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Alice Cooper: as lendas bizarras do padrinho do Shock Rock

Alice Cooper

Alice Cooper: as lendas bizarras do padrinho do Shock Rock

 

O nome de Alice Cooper ficará gravado na história da música num capítulo muito vasto dedicado ao Shock Rock. Desde que lançou a sua carreira e alcançou fama, já nos anos 70, que tem continuado a conquistar audiências a um ritmo imparável, com as suas atuações em palco que raiam frequentemente no grotesco.

Com uma voz capaz de suscitar arrepios, e um talento nato para a fundir com as sonoridades que o acompanham, Alice Cooper habituou-nos a um género muito próprio. No entanto, nem sempre é fácil traçar as origens às influências que impactaram o trabalho de Cooper.

Ao longo dos próximos parágrafos Alice Cooper é tema de conversa: falaremos um pouco sobre a carreira do artista, de certos mitos que envolvem a sua figura, mas também do meio onde cresceu e de como tomou certas que o conduziram ao lugar que hoje lhe é merecido.

Alice Cooper: era uma vez um rapaz chamado Vincent

Nascido em Detroit, o músico de rock Alice Cooper – nome artístico de Vincent Damon Furnier –  teve uma infância profundamente marcada por influências cristãs. Enquanto criança estudou em vários colégios, todos religiosos, até a sua família se mudar para a cidade de Phoenix, onde começou então a frequentar uma escola que pertencia à Ordem DeMolay, uma sociedade discreta orientada por princípios filosóficos, fraternais, iniciáticos e filantrópicos, patrocinada pela Maçonaria.

Sempre em contacto com um meio cheio de enigmas e simbolismos, Vincent acabou por decidir, anos mais tarde, que o ensino superior não era para mesmo. Mesmo que tenha chegado a receber uma bolsa de estudos integrais para várias faculdades, inclusive a Universidade do Colorado, o futuro artista recusou todas as propostas que lhe foram apresentadas. Afirmando-se como “um homem de fé”, seguindo as lições de cristianismo que lhe foram ensinadas em casa, justificou sempre que as suas atuações musicais são apenas trabalho sem qualquer tipo de comprometimento com as suas opiniões e escolhas pessoais. Esta por si só é uma escolha que demarca a personalidade do artista.

A ligação com a música, no entanto, já se forma na sua adolescência. Em 1964, quando frequentava ainda a escola secundário, Vincent juntou-se com  os seus amigos Glen Buxton, Dennis Dunaway, John Speer e John Tatum para participar num concurso de talentos em Phoenix sob o nome de The Earwigs. Fazendo covers de êxitos dos The Beatles, o grupo ganhou o concurso e percebeu que podia ir mais longe, mudando o nome para The Spiders e começando a compor as suas próprias músicas.

Segue-se uma fase favorável para a banda: começam a atuar em bares da cidade, apresentando não só canções originais como mantendo no setlist certas covers de bandas como os The Beatles, Rolling Stones e The Who.

A época dos dois Alice Cooper

Em 1965, Vincent adota então o nome artístico de Alice Cooper – chegando a subsituí-lo no cartório anos mais tarde – e daí em diante passa a dar-se apenas por tal nome. Questionado acerca do porquê do nome, o artista respondeu que é o nome de um feiticeiro com quem supostamente falou através de um tabuleiro Ouija.

Em 1966, o grupo lança então a canção Don’t Blow Your Mind e alcança um sucesso tremendo nos Estados Unidos, sucesso suficiente para viajarem com frequência para Los Angeles para aí atuarem em diferentes clubes. Em 1967, a banda muda-se definitivamente para a cidade dos anjos e a alteração é acompanhada por uma mudança de nome: o grupo chama-se agora The Nazz. Todavia, esta não seria a última mudança: a designação final do grupo seria Alice Cooper, em celebração ao vocalista da banda.

Inicia-se então uma nova era para Alice Cooper (tanto o artista, como banda): a música começa a demarcar-se mais para um género diferente do rock, enquanto o cenário em palco se inspirava diretamente em filmes de terror e num visual gótico e sombrio para marcar a diferença: estava na hora de criar um vilão entre os rockstars.

Uma noite, após um concerto fracassado na cidade de Los Angeles, onde literalmente esvaziaram um bar após uma atuação de dez minutos,  foram procurados pelo empresário Shep Gordon que os pôs em contacto com o conceituado músico e empresário Frank Zappa que, após uma audição, assinou contrato com a banda para a gravação de de três álbuns através da Straight Records, uma editora que se começava a lançar. O álbum de estreia do grupo, Pretties for You, foi lançado em 1 de agosto de 1969 e foi um fracasso entre o público e a crítica, chegando apenas à 193.ª posição da Billboard 200.

 

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Após o lançamento do álbum o grupo realizou alguns concertos, muitos dos quais são hoje relembrados graças às polémicas que envolveram e que geraram mitos que persistem até hoje. Numa das atuações aconteceu um incidente que resultou em grande divulgação (mesmo que negativa) para a banda: durante a atuação, Alice atirou uma galinha para a plateia, certo de que esta levantaria voo. Todavia, quando a galinha caiu entre a audiência, o público desfez o animal em pedaços, conduzindo a um verdadeiro momento sangrento. O acontecimento foi noticiado pelos media, tendo os órgãos de comunicação mais sensacionalistas divulgado o rumor de que Alice tinha comido a cabeça do animal em palco e bebido o seu sangue.

Persistindo a todas as polémicas, o segundo álbum da banda, Easy Action, é lançado em 1970, provocando reações semelhantes ao primeiro trabalho. Apenas um pequeno excerto de uma música no filme Diary of a Mad Housewife de 1970 lhes valeu alguma fama. Aproveitando a parca onda de popularidade, procuram o produtor Bob Ezrin e lançam Love It to Death em 1971, o último álbum estipulado pelo contrato que tinham assinado e última hipótese de vingarem no mercado.

Graças a uma ligeira mudança no estilo musical e ao contributo dado por Bob Ezrin, a banda Alice Cooper consegue então gerar alguma empatia com o público. O single I’m Eighteen chegou mesmo a alcançar a 21ª posição na Billboard Hot 100 enquanto Love It to Death fez o seu caminho até à 35.ª posição da Billboard 200.

Ainda em 1971 a banda assinou com a Warner Bros Records e lançou Killer, que chegou à 21.ª posição da Billboard 200 e trouxe sucessos como “Under My Wheels” e “Halo of Flies”, mas foi em 1972 que a banda atingiu o estrelato com o álbum School’s Out e o single homónimo, que respectivamente chegaram o 2.º lugar da Billboard 200 e 7.º lugar da Billboard Hot 100, levando a banda a realizar uma tour por ginásios e arenas na América do Norte e na Europa.

Em 1973 foi lançado Billion Dollar Babies, o último álbum da banda Alice Cooper. O álbum provou ser um sucesso, chegando ao topo tanto da Billboard 200 quanto da UK Albums Chart. O single “Elected” foi outro grande sucesso, fazendo história no Reino Unido por se ter num dos primeiros vídeos de rock para divulgação de um álbum algo só tinha sido feito com “Bohemian Rhapsody” dos Queen.

O sucesso do álbum permitiu que a banda realizasse uma nova tour pelo mundo, dessa vez em maior escala, que quebrou recordes de bilheteiras em países como os Estados Unidos e Inglaterra. Nesta época, Alice Cooper começou a usar uma guilhotina em palco para decapitar bonecas.

Alice Cooper: a carreira a solo

Em 1974, Alice Cooper, o músico, separou-se dos seus companheiros de banda e levou o nome com ele. No ano seguinte, inicia a sua carreira a solo com o álbum Welcome to My Nightmare, que lhe valeu elogios críticos e sucesso comercial, assim como Alice Cooper Goes to Hell (1976).

A vida de Cooper estava de facto um verdadeiro inferno. Após um esgotamento nervoso, Cooper foi finalmente submetido a tratamento num sanatório de Nova York, onde ficou alojado com toxicodependentes e criminosos. Estranhamente, este afastamento dos palcos e da indústria musical permitiu que Cooper se descobrisse de novo, renascendo enquanto cristão e descobrindo uma obsessão com o golfe que foi essencial durante a sua fase de recuperação.

A sua música, entretanto, não recuperou totalmente deste abalo. Os dois álbuns a solo que se seguem Special Forces (1981) e Zipper Captures Skin (1982), provaram ser uma decepção para o público e não merecem elogios por parte da crítica. A redenção de Alice só acontece em 1989 com o álbum Trash, que volta a surgir nas tabelas de vendas ainda que em posições baixas.

Desde então, o sucesso de Alice Cooper provém dos espectáculos que continua a dar por todo o mundo, assim como das participações em cinema que tem feito. Em 2004, lançou o seu próprio programa de rádio, Nights With Alice Cooper e em 2011 o grupo viu a sua antiga banda receber um lugar no Rock and Roll Hall of Fame.

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