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Chet Faker mostra as suas duas facetas em Built on Glass

Chet Faker mostra as suas duas facetas em Built on Glass

 

O estilo electro e mais relaxado de Chet Faker surpreendeu-me quando ouvi pela primeira vez Talk Is Cheap. O artista estava aprovado quer pelo meu gosto musical, quer pela playlist de favoritos no Spotify, mas foi apenas nas semanas seguintes que dispensei alguns minutos para expandir os horizontes e conhecer melhor o domínio musical de Chet Faker, nomeadamente as 12 faixas que constituem o seu álbum de estreia.

Neste post, falo de Built on Glass, o álbum de estreia do australiano Nick Murphy, mais conhecido pelo seu nome artístico Chet Faker. Considerado pelos críticos como uma mistura entre James Blake e Tom Krell, o jovem de barba ruiva provou o seu valor musical com a sua cover de No Diggity, o êxito de 1996 da banda R&B Blackstreet. O facto de ter sido usado num anúncio transmitido durante o Super Bowl de 2013 também ajudou a impulsionar a sua carreira.

A voz de Chet Faker contrabalança bem com o instrumental e, pelo menos para os meus ouvidos, consegue ser relaxante. Transmite mesmo uma descontração que já não encontro em Blake, por exemplo. Porém, Chet Faker mostra também a sua versatilidade neste álbum, não se limitando a um único estilo.

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Chet Faker: dois / lados

Para falar de Built on Glass, decidi seguir a ordem pela qual as faixas se encontram organizadas no disco. Assim, começo com Release Your Problems, a música onde o artista natural de Melbourne nos convida para libertar dos nossos problemas ao som tranquilo de um piano. Com um início sobretudo instrumental, segue-se uma pausa de cerca de 5 segundos onde tudo o que se ouve é silêncio. De súbito, regressa a música, desta vez com electro elegante e a voz de Chet Faker.

Segue-se Talk is Cheap, sem dúvida uma das minhas preferidas. Com um início surpreendente ao som daquilo que parece ser um saxofone, somos de imediato transportados para o mundo do jazz. O ritmo está decidido quando entra o cool eletro de Chet Faker, provando que é possível combinar dois estilos supostamente ambíguos.  Este foi o primeiro single de Chet Faker e conquistou de imediato os fãs.

Com o mesmo requinte temos Melt, que conta com a colaboração da jovem norte-americana Kilo Kish,  num dueto distinto, uma vez mais descontraído e que promete pô-lo a abanar a cabeça enquanto ouve. Com uma sensualidade indescritível, que só pode ser percebida quando ouvida, denotamos uma ligeira tensão sexual entre as duas vozes e damos por nós a não querer que a música termine.

 

 

Gold e To Me encerram um capítulo de Built on Glass, sendo sucedidas pela misteriosa faixa / com apenas 18 segundos. Aqui, ouvimos apenas som de estática e uma voz, como se saída de um filme antigo, com a seguinte informação: That was the other side of the record. Now relax still more and drift a little deeper as you listen.

E é assim que somos introduzidos a um Chet Faker mais aventureiro e ousado, que se atreve a brincar com o sintetizador. Na primeira parte, a faixa 3 No Advice já tinha mostrado um pouco desta sua faceta, numa espécie de declamação poética que tem como som de fundo um hum, hummmmm suave e quase imperceptível.

Apesar de conter apenas 5 faixas nesta segunda parte, tratam-se de músicas mais longas e é Blush que conduz a vanguarda para um novo tom. Com uma voz toldada por efeitos – mesmo que com uma breve participação no início, meio e fim da música –, somos introduzidos a um ensaio musical pontilhado pelo distante som da bateria e de vidro a fragmentar-se.

Em 1998, como que embargado por uma forte mistura de álcool, Chet Faker tenta explicar-nos algo mas as suas palavras parecem incompreensíveis, apesar de combinarem bem com os acordes musicais dados pela bateria e pela mesa de mistura. Só mais à frente percebemos que aquela frase inicial que ouvíamos no início devia ser We used to be friends, um verso que marca a faixa de 6 minutos e que vai sendo repetido, ora bem perceptível, ora completamente manipulado.

Cigarettes & Loneliness, Lesson in Patience e Dead Body encerram Built on Glass. Mas o que poderemos esperar de Faker no futuro: um lado mais clássico como nos mostrou nas 6 primeiras faixas ou profundamente mais electro como o fez na segunda parte? Por cá, sei que gostaria de ouvir mais da sua primeira faceta.

 

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