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Band à Part: covers que podiam muito bem ser originais

Band à Part: covers que podiam muito bem ser originais

 

O bom gosto francês e a bossa nova brasileira dos anos 60 juntaram-se num álbum que trocou as voltas aos clássicos, vestindo-os com novas sonoridades. Contando com a colaboração de várias artistas femininas, Marc Collin e Olivier Libaux, os mentores do projeto Nouvelle Vague, criaram Band à Part. Lançado em 2006, este foi o segundo disco do grupo, cujos temas pouco ou nada devem aos originais.

Criando pontes entre o presente e o passado, os Nouvelle Vague fazem verdadeiras travessias pelo tempo para recuperar temas mais ou menos conhecidos do Punk Rock e da New Wave dos anos 80. Com versões onde por vezes só a letra se mantém, Band à Part é composto por um total de 18 temas de estilos e artistas tão diferentes, como Billy Idol, The Cramps e Blondie.

A par do trabalho de Marc Collin e Oliver Libaux, o grupo conta com participações regulares de grandes nomes da música francesa que lhe “emprestam” a voz e a personalidade. Entre as intérpretes, encontram-se Phoebe Killder, de tom sensual e provocante; a teatral Nadeah Miranda; e Helena Noguerra e Mareva Galanter, ambas de voz melódica e suave.

É caso para dizer que, em Nouvelle Vague, todas as canções encontram uma nova casa, camuflando-se com sonoridades tão originais que é quase como se nunca tivessem sido cantadas de outra forma.

Por outro lado, ainda que sejam muito diferentes dos originais, os temas beneficiam do facto de já serem velhos conhecidos do público. Sem darmos por isso, as letras entram no ouvido e ficam por lá às voltas, em loops sucessivos.

Posto isto, Band à Part podia muito bem chamar-se assim apenas pela forma diferente como a banda trabalha sonoridades. Todavia, há mais uma razão para a escolha do título, já que o disco partilha o nome com um filme, realizado em 1964 por Jean-Luc Godard. A obra é um dos maiores exemplos de como a Nouvelle Vague influenciou o cinema, sendo que o título deriva da expressão francesa “fair band à part”, que significa “fazer qualquer coisa em separado do grupo”. No fundo, fazer algo diferente.

 

Band à Part: Uma incursão pelo tempo

Como há pouco dissemos, os Nouvelle Vague são uma espécie de ponto de confluência entre vários géneros e tempos. Killing Moon, original de Echo and the Bunnymen, leva-nos para 1984, numa versão mais calma daquele que foi o maior êxito da banda post-punk, nascida nos finais dos anos 70.

Com avanços e recuos, a viagem pelo universo musical do passado continua com uma versão de Dance with Me. E se acha que esta é só mais uma versão das muitas que já ouvimos do original de Billy Idol, desengane-se. Suave, profundo, por vezes sussurrado, o tema ganha na cover dos Nouvelle Vague uma dinâmica jazz e bossa nova que poderia muito bem encher salões de dança nos anos 50 ou 60.

Apesar da originalidade de todos os temas, é provavelmente em Human Fly que a diferença entre o original e a cópia é mais notória. O punk dos The Cramps dá lugar a uma cover melodiosa e ligeiramente irónica, que de forma divertida conta a história de alguém que diz ser uma “mosca humana”.

Os Nouvelle Vague e a Nouvelle Chanson

Em conjunto com os restantes álbuns da banda, Band à Part é considerado como um dos responsáveis pelo processo de regeneração da canção francesa (da qual também fazem parte as artistas individuais que normalmente colaboram com o grupo). A Nouvelle Chanson, nome pelo qual o movimento é conhecido, começou na década de 90 e consolidou-se ao longo dos anos 2000.

Entre as principais inspirações da Nouvelle Chanson encontram-se grandes artistas franceses como Jacques Brel, George Brassens ou Serge Gainsbourg. Embora o fenómeno de recuperação se dê principalmente em França, existem artistas internacionais que também foram influenciados pelo movimento. Falamos, por exemplo, de Regina Spektor ou Martha e Rufus Wainwright.

   

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