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Histórias de Bastidores

Histórias de Bastidores / 55 posts encontrados

Paulo Gonzo adora contar anedotas mas tem uma boca santa

Um dia destes mandei uma mensagem a um amigo que estava com o Paulo Gonzo e, por brincadeira, perguntei-lhe como é que estava o Paulo…Ganza. Segundos depois recebi uma chamada do cantor dos “Jardins Proibidos” a, no seu jeito engraçado insurgir-se: “Com que então Paulo Ganza… Sabes muito bem que eu não gosto de ganzas… Essas coisas são para pobretanas, não para mim”. E riu-se.

Adriano Gonçalves, o Bana, Imponente senhor de bondade infinita e olhar absorto em recordações

José Manuel Simões encontrou-se com Bana nas vésperas do seu primeiro concerto no Porto, em Julho de 1999 – comemorava então 50 anos de carreira e 40 LP’s gravados – e ultimamente a imagem daquele imponente senhor, de infinita bondade e porte de príncipe, tem assolado a memória do nosso colaborador. Conheça aqui esta história.

Ser solidário, radical, coerente, respeito por princípios e valores: Zé Mário Branco

Fui há uns anos atrás a casa de Zé Mário Branco, ele de chinelos de dedo, as unhas dos pés a precisarem de serem cortadas, cigarrilha na boca, os livros amontoados, à mão de semearem inspiração naquele senhor que a esposa considera preguiçoso para compor. Mais do que o dedilhar na guitarra tocou-me a sua coerência e o respeito por princípios que nunca perdem de vista o bem comum.

Adolfo Luxúria Canibal, Morais Macedo, e a maledicência generalizada em Braga

Há uns tempos fui a Braga entrevistar Adolfo Luxúria Canibal acompanhado pela manita Mirabelle – meia francesa e não conhecia os Mão Morta – que se revelou de imediato seduzida com o som e as letras da banda de culto mais antiga da música portuguesa. E disse: “Se na minha adolescência eu também tivesse gritado «quero morder-te as mãos», ao longo dos anos provavelmente não teria mordido tantos desgraçados”.

Talento, inovação, ambiguidade sexual, homoerotismo: Caetano Veloso

Em conversa com José Manuel Simões, o artista brasileiro Caetano Veloso falou da carreira e do teste psicológico que o avaliou com homossexualismo e identificação feminina. “Sou de uma geração em que a ambiguidade sexual e a presença do conteúdo homoerótico era vivida por muitos artistas. Veja-se o próprio Bob Dylan, que na época não parecia nada andrógino nem atraente desse ponto de vista, e que, olhado hoje, era superandrógino, fazia charme de andrógeno, era bonitinho, parecia uma menina. Eu sou parte dessa geração em que os ídolos são andróginos” - afirma o autor de O Leãozinho.

Saul Davies e uma faca ensanguentada nos discos dos James

Fiquei amigo do guitarrista e violinista dos James e fui descobrindo um Saulzinho franzino e irrequieto, que se sentia um 'alien' em Portugal. Um dia contou-me que os James acabaram porque "andávamos todos paranóicos com uma carta de uma japonesa que tinha uma foto com as capas dos nossos discos e uma faca ensanguentada por cima. Dizia que, se não lhe déssemos atenção, se suicidaria".

Joanna, Maria de Fátima, Amália, Neuroses e Caravelas

Encontrei-me num hotel de Óbidos com a cantora brasileira Joanna, que no registo de nascimento é Maria de Fátima, e passeei com ela por entre as patrimoniais muralhas da terra do chocolate. Enigmática, disse-me que às vezes é “frágil como as asas de um passarinho”, que facilmente rebenta num pranto, mas não acreditei.

Pete Doherty de ressaca embrulhado num cobertor de lã

Fui o único jornalista a entrar nos camarins dos Babyshambles num certo Festival de Paredes de Coura de boa memória, o Pete Doherty parecendo um pastor de ovelhas, coberto com uma manta castanha e um chapéu de abas largas, os olhos esbugalhados, a suar. Por causa da ressaca.

Fafá de Belém com emoções em catadupa à flôr da pele aveludada

Fafá de Belém beijou-me, exuberante, por entre sonoras gargalhadas, humor estrelado e a mesma imensidão de simpatia. Com fartos seios desviados do sutien, recebeu-me como sempre: “Meu querido Zé, que bom ver-te, ó pá”.