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Ana Carolina: o homem que há em mim e a mulher que há no homem

Ana Carolina: o homem que há em mim e a mulher que há no homem

 

Ana Carolina emociona-se e chora. Confessa: “Faço terapia e análise. Estou a resolver-me”. A vida nem sempre foi sua aliada. “Quando, no dia 1 de Maio de 2001, tive um acidente horrível no Rio de Janeiro, pensei que ia morrer. Adormeci. O carro foi para a sucata e eu fiquei meses no hospital. Tive várias fracturas, apanhei 30 pontos na cabeça. Depois disso, passei a enfrentar o palco não como um acto heróico mas com piedade de mim. Quando se chega perto do outro lado, o lado da morte, olha-se com outros olhos para a vida”.

Estamos num restaurante da ribeira de Gaia rodeados de mulheres tal como no disco que tinha acabado de lançar, “Ana Rita Joana Iracema e Carolina”, fica sem jeito quando lhe pergunto se se trata de um manifesto feminista, aponta-me o Douro e compara: “o caminho sinuoso do rio também precisa das duas margens para ser rio”.

Fico na dúvida se é tímida ou está angustiada, concentro-me na voz, imensa, um certo sentir de coqueluche, postura de quem tinha acabado de chegar ao ansiado patamar da fama sem saber se o queria. Já o jantar ia a meio e ela ainda a olhar-me de soslaio, ombros encostados à cabeça inclinada para a mesa farta de presuntos e enchidos transmontanos, ar de agoniada.

Ao lado, a empresária, festinhas na cabeça, “ocê tá bem?”, por baixo da mesa as mãos entrelaçadas. E ela, variando do romântico ao agressivo em referências que vão direitinhas às inconstâncias das mulheres, não negando que o universo feminino “está presente em tudo o que faço. Porque sou de contrastes. Sou quente e sou fria. Sou muito masculina e muito feminina. Procuro o homem que há em mim e a mulher que há no homem”.

 

Ana Carolina é filha única e a solidão sempre a acompanhou. Subitamente sente-se ainda mais só, pede à empresária que se sente a seu lado. Agarra-lhe na mão ainda mais firme, os dedos acariciando-se entrelaçados. “A Luciana está comigo há oito anos. Tinha eu 19”, confirma o romance.Quando, no final de 2005, fez questão de afirmar ao Brasil a sua condição de bissexual, aquilo em nada me surpreendeu. Só achei que ela estava tão farta que falassem mais dela que da sua música que decidiu reabrir um pedaço da sua intimidade.


   

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