Home / Concertos /

Por entre a borrasca da Leslie e o vendaval de rock sussurrante

Por entre a borrasca da Leslie e o vendaval de rock sussurrante

Mídia Kit Blog Mundo de Músicas
 

A noite prometia… Borrasca no exterior e som de elevado quilate no interior. Para onde ir? Obviamente, para dentro! Ainda para mais a coisa prometia bastante!

Whispering Sons e The Soft Moon era o programa, bem melhor do que a ventania e a chuva que engrossavam o séquito que acompanhou a transexual Leslie, a tempestade que começou furacão e que assolou e devastou parte de Portugal por ocasião do 13 de Outubro. Bem, assim a escolha era bastante simples.

O grupo chegou separadamente, após um outro convívio, reunindo-se à entrada do Hard Club. Fazia lembrar a manifestação dos PSP, a famosa dos «secos e molhados»!

Chuvia desalmadamente na cidade Invicta e o pessoal, não muito ainda, juntava-se à entrada da sala portuense, ansioso por mais uma noite de rock e, assim, fugir à intempérie.

 

 

Os belgas Whispering Sons, com álbum novo para sair a pouco mais de uma semana dali, abriram as hostilidades. E foi, precisamente, de «Image», título do álbum de estreia, que saíram grande parte dos temas que marcaram a terceira passagem dos belgas por Portugal.

Aliás, o arranque do concerto fez-se exactamente por aí. Tal como arranca o disco, arrancou o concerto: «Stalemate», «Got a light» e… «Alone».

O público não era muito e o grupo encontrava-se disperso. Dois ali, outro acolá e o outro ainda vagueando pela sala. Em comum, a atenção centrada no palco e do que de ali vinha.

 

 

A voz profunda de Fenne Kuppens, o único elemento feminino do quinteto, enegrece brilhantemente a sonoridade dos Whispering Sons, que conjugam de uma maneira fantástica o ritmo seco e marcante do pós-punk com a electrónica viajante e ainda a guitarra, ora extravagante, ora terna.

No vasto e denso negro que cobria o palco destacava-se o branco da roupa de Fenne Kuppens. De fato níveo, a vocalista contrastava com todo a negritude à sua volta, visão iluminada por uns raros feixes de luz, e exibindo sempre uma postura muito agitada e apelativa.

Então, o concerto entrou numa fase ainda mais escura, com o sugestivo «White noise», para mergulhar, de seguida, em «Performance» e arrastar todos os presentes até ao limite, com aqueles que foram os dois únicos temas do concerto que não saíram do novel álbum.

 

 

Neste momento os quatro amigos do grupo sentiam-se muito satisfeitos. Whispering Sons era o principal propósito daquela noite e estava a ser plenamente cumprido. Era a estreia de todos após uma descoberta recente para… quase todos.

À entrada para sala, falando entre si, reforçavam a ideia da maravilha que é descobrir novas bandas, da importância de não cristalizar o gosto musical, seja no estilo, seja nas bandas. Obviamente, tendo o rock como farol, essa luz infinita que guia os desprotegidos dos céus que decidiram tomar nas próprias mãos o seu destino e entregar-se aos devaneios da(s) sonoridade(s) rock.

Entretanto, os belgas, no regresso a «Image», entravam num crescendo sonoro imparável, atirando para a plateia «Dense», «Hollow» e «Wall».

 

 

 

A massa humana já estava rendida, mesmo os poucos que ainda não conheciam a banda, fascinada com a música e, em especial, com a vocalização e a performance da vocalista. Muitos dizem que se assemelha a Ian Curtis, dos Joy Division, mas… Essa pelo menos não é a opinião unânime entre o grupo, como não seria, certamente, entre os demais presentes.

A fechar, os Whispering Sons encheram a sala 2 do Hard Club com «Waste», um tema que a princípio inebria o ouvinte, depois ganha-lhe a alma e por fim dispara o espírito até ao infinito. Foi assim que os quatro amigos se sentiram, a essa altura já todos juntos e em grande celebração… musical.

“The pleasure of her touch… Tortures me!”, exclama Fenne em palco, enquanto a malta se agita na plateia com o som ondulante dos belgas.

Entre concertos foi tempo para confraternizar, beber um copo e dar duas de letra. Os sorrisos estampados nos diferentes rostos sinalizavam que o público estava satisfeito com o que tinha visto e ouvido.

 

 

E seguia-se The Soft Moon, banda oriunda da Califórnia já mais consagrada, bem conhecido dos portugueses e que pratica um rock com reforçado reboco electrónico, muito, mas mesmo muito, apelativo.

É impossível ficar indiferente ao som dos The Soft Moon, que fazem da intensidade sonora uma das suas marcas, conduzindo os ouvintes por um espectro sonoro de variações profundas e negritude avassaladora.

São viagens por paisagens virtuais, sempre em tons escuros e com marcações vigorosas, ora mais melancólicas ora completamente esquizofrénicas.

 

 

 

O grupo de amigos deliciava-se com o que ouvia e fruía com todos os sentidos a onda sonora que vinha do palco, mergulhando na densa escuridão que tomava a sala portuense.

“Extraordinário”, diziam entre si, ao mesmo tempo que brindavam a mais um excelente convívio em que a banda-sonora era, de facto, de luxo.

Entretanto, lá fora fazia-se sentir a passagem da Leslie, com chuva forte e vento intenso, se bem que o verdadeiro vendaval acontecera dentro da sala 2 do Hard Club… e sem fazer qualquer estrago.

 

[n.d.r. – Qualquer semelhança entre o grupo de amigos e a realidade é pura ficção, tudo o resto são simples factos e… opinião]

 

ARTIGOS RELACIONADOS

     
   

Partilhar este artigo

Deixe um comentário

Your email address will not be published. Required fields are marked *