida e trabalho de Connie. Por todo o mundo, o caso da cantora desaparecida começou a ser falado.

A mesma estação de rádio que tinha passado a gravação de Gene Deitch e chamado a atenção de Dan Dzula, a WNYC, dedicou um programa com mais de uma hora à vida e música de Connie Converse, assim como ao seu desaparecimento. Em 2015, How Sad, How Lovely chegou também ao mercado em formato vinil, conseguindo críticas muito positivas por parte da imprensa.

O trabalho da artista pode ser ouvido no Spotify. Acreditamos que esta é uma história que merece ser partilhada para que a voz de Connie Converse, esteja ela onde estiver, nunca se cale.

 

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